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FIM DOS TEMPOS ![]() ![]() Em questão de minutos estranhas mortes ocorrem em várias das principais cidades dos Estados Unidos. Elas coincidem em dois pontos: desafiam a razão e chocam por sua grande capacidade de destruição. Sem saber o que está ocorrendo, o professor Elliot Moore (Mark Wahlberg) apenas quer encontrar um meio de escapar do misterioso fenômeno. Apesar dele e sua esposa Alma (Zooey Deschanel) estarem em plena crise conjugal, os dois decidem partir para as fazendas da Pensilvania juntamente com Jess (Ashlyn Sanchez), sua filha de 8 anos, e Julian (John Leguizamo), um professor amigo de Elliot. Lá eles acreditam que estarão a salvo, o que logo se mostra um equívoco.
CRÍTICAS Se dependesse da maior parte da crítica e de boa parte do público, FIM DOS TEMPOS, o novo filme de M. Night Shyamalan, iria se chamar FIM DE CARREIRA. No caso, o fim da carreira do diretor-roteirista popstar, uma vítima de um sistema injusto que ora endeusa, ora destrói seus próprios mitos. Lembra do jovem diretor de origem indiana que virou ídolo da noite para o dia após o sucesso do terror-suspense O SEXTO SENTIDO, em 1999? Pois é, quem diria que em menos de 10 anos o sujeito seria execrado pela mesma crítica e público que o transformou em estrela...Bem, eu confesso que gosto de praticamente todos os filmes do diretor (CORPO FECHADO é o meu preferido), e até mesmo do bastante criticado A VILA. Só não vi o odiado A DAMA NA ÁGUA porque não me interessei pela história. Mas também nunca endeusei Shyamalan, como alguns críticos apressados fizeram, simplesmente achei seus filmes divertidos, não exatamente clássicos, mas com certeza muito acima da média do que se faz em matéria de cinemão-blockbuster nos tempos atuais.
![]() E assim chegamos a FIM DOS TEMPOS, que originalmente chamava-se "The Green Efect" (O Efeito Verde), e depois teve o título original mudado para "The Happening" (O Acontecimento). Parece que um grande estúdio andou recusando liberar o orçamento para o projeto, e o egocêntrico diretor, ao invés de dar uma melhorada no roteiro, preferiu partir de mala e cuia para outro estúdio, filmando o projeto do jeito que queria. Sim, Shyamalan tem um ego enorme e é um cineasta autoral, o que é coisa rara hoje em dia. Mas neste caso específico deveria ter escutado aquele grande estúdio que não quis saber do projeto: FIM DOS TEMPOS é um filme imperfeito, com vários problemas no desenvolvimento e também muito longe de virar clássico. Uma boa idéia na teoria, mas não na execução. Porém, ainda assim, fica acima da média atual. Em entrevistas, Shyamalan declarou que FIM DOS TEMPOS era sua idéia de um "filme B" (o que não deixa de ser ironia, considerando que o orçamento é de 57 milhões de dólares); ao mesmo tempo, ele tenta passar uma mensagem de alerta ambiental. Exagera na dose: este é o filme com que todos os ecologistas e ambientalistas do planeta estavam sonhando nas últimas décadas, já que o vilão incorpóreo dedicado a exterminar a humanidade é a própria natureza. Acredite se quiser...
![]() Tudo começa no Central Park, em Nova York, num dia como qualquer outro. Duas moças estão sentadas lado a lado, e uma delas folheia um livro. De repente, sinais de que alguma coisa está errada: uma das moças diz estar ouvindo gritos, e em seguida todas as pessoas ao redor parecem estar congeladas, como se o mundo tivesse parado. Neste momento, a outra garota, a que tem o livro nas mãos, tira da cabeça uma varinha de madeira, que prendia seu cabelo em coque, e enfia o objeto pontiagudo na própria jugular. Corta para um campo de construção civil, onde os operários se apavoram ao perceber que um dos trabalhadores despencou do topo da obra. O homem se contorce no chão, com fraturas expostas e coberto de sangue, enquanto seus colegas, surpresos, percebem que outro corpo caiu do topo do prédio. Depois outro... E depois outro. Finalmente, um dos operários olha para cima e, chocado, percebe que dezenas de pessoas estão se atirando deliberadamente do alto do edifício, uma cena apavorante que só encontra paralelo no ótimo filme oriental SUICIDE CLUB. Finalmente, somos apresentados ao nosso "herói", Elliot Moore (Mark Wahlberg, péssimo), um professor de ciências da Philadelphia. No momento em que os cidadãos de Nova York se entregam a uma inexplicável onda de suicídios provocada por algum elemento desconhecido, Moore coincidentemente conversa com seus alunos sobre alguns inexplicáveis efeitos da natureza, como o desaparecimento das abelhas em vários locais do mundo (fato verídico, diga-se de passagem). É então que o diretor da escola (Alan Ruck, o amigo de Ferris Bueller em CURTINDO A VIDA ADOIDADO) libera todo mundo para ir para casa, pois todos acreditam que o que aconteceu em Nova York foi algum tipo de ataque terrorista.
