SWEET HOME
(CapCom)


por Claudio Gaspari



Os jogos de terror nunca foram muito populares no NES (8 bits). Sem pensar muito lembro apenas de jogos baseados em filmes como Sexta Feira 13 e A Hora do Pesadelo. Infelizmente o jogo mais maravilhoso de terror para o Nintendinho (para os íntimos) passou batido por aqui. Motivo: O jogo só foi lançado no Japão e ninguém curtia muito jogar um RPG sem entender o que estava acontecendo. O nome do jogo também não ajuda muito. Quem ia querer comprar ou alugar um jogo que se chama “Doce lar?”.

Pois fique sabendo que este joguinho com nome inocente é provavelmente o tataravô do famoso Resident Evil, também da Capcom!
Além da mansão, desafios, armadilhas e passagens secretas, temos a presença da imagem em primeira pessoa de uma porta abrindo ao passar de um ambiente para o outro. Acredita-se que até o nome do jogo foi inspirado em uma frase do Sweet home: You must escape this house of “residing evil”!



Como fãs bondosos do game fizeram a caridade de traduzir o jogo para o inglês e disponibilizaram para download, pude conhecer essa maravilha e trazer para vocês.

Então vamos ao jogo. Para começar, ele também é baseado em um filme oriental de mesmo nome lançado em 89. Sua história:

Uma mansão antiga e deserta possui os quadros de um famoso pintor há muito tempo falecido, Mamiya Ichirou.

Pouco se sabe sobre os últimos dias do pintor, e um grupo de repórteres resolve invadir a mansão e fazer um documentário. O problema começa logo que entram na residência. A porta se fecha, um pequeno terremoto sacode todo o lugar bloqueando a entrada com um deslizamento de terra. Para melhorar, o espírito da esposa de Ichirou aparece e avisa que quem invade a casa dela paga um preço terrível...E garanto que não é em dólares!



A partir daí eles resolvem unir forças para fugir da mansão. Ao explorar os ambientes a coisa fica pior...O lugar está repleto de fantasmas, monstros, caveiras ambulantes e tudo que você imaginar existir numa casa mal assombrada.

As batalhas podem ser aleatórias ou não, dependendo do lugar onde você estiver. O sistema é o mesmo dos RPGs clássicos. Ao entrar numa luta a visão muda para primeira pessoa e você deve escolher a ação desejada. Você pode controlar os personagens individualmente ou em grupo. Isso é vantajoso por poder estar em vários locais ao mesmo tempo, mas se for pego sozinho, a batalha pode ser mais difícil.



Aos poucos a história da mansão vai sendo revelada através dos quadros e diários encontrados. Sabe-se que a senhora Mamiya, esposa do pintor, acidentalmente matou seu filho. O garoto caiu no incinerador da mansão (para que uma mansão precisa disso?) e a mulher acabou se queimando ao tentar salvá-lo.

Após o trágico fato, Mamiya enlouqueceu e passou a matar várias crianças da região com o objetivo de enviar “amiguinhos” para seu filho morto...Isso é que é mãe preocupada!

Essas crianças também eram jogadas no incinerador. Com o tempo ela resolveu acabar com a própria vida e suicidou-se. Sr. Ichirou pensou que os crimes iam terminar após a morte da esposa. Infelizmente profanaram o tumulo de sua criança e o espírito enfurecido da mulher possui a casa dando seqüência aos assassinatos. Acredita-se que o pintor morreu ao tentar enfrentar o espírito da mulher, pois a última frase do seu diário é:

"Seu espírito foi possuído pela fúria! As mortes inocentes devem parar... mesmo que isso signifique perder minha própria vida”.



Cada personagem no grupo possui características distintas que devem ser usadas em locais específicos.

A Akiko é enfermeira. É fraquinha numa luta, mas pode ajudar muito recuperando a energia dos amigos.

A Asuka é a personagem mais improvável. Digamos que é uma diarista contratada para dar uma geral na mansão se a coisa estivesse muito feia. Com seu fiel aspirador de pó, ela pode ser muito útil...Acredite! Infelizmente ela é constantemente possuída pelo espírito de Mamiya.

A Emi entrou no grupo por ter uma habilidade incrível para destravar fechaduras. Numa mansão fechada ela acaba sendo muito útil e foi uma escolha inteligente. Numa batalha ela é uma das mais fortes.

O Kazuo é o jornalista responsável pela reportagem e líder natural do grupo. O mais forte em batalha e possui um isqueiro que é fundamental em áreas escuras. Provavelmente é fumante...Quem mais levaria um isqueiro?

O Taro é o câmera man e fotógrafo contratado para registrar tudo na mansão, principalmente os quadros de Ichirou. Sua câmera pode revelar imagens secretas nos quadros e fornecer grandes dicas para o grupo. É um dos mais fortes em batalhas também.

Durante o jogo um personagem misterioso aparece ajudando em certos momentos. Seu nome é Yamamura e ele parece saber muito sobre a mansão e detalhes específicos de como derrotar o espírito de Mamiya. Não fica claro no jogo, mas a situação deixa meio a entender que ele é o próprio Ichirou. Sendo assim ele não teria morrido e sim aguardado a chance de derrotar definitivamente sua falecida esposa.
Infelizmente ninguém nunca saberá a verdade, pois ele se suicida para destruir uma barreira que impede o grupo de se aproximar do quarto de Mamiya.

Enquanto exploramos a mansão, acabamos por encontrar vários desafios e quebra cabeças impedindo nosso avanço. Muitas vezes precisamos da combinação de habilidades dos personagens para resolver e seguir adiante. Em outros momentos precisamos ser rápidos para evitar a morte certa. Por exemplo, do nada um candelabro pode despencar do teto...O que você faria? Iria para a direita, esquerda, agachava ou rezava (???) ?



O jogo pode ter até cinco finais diferentes dependendo de quantas pessoas do grupo sobrevivam. Ainda tem isso! Ao contrário dos RPGs normais um personagem não pode ser reanimado depois de morto. Você tem que seguir adiante com quem sobrar.

Independente de quantos sobrevivam, no final você consegue exorcizar o espírito de Mamiya e a mansão acaba sendo demolida.



Acredita-se que o jogo nunca foi lançado em terras ocidentais devido à quantidade de imagens fortes (???) além do tema adulto e depressivo. A Nintendo da América sempre foi meio fresca em relação a essas coisas. Abaixo segue a capa do filme Suito Homu.




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