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WAZ - MATEMÁTICA DA MORTE ![]() Corpos são encontrados nas ruas escuras da cidade - alguns horrivelmente mutilados, outros com a equação WAZ cravada em suas carnes. Quando o veterano detetive Argo e sua parceira inexperiente desvendam o significado da equação, eles descobrem que a cada vítima foi dada uma escolha cruel: matar o seu companheiro ou ser morto!
CRÍTICAS
"W Delta Zeta" - que seria o jeito mais correto de se escrever o título, mas a atendente da locadora vai te olhar como se você fosse maluco se chegar perguntando por este filme - é parte de uma equação que foi utilizada por George R. Price, um famoso geneticista ateu que não acreditava que o comportamento humano incluía sentimentos abstratos, como o amor. Para isto elaborou esta equação que "mede" o instinto humano sobrepujando estas emoções. O roteirista britânico Clive Bradley achou que seria um bom tema para uma produção cinematográfica e escreveu WAZ - Matemática da Morte (Conhecida pelo nome “The Killer Gene” na Inglaterra).
![]() Olhos destreinados (e muitos treinados) podem passar por WAZ como mais um torture porn jogado na prateleira das locadoras, e, realmente, a distribuidora Califórnia Filmes tenta vendê-lo como mais um exemplar legítimo deste saturado sub-gênero. Porém a ausência de alguns elementos básicos característicos do torture porn fazem com que WAZ puxe sua sardinha mais para o lado do thriller de investigação - tais como SEVEN, RESSURREIÇÃO, NA TEIA DA ARANHA ou O COLECIONADOR DE OSSOS - e apesar de ter grandes falhas de roteiro e execução, é bastante passável comparando com a onda de pretensos JOGOS MORTAIS lançados recentemente. E ainda impressiona por ter nomes de calibre no elenco (tais como Selma Blair e Melissa George) apesar de se tratar de uma produção relativamente desconhecida. Sem querer entregar muitas surpresas para o potencial espectador, a história começa com o encontro dos restos mortais de uma mulher grávida brutalmente eletrocutada. A partir daí gira em torno de corpos que começam a ser achados pelas ruas da cidade em lugares aleatórios com ferimentos similares. Algumas aparecem moribundas e mutiladas, enquanto outras são encontradas com parte da equação "W Delta Zeta" cravados na carcaça. A única evidência em comum é que os pares de vitimas são parentes próximos e que um deles está com o indicador queimado.
![]() Os detetives encarregados da investigação, o amargo Eddie Argo (Stellan Skarsgård, EXORCISTA: O INÍCIO e PIRATAS DO CARIBE) e a parceira enérgica Helen Westcott (Melissa George de 30 DIAS DE NOITE e TURISTAS) a princípio pensam que se trata de uma rixa entre gangues rivais, porém a medida que os cadáveres se amontoam, percebem que é algo muito mais complexo e filosófico: um maníaco está usando a equação para racionalizar seu passado violento, medindo até que ponto seus cativos podem agüentar a dor antes de assassinar um ente querido, na prática, aperte o botão e frite seu parente eletrocutado ou morra lentamente. A caçada pelo assassino que passa pela vitima de estupro Jean Lerner (Selma Blair, HELLBOY II e A NÉVOA) envolverá muito mais do que entender a mente doentia do maníaco, mas também uma escolha entre a vida e a morte. Os clichês dos thrillers e alguns dos torture porns estão presentes como o foco na investigação e na vida pessoal dos policiais mais do que no assassino, antagonista com um drama de passado violento racionalizando sua fúria, cidade de noite permanente, as vitimas possuem algum motivo para morrer, etc. Além de certas inconsistências no roteiro (nunca fica claro porque o assassino marca os corpos com a equação), contudo há algumas surpresas que fazem WAZ fugir um pouco do convencional. Destacando uma cena de estupro para entrar nos anais (sem trocadilho) do cinema de horror (ainda que nada seja mostrado graficamente) e uma reviravolta que trata de um assunto delicado e é tratado com dignidade pelo roteirista Bradley e o diretor Tom Shankland. ![]()
Falando nele, sua condução não vem da escola videocliptica de Darren Bousman. É um trabalho mais contido, mais intimista, que puxa um pouco mais da emoção do que seus parceiros de profissão que preferem grafismos. Na análise geral é suficiente, apesar de algumas quebras desnecessárias de ritmo e um trabalho de câmera por vezes preguiçoso que quase põe tudo a perder. ![]()
O cast é fantástico e o maior atrativo da produção, os rostos conhecidos já citados acima e sabem trabalhar com naturalidade, sem forçar a barra para provocar o espectador, todos bem coordenados fazem o filme ser um pouco mais do que "um episódio longo de Dexter, sem Dexter". Para mim, a única exceção é Melissa George , que está deslocada e não consegue convencer como a policial teimosa que deveria contrastar com o estilo "noir" de seu parceiro, o detetive interpretado por Stellan Skarsgård, o nome do filme. ![]()
Se há um defeito grande, este é o tempo. Exatamente, se WAZ fosse idealizado durante a febre de SEVEN, lá pela segunda metade da década de 90, seria muito mais aceito pelo público e teria um "quê" de novidade. Como a moda esfriou e ficou desinteressante assistam pela curiosidade apenas, mas de mente aberta você até pode se surpreender.
Gabriel Paixão |