Lá estava eu em 1993 com meus 15 aninhos, numa fase em que a adolescência se consolidava. Jogar videogame ainda era considerado coisa de criança e passei a me distanciar um pouco do velho e bom Mega Drive. Um belo dia recebo uma ligação de um amigo que trabalhava numa locadora de games, todo empolgado dizendo:
- Cara! Você nem tem idéia do que tenho nas mãos!
Sim...Splaterhouse 3. O terceiro jogo da série mais sangrenta até então. Eu estava tão por fora de games na época que nem sabia que estava sendo produzido. Tirei do baú minha empoeirada carteirinha da locadora e parti para alugar essa maravilha.
Entendam. Não era cool jogar Sonic ou Mario Bross, mas ninguém podia dizer nada de um jogo que vinha com um selo na capa informando que era para maiores de 13 anos devido à violência gráfica e gore!
Ao contrário dos filmes, as continuações dos games costumam ser melhores que os anteriores. Não foi diferente com este. Melhores gráficos, mais sangue, mais suspense, história mais detalhada e possibilidade de finais diferentes garantiram o êxito do jogo.


Ok! Colocamos o cartucho e nos deparamos com uma nova história. Cinco anos após os eventos de
Splatterhouse 2, Rick e Jeniffer estão casados e tem um filhinho, o David. A família acaba de se mudar para uma bela mansão e tenta esquecer o passado sinistro.
O problema é que as entidades malignas não foram dizimadas e ainda procuram vingança. Aproveitam uma brecha entre os mundos causada por um eclipse lunar e invadem a mansão.
A máscara da morte aparece novamente para Rick informando o que acontece e oferecendo novamente ajuda...Mas você sente que tem algo errado nisso tudo.
O jogo apresenta algumas mudanças em relação aos anteriores. Todas excelentes, diga-se de passagem. Primeiro a movimentação que antes era linear e passa a ser espacial, semelhante a jogos de luta como
Streets of Rage ou
Double Dragon.
Os golpes também estão mais variados. Se nos anteriores Rick só socava e dava voadora, nesse a pancadaria rola solta. Seqüências de socos, chutes, voadoras, giratórias, agarrar o oponente e dar cabeçadas. Acho que Rick andou praticando algum tipo de arte marcial esses anos. Ele está tão poderoso que o uso de armas ficou em segundo plano. Na minha opinião é uma das poucas falhas do jogo. Fazia parte da diversão usar escopetas, moto-serras e adjacências. As armas que existem são pouco variadas e quase inúteis. Eu esperava mais nesse aspecto.
O mapa está mais amplo. Cada fase se passa em um andar da mansão e podemos explorá-lo à vontade, indo e vindo quantas vezes quiser até chegar no chefe de fase. Nem todas as salas são obrigatórias e você cria seu trajeto. Mas o legal mesmo é entrar em todas, pois muitas surpresas estão pelo caminho. Existem salas repletas de monstros, salas vazias e outras com algum susto surpresa apenas para divertir.


Outra grande diferença é a influencia da máscara sobre Rick. Durante a fase você encontra alguns globos estranhos que quando acumulados permitem a Rick se transformar num mega monstro muito mais poderoso do que sua forma humana comum. Ele rasga e camisa estilo
Hulk e os monstros que saiam de perto. Os golpes ficam mais fortes e até um golpe conhecido como
“pilão” pelos gamers é possível. É como se a máscara assumisse o comando do corpo.


Por fim a melhor novidade do jogo. Os anteriores já tinham uma história envolvente e você se sentia num verdadeiro filme de terror. Nesse a coisa tomou ares de cinema. Você tem uma contagem regressiva no decorrer de cada fase. Quanto mais tempo você demora, mais risco de morte corre sua família. Então explorar a fase pode não ser algo tão interessante assim. Belíssimas cenas mostram o que acontece com Jeniffer e David ao passar do tempo.
E assim pode-se culminar com alguns finais diferentes. Rick pode salvar todo mundo, apenas David, apenas Jeniffer ou deixar todos morrerem. Acredite...Você vai querer explorar todas as possibilidades!
Agora vamos a seqüência do jogo:
Na primeira fase estamos no térreo. Os inimigos são fracos, mas já da pra ter idéia do que esperar. Algum monstro está à espreita de Jeniffer. Após passar algumas salas e detonar todo mundo, chegamos ao primeiro chefe. Ele está agachado comendo uns restos do que parece ser um cadáver de outro monstro e você interrompe o banquete. Então desça a porrada nele. Após alguns golpes sua cabeça explode e ele continua a atacar. Uma língua esquisita sai de dentro do pescoço estilo a boquinha do monstro do filme
Alien. Ao derrotá-lo Rick consegue salvar Jeniffer, mas ela está com uma estranha doença espalhando pelo corpo. A máscara informa que ela foi contaminada com um verme maligno que vai comer seu corpo por dentro a transformando num monstro. A única forma de salvá-la é destruindo a criatura que a contaminou. Então vamos à segunda fase!



