ALONE IN THE DARK (PC)

por Claudio Gaspari

1992 foi um ano marcante na história dos jogos de terror. Numa época que os jogos primavam pela ação, a Infogrames (hoje conhecida como ATARI) presenteia o mundo com o que é considerado um dos primeiros “survival horror” da história: Alone in the dark.



A história do jogo é baseada nos trabalhos de H. P. Lovercraft. O ambiente: uma mansão mal assombrada chamada Decerto. Seu dono, Jeremy Hartwood morreu na mesma com indícios de suicídio. Sua morte não foi novidade para ninguém, pois ele tinha a reputação de estar envolvido com poderes malignos. A polícia engavetou rapidamente o caso e, em pouco tempo, a população esqueceu o assunto. Coube a sua sobrinha investigar a veracidade dos acontecimentos entrando de cabeça nos mistérios da mansão.

Para isso, o jogador pode escolher entre dois personagens. Uma delas é Emily Hartwood, sobrinha do falecido. O outro é Edward Carnby, detetive particular contratado para elucidar o mistério. Este, por sinal, é o protagonista de toda a série.



O jogo marcou época não apenas pelo seu estilo, mas também pelo tipo de gráfico utilizado. Unindo elementos em 3 dimensões poligonais num cenário estático, o jogo conseguiu criar belas imagens. É bom lembrar que a capacidade dos computadores pessoais era bastante limitada. Ninguém nem sabia o que era Pentium...quem tinha um 486 DX4 era considerado o cara mais rico da turma. O Windows (na época a versão era a 3.1) era pouco utilizado pelos jogadores, que sempre optavam pelo bom e velho sistema DOS.

A posição das câmeras foi inovadora. Localizadas em ângulos normalmente utilizados em filmes de terror (Embaixo de cadeiras, sobre estantes, etc ) , elas conseguiam passar um efeito bem envolvente e aterrorizante. Dependendo da posição do personagem na tela, a câmera mudava de posição. Na época, era uma tremenda novidade.

O som do jogo não era nada espetacular, mas conseguia passar uma atmosfera sinistra.

A movimentação dos personagens era um dos pontos fracos do jogo. Demorava a se acostumar com o posicionamento e era muito comum você andar para traz quando se pretendia andar para frente...Mas nada que alguns minutos de jogatina não resolvessem.



O jogo se inicia no sótão, local do suposto suicídio de Jeremy Hartwood, e aos poucos as pistas nos levam a todos os ambientes da mansão. Catacumbas decrépitas e corredores sombrios vão aos poucos nos envolvendo.
Monstros e fantasmas, é claro, também dão as caras. Zumbis, quadros que se movimentam, espectros...Como as armas e munições são raras, em muitos momentos é necessário que se tenha criatividade para enfrentar algumas criaturas, criando armadilhas para escapar e eliminá-las.

Os livros e cartas que são encontrados pelo jogo, além de manter o jogador preso à história, ainda contêm dicas de como prosseguir já que muitos enigmas são impostos ao longo da aventura. Referências ao escritor H.P.Lovercraft podem ser notadas em textos como o “Necronomicon” e “De Vermiis Mysteriis”, encontrados pelas estantes da mansão.

Alone in the dark foi um marco na história dos jogos. O clima de terror fazia com que muitos jogadores interrompessem a sessão por puro medo! Resident evil e Silent Hill são seus filhos mais pródigos. Foi o primeiro de uma série que já saiu dos computadores e invadiu os videogames de última geração.

O sucesso foi tanto que cobiçou a indústria cinematográfica. Infelizmente, o filme caiu nas mãos do polêmico diretor Uwe Boll que fez questão de mudar o ponto principal do jogo...no filme ninguém está “sozinho no escuro”, e o enredo parece uma união de Godzilla, Alien 2 e Arquivo X ( e isso não é um elogio). Mas o nome do personagem principal é o mesmo....E só!

Claudio Gaspari

ALONE IN THE DARK (Alone in the Dark)
Produtora: Infogrames
Distribuidora: Interplay
Designer: Frédérick Raynal
Ano: 1992 (DOS); 1994 (3DO)
Gênero: horror, sobrevivência, aventura
Modo de Jogar: individual (teclado)
Plataformas: DOS, Mac OS, 3DO
Sistema Requerido: 16 MHz Processor, 640K RAM, 5 MB de espaço livre no HD


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