ANO DE LANÇAMENTO
2005 (EUA)
DIRETOR

Nick Quested

ELENCO
Matt Schulze
Cerina Vincent
Danny Trejo
Billy Wirth
Noel Gugliemi
Billy Drago
ROTEIRO

Thadd Turner

FOTOGRAFIA

Patrick Loungway

PRODUÇÃO

Ryan R. Johnson
Kevin Ragsdale

LANÇAMENTO NO BRASIL:

15 de setembro de 2005

DISTRIBUIDORA:

Imagem Filmes

7 MÚMIAS
(Seven Mummies)


Há 500 anos sete jesuítas foram mumificados e enterrados segundo o costume local próximo a um tesouro. Quatro séculos depois, a construção de uma cidade sobre o ouro acordou as sete múmias, que mataram todos os moradores e os transformaram em mortos-vivos, condenados a proteger o ouro por toda a eternidade. Agora, fugitivos à procura da liberdade no deserto do México, descobrem a lenda do tesouro amaldiçoado de Tumacacori, e decidem desafiá-la. Para isso, eles precisam vencer as sete múmias, os mortos vivos, o misterioso xerife e seus capangas.

CRÍTICAS

Quando você acha que já viu tudo de mais bizarro que o cinema independente possa ter produzido em matéria de ruindade e avacalhação (depois de "coisas" como GLEN OU GLENDA e RATOS), eis que você entra na sua videolocadora assim, como quem não quer nada, e se depara com um filme do qual nunca tinha ouvido falar. O título é sugestivo: SETE MÚMIAS. As fotos na capinha, tentadoras. Então você leva "aquilo" para casa e percebe que o que está vendo é algo inqualificável. Uma aberração da natureza, por assim dizer...

Para dar uma idéia do resultado do troço, vamos exemplificar da seguinte forma: imagine colocar no liquidificador o elenco mais bizarro já reunido numa produção classe Z, uma dose razoável e aceitável de gore para manter a atenção do espectador, hard rock, os westerns de Sergio Leone, a falta de talento de Uwe Boll em HOUSE OF THE DEAD, gostosonas peitudas, múmias que lutam kickboxer como se estivessem num filme de Jet Li (é sério!!!), zumbis-vampiros e um roteiro sem pé nem cabeça, que carece de lógica e de objetivo. Bata bem, sirva gelado e você terá SETE MÚMIAS. É isso mesmo: esta bizarria obscura é o filme que Bruno Mattei faria se tivesse 20 anos de idade e a cabeça cheia de ácido lisérgico. Quando você acha que a coisa não pode piorar, uma nova doideira pipoca na tela e te dá a certeza que o filme até pode ser muito ruim, mas é tão "fora da casinha" que vale ao menos uma olhada até o final!

Também conhecida como TREASURE OF THE SEVEN MUMMIES nos Estados Unidos, esta produção amadora de 5 milhões de dólares já começa com propaganda enganosa, já que em nenhum momento aparecem sete múmias - só quatro, e olhe lá. Na verdade nem são bem múmias, mas sim uns zumbis com cara decomposta e muito, mas muito ágeis (ora, os caras lutam kickboxer e voam como se estivessem em MATRIX!!!). SETE MÚMIAS é o primeiro (e provavelmente único) filme de Nick Quested, que até tenta fazer algo fora do comum, mas é atrapalhado (e muito) pelo roteiro enigmático (leia-se "confuso") de Thadd Turner - que interpreta um dos vilões do filme. Aliás, vá lá saber como é que esta tralha saiu no Brasil, já que o lançamento nos Estados Unidos será somente em janeiro de 2006 (é incrível a rapidez com que os filmes "meia-boca" chegam ao país...).

SETE MÚMIAS começa com o que parece ser um flashback dos tempos do Velho Oeste. Dois cowboys esfarrapados arrastam um caixão de madeira pelo deserto e, quando este se abre, revela uma fortuna em moedas de ouro. Então surge, do nada, um cavaleiro com uma espada e degola ambos, fazendo o sangue espirrar sobre o tesouro. Corta para os créditos de abertura. Ah sim: pode esquecer este início, pois em nenhum outro momento do filme os produtores tentam explicar quem eram aqueles cowboys, para onde eles levavam o ouro ou por que foram degolados - nem a identidade do degolador!

