John Carpenter se tornou conhecido no início da década de 70 pela sua experiente construção de cenas de suspense e ação, agradando principalmente o público masculino. Mas ao contrário de alguns dos seus contemporâneos, ele usava a violência como contexto para dilemas morais ou excessos estilísticos. De fato, seu primeiro filme, o horror clássico HALLOWEEN , não tinha uma gota de sangue. Com produções como IT CAME FROM OUTER SPACE (1953) e FORBIDDEN PLANET (1956), Carpenter ficou conhecido pelos seus filmes de horror, ação e ficção científica.
Enquanto estudante diplomado pela USC, Carpenter também produziu, dirigiu e co-roteirizou com seu colega Dan O´Bannon o humor negro DARK STAR, projeto de tese de um Mestre memorável que ele expandiu como seu primeiro clássico, em 1974. Com um orçamento de só $60,000, o filme serviu como inspiração para Stanley Kubrick criar seu clássico 2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO em sua visão de um homem no espaço, sendo subjugado pela tecnologia. A revista britânica Time Out escreveu o seguinte: "...interessante o último grande filme hippie, com suas referências humorísticas para as drogas...". Descrito pelo próprio autor como "Esperando por Godot no espaço", DARK STAR alertou os fãs do gênero para a chegada de uma nova percepção que era inteligente, cômica e tecnicamente segura. Infelizmente, poucos tiveram a chance de presenciar isso. Embora tenha sido bem recebido pela Filmex, em 1974, o filme foi maltratado por vários distribuidores diferentes. Foi considerado cult, depois de se tornar popular nas exibições de 16mm, no final dos anos setenta.
Com esse reconhecimento, os filmes de Carpenter passaram a ser dignos de respeito e admiração. Sem dúvida nenhuma, o filme que mais elevou o nome de Carpenter foi o excelente HALLOWEEN, em 1978, que apresentou Jamie Lee Curtis ao cinema e estabeleceu uma cartilha para os diretores de filmes modernos de suspense. O filme gerou seqüências inferiores e cópias malfeitas além de arrecadar muito dinheiro, tornando-se o filme mais lucrativo da época. Em 1979, Carpenter foi homenageado pela Associação de Críticos de Los Angeles pelas suas obras compostas até o momento. Era só o começo.
Novos filmes foram surgindo no passar dos anos e a maior parte deles receberam elogios pela crítica. Um pequeno toque na JANELA INDISCRETA, de Hitchcock, o fez avançar seu estilo para composições mais profundas. A COISA, de Stephen King, acrescentou efeitos especiais ao seu tradicional estilo de obras temáticas, mostrando o efeito do vício a um povo manipulado pela mídia. Em CHRISTINE (1983), explorou o crescente fetiche pelo automóvel e sua relação com a cultura dos jovens, enquanto um carro assassino fazia suas vítimas. Outro filme com bastante apelo temático é ELES VIVEM (1988). Neste, Carpenter mostra o quanto, em certos momentos, somos cegos diante de uma realidade cruel e sinistra. Novamente, nota-se a forte crítica à mídia, por sua poderosa influência "nos cegos".
Carpenter também é admirado pelas suas obras de aventura como FUGA DE LOS ANGELES, por exemplo, entretanto o diretor nunca abandona o terror e sempre surge com um novo filme, repleto de cenas assustadoras e críticas em relação a sociedade.

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