Passamos ao segundo andar. Os monstros não são muito diferentes. Algumas mãos decepadas possuídas estilo
“The Evil Dead” podem ser encontradas no caminho. A coisa está feia para o lado de Jeniffer. A doença se espalha rapidamente. Se Rick demorar muito pode não sobrar corpo para contar a história. Eis que chegamos ao responsável uma espécie de verme bípede. Ele já fez seu ninho numa das salas e te recebe mandando um monte de filhotes na sua direção. Nada que um monte de porrada não resolva. Após alguns golpes a cabeça dele explode (por que eles adoram isso?) e um monte de verminhos toma o lugar. Continue batendo que ele não resistirá muito. Pronto! Você salvou sua amada!



Rick ouve uma voz...É David! Ele está gritando em algum lugar do terceiro andar. Vamos atrás dele. Logo no início uns monstros cabeçudos te atacam. Porrada neles! David está Escondido no próprio quarto. Seja rápido. Se passar pela biblioteca, cuidado. Livros e móveis vão te atacar. Então você chega no quarto. David está encolhido num canto e, ao som de uma música de ninar, um fantasma sai do seu corpo e possui um urso de pelúcia que passa a te atacar. Após alguns golpes ele mostra sua verdadeira face. Longos braços saem de seu corpo e uma grande boca aparece no seu peito. Após derrotá-lo, Rick descobre que não era o David real que estava no quarto. A máscara conta que o garoto sempre foi o objetivo dos monstros. No passado todo o mal foi aprisionado num cristal. Pequenas brechas faziam esse mal sair, mas nunca totalmente. O garoto é a chave. Os monstros precisam de uma criança com poderes psíquicos para um ritual na lua cheia e David é perfeito para seus planos. Vamos encontrá-lo.



Aparentemente David está no porão. Vamos lá. A entidade maligna que está por trás de tudo observa a lua. Quando o eclipse começar, o ritual se inicia. Essa fase tem uns monstrinhos diferentes. Uma espécie de lobo misturado com aranha. O chefe da primeira fase é inimigo comum agora e ataca em dupla! Umas mãos gigantes também saem do chão. Não as ataque. Apenas passe reto. O ritual está quase pronto. Se apresse! O chefe de fase tem duas formas. Na primeira é apenas uma fácil bolha voadora, mas na segunda se torna um verme gigante com pernas aracnídeas. Ele é rápido, morde e dá choque...Difícil. Depois da batalha, David está salvo, mas a máscara manda-o cair fora logo, pois o ser maligno ainda vai tentar o ritual.



Ok, Rick está em fuga agora. Essa fase é como uma união dos dois mundos. Definitivamente você não parece estar mais na sua casa. O cenário lembra uma masmorra, com demônios aprisionados em celas. Alguns inimigos novos aparecem, uns espectros com saco na cabeça. Depois de alguns golpes o saco sai e eles se mostram como cabeças decepadas. O cenário em algumas salas lembra um templo indígena. Enfim você chega ao sr maligno. Ele é um espectro néon. Lembra muito um ser imortal que o perseguia no segundo jogo, porém numa escala menor. Depois de muita porrada seu rosto incha e explode. Pronto! Acabou, não?



A máscara revela seu objetivo. Ela precisava tirar a concorrência do caminho. Com o ser maligno destruído, é a vez dela tentar dominar o mundo. Rick foi usado! O espírito sai da máscara e se une ao corpo destruído do chefe da fase anterior se transformando numa versão incompleta de Rick. Depois ela evolui para uma grande máscara. A batalha não é muito difícil No fim a máscara explode e Rick se livra dela em definitivo.



Fim de jogo, amigos. Como disse anteriormente a depender de quem sobrevive, quatro finais são possíveis. Tentem todos!



Algumas considerações finais. O jogo é excelente, não tenham dúvidas. Mas isso não o isenta de algumas falhas. Primeiro, apesar de ter cenários variados, eles são repetitivos e logo cansam. As lutas também. É bater, bater e bater. Não varia muito. O uso das armas ficou em segundo plano e isso tirou um pouco da magia. Os chefes de fase também são totalmente esquecíveis. Nenhum é marcante. Todos parecem ser monstros comuns. Destaque apenas para o chefe da fase de David e o último. Gostei desse jogo, mas me encantei mais com os dois primeiros. Até o momento não existe um novo jogo após o terceiro, o que é uma pena. Imagino como seria uma versão de
Splatterhouse nos consoles atuais. Quem sabe o que o futuro aguarda?
Para comentar o texto e entrar em contato com Claudio Gaspari:
por Marcio Gonçalves Strzalkowski
Splatterhouse marcou época pois foi o primeiro jogo com um nivel de gore altissimo. Foi proibido, censurado, cortado e investigado. Mas vendeu muito bem e chegou à terceira continuação.
Splatterhouse 3 foi um pulo de tecnologia e jogabilidade. Onde os antigos jogos se assemelhavam mais a jogos como
Vigilante; onde era só possivel andar em linha reta, pular, agachar e espancar: O terceiro jogo da série se transformou em um
beat'n up no melhor estilo
Final Fight. E se houve um estilo de jogo em que o
Mega Drive foi privilegiado, foi esse.