A história é retomada nos dias atuais e não perde tempo em mostrar seis presidiários fugindo depois que o veículo em que eram transportados capota bem no meio do deserto. Eles dão cabo de um dos guardas de escolta e levam o outro - que, convenientemente, é uma gostosa peituda - como refém. Resolvem, claro, atravessar o deserto até a fronteira do México. Algo interessante a destacar é que não há qualquer desenvolvimento dos personagens e nem ao menos ficamos sabendo o nome dos elementos - os nomes dos personagens só aparecem nos créditos finais, e olhe lá. Então, embora eu use os nomes deles aqui no texto, saiba que você não vai conseguir identificá-los no filme, pois eles nunca ou bem raramente se identificam!!!

Como todo grupo de presidiários-clichê de filmes classe B, o sexteto conta com um líder malvado, Rock (Matt Schulze, de VELOZES E FURIOSOS); um bonzinho que aparentemente foi preso por um crime que não cometeu, chamado Travis (Billy Wirth, que apareceu em OS INVASORES DE CORPOS, de Abel Ferrara), e outros quatro manés cuja participação é tão pequena e inútil que nem cabe mencionar. Só um deles vale citação: um grandalhão de rabo de cavalo chamado (só nos créditos finais) Blade, e que é interpretado por... caramba!!! Pelo Leatherface em pessoa! Sim, é Andrew Bryniarski, que fez o remake de O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA, em pequena participação, desta vez sem máscara de pele humana!!! E a policial gostosa, que passa o filme inteiro de blusinha decotada para que possamos observar melhor seus, hã, talentos dramáticos, é interpretada pela gata Cerina Vincent (que era a, pasmem, Power Ranger Amarela do seriado POWER RANGERS!!!!).

Durante a caminhada pelo deserto, o grupo encontra um cadáver enterrado na areia com um estranho medalhão, que o líder do grupo pega para si. E acabam indo parar num velho barraco, onde encontram um índio apache, vivido pelo feioso Danny Trejo (o barman da trilogia UM DRINK NO INFERNO). Ele conta aos "turistas" a lenda do "tesouro perdido de Tumacacori", escondido no deserto. São milhões e milhões de moedas de ouro dos conquistadores espanhóis, vigiadas por sete padres jesuítas. Sem pensar duas vezes, os bandidos resolvem seguir atrás do ouro, e vão parar... numa cidadezinha perdida no meio do deserto!!! Acredite se quiser, mas é uma autêntica cidade do Velho Oeste, com um xerife (Billy Drago!!!), um salloon repleto de prostitutas gostosas, pistoleiros andando com seus cavalos e tudo mais - mas em nenhum momento, e eu digo em nenhum momento mesmo, os nossos "heróis" sequer desconfiam que há algo errado numa cidade do século 19 encravada no deserto em pleno século 21!!! Argh!!!

Eles logo entram no salloon e se engraçam com a putada. Surge até um simpático barman (Martin Kove) oferecendo drinks de graça para a galera. Quando a noite cai, entretanto, os habitantes do vilarejo revelam sua verdadeira face: eles são monstros, mas o filme jamais define exatamente que tipo de monstros... hehehehe. Aparentemente, são zumbis, pois estão mortos há décadas. Mas atacam suas vítimas a dentadas, então também lembram vampiros. Por outro lado, podem ser simplesmente fantasmas. Ou demônios... Que seja! São malvados, e pronto!

A revelação da identidade do povo da vila é acompanhada por uma matança bem colorida, com direito a línguas e orelhas arrancadas a dentadas, tirambaços certeiros, tesoura enfiada no olho, cabeças decepadas e por aí vai. Sentiu uma sensação de déja vu? Bandidos em fuga indo parar num cabaré onde todos são monstros... Hmmmm, isso lembra UM DRINK NO INFERNO, de Robert Rodriguez e Quentin Tarantino, não é mesmo? Pois pensei a mesma coisa! Infelizmente, SETE MÚMIAS não chega nem aos pés da obra divertidíssima de Rodriguez, e logo após o massacre no salloon, os sobreviventes fogem e se dividem, correndo cada um para seu lado. Neste ponto, o filme perde o rumo. Os habitantes-fantasmas da vila desaparecem (num passe de mágica e sem justificativa), restando apenas o xerife e seus dois ajudantes, que perseguem obsessivamente os invasores.

Quando você acha que a coisa não tem como piorar, SETE MÚMIAS vai ficando mais e mais bizarro. Acompanhe:

1-) O xerife fantasma quer, aparentemente, o medalhão que Rock guarda, aquele encontrado no deserto. Segundo diz o vilão, é preciso ter os sete medalhões reunidos para... para... Bem, o filme não diz para quê ele quer os sete medalhões... Aparentemente, já tem os outros seis e só falta aquele. Talvez seja um fantasma colecionador de medalhões... Mas, perto do final, acredite se quiser, o xerife fantasma simplesmente esquece do seu desejo de procurar o medalhão. Sim, esquece. Não se fala mais no caso!!!

