ANO DE LANÇAMENTO
1997 (Áustria)
DIRETOR

Michael Haneke

ELENCO
Susanne Lothar
Ulrich Mühe
Arno Frisch
Frank Giering
Stefan Clapczynski
Doris Kunstmann
ROTEIRO

Michael Haneke

PRODUÇÃO

Veit Heiduschka

FOTOGRAFIA

Jürgen Jürges

EDIÇÃO

Andreas Prochaska

LANÇAMENTO:

1997

DISTRIBUIDORA:

VIOLÊNCIA GRATUITA
(Funny Games)


O que seria um bucólico período de férias à beira de um lago para Anna, George e seu filho pequeno, transforma-se num pesadelo quando recebem a visita de um casal de jovens psicopatas, que os submetem a um tenso jogo de tortura psicológica.

CRÍTICAS

“Você deveria ter me dado mais ovos”

"Funny Games" (1997) ou "Violência Gratuita" (como foi traduzido o titulo aqui no Brasil) é uma criação do diretor austríaco nascido em 1942 em Munique, Michael Haneke, que se tornou conhecido aqui por seus filmes "A professora de Piano" (La pianiste de 2001, uma adaptação do romande de Elfriede Jeline) e por "Cachê" (estrelado por Juliete Binoche em 2005).



O filme narra a história de uma família, composta por Anna (Susanne Lottar – que seria novamente dirigida por Haneke no filme "La pianiste"), Georg (Ulrich Mühe casado na vida real com Susanne e falecido vitima de câncer em julho deste ano) e por Schorschi (Stefan Clapczynski), em um passeio de férias para uma casa de veraneio. Enquanto a família está se instalando na casa, chega seu amigo com um jovem chamado Paul (interpretado por Arno Frisch – ator austríaco muito conhecido no circuito europeu), para ajudarem na montagem do barco de Georg. Nesse meio tempo, o cachorro da família, um enorme pastor alemão, late sem parar como se estivesse pressentindo algo ou alguém ruim nas proximidades (sexto sentindo canino? Premonição?). Somos apresentados ao jovem Peter (Frank Giering – ator nascido na cidade de Magdeburg/Alemanha), que entra na casa, perguntando a Anna se ela poderia emprestar alguns ovos. Logo chega Paul, amigo de Peter - que entra na casa sem ao menos ter sido convidado - e começa a mexer nos tacos de golfe da família. Anna fica cada vez mais nervosa com a situação, pois esses dois rapazes esquisitos não querem sair da sua casa.

Mais tarde chegam à residência Georg e seu filho, bem no momento em que Anna está gritando para os estranhos irem embora. Georg tenta interferir, mas Paul o agride no joelho com um taco de golfe.

Dentro casa, temos uma das partes mais interessantes no filme, pois Peter e Paul são interrogados pela família, que tenta saber o porque deles estarem fazendo isso. Eles inventam um monte de respostas já utilizadas em outros filmes para justificar um comportamento violento, sendo que, na verdade, os dois simplesmente gostam de espancar, torturar e matar suas vítimas e só. Mais nenhuma explicação. Fazem isso por prazer!



Paul pega o filho do casal e coloca a capa da almofada na cabeça dele e pede para Anna tirar a roupa. Como ela se recusa, o jovem começa a sufocar o pequeno menino. Vendo o desespero de Georg, Paul faz com que ele implore para a esposa tirar a roupa.

Eis que começa um jogo infantil semelhante ao nosso “Minha mãe mandou eu escolher esse daqui mas como sou teimosa vou escolher esse daqui” para saber quem irá morrer primeiro tendo seus miolos espalhados pela parede...e o escolhido(a) deixa uma mancha de sangue escorrendo por toda a televisão.



Em determinado momento, Peter, gordinho para variar, diz que está com fome e vai para cozinha comer algo - porque psicopata que é psicopata não mata com fome, mas bem alimentado. Aproveitando o descuido de Paul, Anna pega uma arma e dá um tiro no nosso simpático e fofinho Peter. Paul pára o filme, isso mesmo, ele pára o filme, conversa com expectador e retrocede a cena para evitar a morte do companheiro... como isso é possível? Pergunte ao diretor.

Aliás, Haneke não se preocupa em explicar a origem dos rapazes ou os motivos, o que ajuda na tensão presente em todo o filme, pois a família em nenhum momento sabe o porque de estarem sofrendo - se é por dinheiro, pelo carro ou até mesmo pela casa - como se eles tivessem sidos escolhidos aleatoriamente.



Em nenhum momento, vemos cenas de violência gráfica, somente ouvimos o barulho da arma disparada e o esguicho de sangue na TV, ou apenas o som seco e mortal. Vale a pena conferir o filme que consegue retratar ate onde a maldade humana consegue ir e a luta pela sobrevivência da família. Acompanhamos uma série de mudanças nos personagens ocorridas em fases: 1-) Fase da incompreensão que gera raiva nas vitimas; 2-) Fase do diálogo, onde as vítimas tentam negociar a própria vida com bens financeiros; 3-) Fase da luta pela sobrevivência onde as vítimas tentam sobreviver a qualquer custo e 4-) Fase do conformismo, onde as vítimas se conformam em morrer e de preferência de maneira rápida. Um bom filme, que vale a pena ser assistido e traz a curiosidade em querer ver o remake em produção feito pelo próprio diretor.

Andrea Ribeiro