Nos moldes de
Streets of Rage e
Golden Axe,
Splatterhouse 3 foi um jogo onde era possivel espancar violentamente os inimigos de várias maneiras. Podia-se agarrar os inimigos pelo pescocinho e atravessar a mão por dentro de seus corpos pútridos.
Nosso herói, Rick, agora pode espancar inimigos com pedaços de pau, machados, jogar tijolos em cima deles e até espanca-los com pedaços de si mesmos. E isso tudo pode ser na mesma tela. Diferente dos jogos anteriores onde se precisava andar muito por uma arma diferente que só iria ser usada duas ou três vezes. Rick tambem ganhou golpes novos e novas possibilidades.
O jogo marcou época por ter tambem animações com fotos de atores reais em situações de terror. Foi bem chocante para a época. Além de legal.
A história:
Aqui a história começa com Rick sendo possuido pela máscara da morte de novo. Mas agora as forças do Mal resolveram atacar na casa dele. Na vizinhança, pra ser mais preciso. Tipo:
"tu destruiu o nosso lar no primeiro e no segundo jogo, agora vamos destruir o teu, magrão!".
Assim, eles raptaram a namorada de Rick, Jennifer e o seu filho, para que agora Rick tenha um tempo determinado para cumprir as fases ou eles morrem. Mudando a história e inserindo as ações do jogador nela.

Os cenários:
Os cenários foram cuidadosamente construidos para passarem a simples idéia de que as forças do mal destruiram, mutilaram e mataram todas as pessoas da vizinhaça em todos os cômodos das mansões que Rick passa. Foram muito bem feitos e alguns são impressionantes pelos detalhas escabrosos. Uma verdadeira homenagem ao gênero terror e horror. Tem sangue e viceras por todos os cantos. Parece que as forças do mal fizeram a festa a noite toda e deixaram a vizinhança pra ser limpa por uma pobre doméstica.
São cenarios que realmente deveriam aparecer num bom filme de terror.
Os inimigos novos:
Alguns inimigos novos são tão fenomenais que também mereciam aparecer em um bom filme. Lobos mal-formados e sem pele que se arrastam no chão em busca de carne humana; Fantasmas que parecem calmos, e até buchas, mas que atacam sem aviso com um gigantesco braço que sai de suas vísceras para destruir; Aquele chefe da primeira fase do
Splatterhouse 2, que agora diminuiu em tamanho, mas ainda aparece aos pares. Destaque para quando se arranca a cabeça dele, sua língua continua grudada em seu pescoço e seu vomito de bile putrida pode derreter a carne humana.
Vermes aparecem no chão e têm o costume de se jogar para cima de qualquer desavisado que atravessar o seu caminho.
Certos inimigos chegam a dar um bom banho de sangue em Rick quando morrem.
Destaque para os chefes, o primeiro é pego no flagra se alimentando de carne humana e restos quando percebe que Rick entrou no quarto, dai ele compara Rick com o que está comendo e decide que está na hora de um jantar decente.

Detalhe para a terceira fase, onde agora é o pequeno filho de Rick que está em perigo. Ao chegar ao quarto dele, será recepcionado por nada mais que o ursinho carinhoso dele. Depois de dar umas bordoadas nele, ele começa a mostrar a verdadeira face. Um monstro forte e desgraçado esta dentro do ursinho e ele é bem forte.
Golpes novos:
Agora Rick tem golpes novos como um bom
Roundhouse Kick, que pode ser dado apertando direita-esquerda + soco, ou esquerda-direita + soco.
Esse golpe é otimo para controle de multidão e é bem fortinho.
A voadora não é tão forte quanto nos outros jogos, mas é eficaz pra botar no chão.
Sem falar que as possibilidades de pancadaria mais que duplicaram com a adição de um
Power Up que permite que Rick se torne uma versão mais foda de si mesmo. Ele vira um monstro fortão, parrudo e que é muito bom pro pega-pra-matar!
Rick-Monstro pode arregaçar a galera com seus combos bem truculentos de brucutu e fazer mais alguns truques novos. Como agarrar um inimigo e socar suas vísceras pelo lado de dentro (Agarre uma pobre alma e aperte Baixo + Soco).
Altamente recomendado para chefes.
Som:
O som deixou de ser puro
Death Splatter em sampler de churrascaria, mas continua sendo bom. Os efeitos das vozes e sons são bem nojentos e pesados. As porradas são bem audíveis.
Nota final:
O maior problema do jogo é que se tornou muito facil encher uma legião inteira de monstros de porrada. Daí que as fases passam rápido para os padrões dos fãs da série. Sendo considerado até mesmo fraco para alguns...
Mas com certeza é um ótimo jogo...
E eles viveram felizes para sempre.
Para comentar o texto e entrar em contato com Marcio Gonçalves Strzalkowski":