2-) Rock encontra um antigo mapa numa das casas do vilarejo (o mapa é simplesmente uma folha queimada nas beiradas, para parecer beeeem antigo) que, aparentemente, leva ao tesouro perdido. Mas jamais tal mapa é visto ou citado de novo durante todo o filme!!!

3-) Lá pelas tantas, o grupo acaba numa velha igreja e abre uma passagem secreta utilizando o medalhão guardado por Rock. Eles vão parar num subterrâneo forrado de moedas de ouro, onde aparecem quatro múmias vestidas como sacerdotes (provavelmente os jesuítas que guardavam o ouro). Apesar de serem múmias, elas levantam com uma agilidade acima do comum e lutam kickboxer com os invasores, saltando, voando, dando chutes, socos, voadoras... Enfim, tudo aquilo que você NÃO esperava ver múmias fazendo num filme de horror!!!

4-) O xerife fantasma é cercado por uma nuvem esquisita e se transforma, ele próprio, numa múmia (!!!). Seus dois capangas desaparecem do mapa e ele passa a perseguir sozinho os bandidos sobreviventes, esquecendo seu desejo de conseguir o sétimo medalhão... Enquanto embainha e desembainha sua espada infinitas vezes, ele dá discursos sem sentido, parecendo até o "nosso" Zé do Caixão em O DESPERTAR DA BESTA.

E aí, entendeu alguma coisa? Claro que, no meio de toda essa balbúrdia, SETE MÚMIAS acaba perdendo a graça e a lógica (aparece até uma veloz motocicleta bem no meio da vila do Velho Oeste!!!). Mas os peitos de Cerina Vincent, o sangue rolando (esqueci de mencionar que também tem olhos arrancados) e o clima geral de loucura e apelação fazem com que o espectador assista firme até o fim, por pior que o filme seja. E não é que, após 1h16min de um roteiro esdrúxulo, SETE MÚMIAS termina tão confuso quanto se desenvolveu, com uma última cena bizarra e sem qualquer explicação???

O melhor de SETE MÚMIAS (além de Cerina Vincent e das putas seminuas do Salloon) é o elenco pra lá de esquisito. Billy Drago é o eterno vilão de filmes classe B, mas suas cenas aqui não têm pé nem cabeça, resumindo-se a closes do ator falando frases sem sentido ou relação com a trama, e que aparentemente foram todas improvisadas pelo próprio Drago. E Martin Kove, para quem não lembrou, foi o treinador malvado do "clássico" KARATÊ KID. Sua participação como dono do salloon em SETE MÚMIAS é um daqueles mistérios da humanidade, já que o coitado entra mudo e sai calado, sem fazer algo que valha a pena para garantir seu nome nos créditos. O mesmo vale para Danny Trejo, que ainda ganhou uma longa cena em close onde simplesmente fica olhando para o horizonte e rindo (isso durante uns dois minutos, parece que o diretor ligou a câmera e deixou o cara lá rindo!!!).

A ambientação no Velho Oeste (ao estilo do recente A CASA DOS PÁSSAROS MORTOS) até é interessante, mas muito mal-aproveitada. Aliás, o filme parece uma versão piorada de uma bela produção B dos anos 80, chamado CIDADE-FANTASMA, que também tratava sobre uma vila perdida e pistoleiros-fantasmas - mas é bem superior, e desde já indico para todo mundo que ficar furioso ao final de SETE MÚMIAS.

Sem qualquer estilo ou talento, o diretor Quested passa todo o tempo de projeção usando e abusando do recurso de sobreposição de imagens - tipo, personagens caminhando com uma imagem do deserto ou de outro personagem sobreposta. Chega uma hora que enche o saco. Candidato a Ed Wood, ainda repete quatro vezes o MESMO TAKE de uma aranha passeando pela areia do deserto!!! Que tal???

Estranho e trash do começo ao fim, SETE MÚMIAS é aquele típico filme tão ruim, tão esquisito, tão enigmático, tão "sei lá o quê", que merece pelo menos uma olhada. Enfim, um filme que nem tem como classificar. Na sua mistura de lutas, monstros e Velho Oeste, até lembra os velhos e ingênuos filmes mexicanos de El Santo!!! Só não espere muito. Aliás, não espere nada!!!

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Felipe M.Guerra