A Kemco foi uma das poucas empresas que se aventurou pelo estilo “Adventure de texto” no velho e bom NES. Após Shadowgate e o Deja vu, ela nos trouxe o assustador Uninvited.
Bom...Assustador não é a palavra correta...Na verdade é difícil sentir medo num jogo como esse...No máximo você é cauteloso em relação as suas escolhas.
Eu explico. Um “Adventure de texto” difere dos Adventures comuns por nos mostrar uma visão em primeira pessoa. No restante é igual. Leve o ponteiro para algum lugar na tela, escolha a ação que preferir e clique! Você tem uma tela mostrando os arredores, uma descrição no topo da tela explicando sua situação e uma série de comandos possíveis como “olhar”, “pegar”, “abrir”, “bater”. Com esses comandos você pode interagir com o ambiente, personagens e resolver os mistérios. Pode ser um estilo de jogo monótono para quem gosta de ação.


A história inicial de
Uninvited lembra até o começo de
Silent Hill. Lá está você, dirigindo por uma estrada sombria, batendo um papo com sua irmã que está no banco do carona quando um vulto aparece de repente na estrada...Rapidamente você desvia o carro, perde o controle e bate uma árvore ficando inconsciente.
Ao acordar você percebe que está sozinho. Sai do carro e nota a única construção próxima...Uma velha mansão.
Bom...A lógica manda você procurá-la por lá. Eis que começa sua aventura de terror e mistério.


Pra variar a mansão é assombrada e você não vai ter ajuda...É bom procurar logo sua irmã e cair fora. Mas como deve ter percebido as coisas não são fáceis. A Mansão possui dois andares, uma torre, um observatório, uma estufa, uma capela e um cemitério. São vários ambientes para procurar e enfrentar todo tipo de criatura.


Aos poucos você encontra pistas do que está acontecendo na casa. Fuçando diários, lendo cartas e até conversando com algumas das aparições, as coisas vão ficando mais claras.
A casa já serviu de lugar para uma escola de magia. O problema é que um dos alunos mais promissores, Dracan, enlouqueceu com tanto poder e matou todos os habitantes.


Tem de tudo na mansão: Esqueletos, demônios. zumbis, fantasmas. Quanto mais você segue na história, mas perigosos ficam os inimigos.
Morrer não é tão difícil. É inteligente salvar o jogo antes de cada decisão. Em certas situações o tempo é fundamental. Se você ficar dentro do carro batido excessivamente, o mesmo vai pegar fogo e explodir.
Uma ação errada ao enfrentar uma criatura também é morte certa. Aliás, esse é um tipo de jogo onde é impossível não morrer ao decorrer dos acontecimentos nas primeiras jogadas. A grande maioria das ações corretas não são tão óbvias.
Uma das coisas legais do jogo é a descrição das mortes, sempre bem detalhadas e macabras.


Muitas vezes é necessário unir dois ou mais itens para criar um terceiro, fundamental para o desenrolar da trama. Em determinados momentos a quantidade de itens em seu inventário é tão grande que fica difícil imaginar as possibilidades.


Outra coisa que dificulta o jogador é o controle. Ele foi feito para se jogar com o mouse. Usar o joystick como substituto não é muito agradável. Ações que podiam ser realizadas em segundos podem levar minutos. O cursor é lento e requer muita paciência.
Como as ações precisam ser realizadas em determinados pontos do cenário, posicionar o ponteiro num específico é um sacrifício. Muitas vezes estamos fazendo a coisa certa e não conseguimos por estar a um milímetro da posição correta! Então desistimos achando que estávamos errados.


Os gráficos do jogo não são tão bons. Levando em consideração que este é o terceiro jogo da empresa, é estranho ver que as imagens dos anteriores são mais detalhadas. Isso não é uma coisa muito freqüente nos games.


O som também não ajuda. As músicas, no geral, são tão irritantes que da vontade de jogar com o volume no mínimo. Os efeitos sonoros são praticamente os mesmos dos jogos anteriores da empresa. Acredito que seja pra criar uma empatia do público que gostou dos outros.


Como curiosidade, o game faz referência aos outros jogos da empresa. Numa das tumbas do cemitério, por exemplo, encontramos o nome de
Ace Harding, o personagem principal de
Deja Vu. Em outra sala, ao usar um fonógrafo, podemos ouvir o tema de
Shadowgate.


Assim como os outros,
Uninvited não foi exclusivo do
Nes. Na verdade a primeira versão foi do Macintosh. Em seguida tivemos versões para Amiga, Pc e outras plataformas menos conhecidas.
Também não foi a
Kemko que desenvolveu o jogo. Ela foi apenas responsável para adaptar as versões dos jogos da
ICOM simulations para o
NES.


Então é isso...Se você gosta de jogos onde usar o cérebro é fundamental e não se incomoda em ficar preso numa tela por horas até descobrir o que fazer, seu jogo é
Uninvited. Entre logo na mansão e vá salvar sua irmã! Falando assim até parece que é um jogo ruim. Não é bem dessa forma. Eu mesmo adorei. Mas se você não gosta de quebra cabeças, passe longe. Deixe a maninha se virar sozinha!