![]() O clima de paranóia se institui, e Moore é convencido pelo seu colega e amigo, o matemático Julian (John Leguizamo, de TERRA DOS MORTOS), a fugir para o interior até que as coisas se acalmem. Acompanhados pela esposa de Elliot, Alma (Zooey Deschanel, péssima), e pela filha de Julian, Jess (Ashlyn Sanchez), os dois professores pegam um trem, e, no caminho, recebem notícias de que o tal ataque terrorista atingiu a Philadelphia pouco depois da fuga. Porém, algumas horas depois, o trem pára numa cidadezinha no meio do nada. Isso porque os maquinistas perderam contato com todas as grandes cidades próximas, e resolvem que o melhor é ficar ali até entenderem o que está acontecendo. Logo, através da TV, chegam mais e mais informes de "ataques terroristas" em grandes cidades dos Estados Unidos, até que pesquisadores concluem que os suicídios em massa são provocados por uma toxina que não foi criada em laboratório, mas sim pela natureza. A toxina atinge o sistema nervoso das vítimas, fazendo com que elas fiquem desorientadas e acabem se suicidando em poucos minutos. Sem compreender contra o que estão lutando ou de onde vem o perigo, Elliot, Alma e Jess fogem pelo campo (Julian retorna em busca da esposa, que não conseguiu pegar o mesmo trem que eles), encontrando outros sobreviventes do "fim dos tempos" e aprendendo que a toxina mortal pode estar sendo produzida pelas plantas e disseminada através do vento. É a vingança literal da natureza contra seu maior inimigo, o homem. Escrita assim, a história até tem seu charme. Mas, como eu escrevi no começo, Shyamalan parece não se decidir sobre o filme que quer fazer. Como já havia acontecido em SINAIS, ele passa uma idéia da extensão da tragédia apenas através de noticiários, telefonemas e trocas de informações desordenadas pelos personagens, concentrando o foco da sua câmera no pequeno núcleo central de "heróis". Seria interessante uma cena aérea do Central Park repleto com centenas de cadáveres espalhados, mas nunca vemos nenhuma cena em escala tão global. Não é um defeito, mas sim uma opção do diretor. O problema é que, após um início tenso e intrigante, ele coloca seus personagens para caminhar sem rumo, e a trama perde sua força inicial (mesmo problema do recente DIARY OF THE DEAD, de George Romero). Finalmente, o terceiro ato (o pior do filme) coloca o trio de sobreviventes na casa de uma velha maluca, a sra. Jones (Betty Buckley), onde eles passarão por sua maior provação.
![]() Confesso que até me senti ridículo em diversos momentos de FIM DOS TEMPOS. Afinal, como é que um cineasta sério, do calibre de Shyamalan, consegue filmar cenas supostamente tensas dos personagens fugindo... do vento? Como é que o sujeito que criou cenas assustadoras de suspense num porão escuro em SINAIS tenta assustar o espectador com closes de inofensivos galhos de plantas sacudindo? E finalmente: o que leva Shyamalan a criar tantos momentos cômicos deslocados numa história supostamente trágica e apocalíptica sobre o fim do mundo? (O ápice é aquela em que Moore conversa com uma planta temendo que ela possa atacá-lo.) Essas coisas todas me deixaram um tanto cabreiro durante a projeção. Mas aí no final, quando pensava sobre o filme, lembrei que em A BRUMA ASSASSINA, por exemplo, os personagens passam o filme todo correndo da neblina, o que teoricamente é tão idiota quanto correr do vento. E até um dos maiores clássicos do horror da história, o DAWN OF THE DEAD de George A. Romero, tem momentos cômicos que destoam do climão apocalíptico da trama, como a cena em que os heróis fazem uma briga de tortas de merengue com os mortos-vivos, lembra? O certo é que FIM DOS TEMPOS é um filme mais de imagens do que de história. Todos os problemas do roteiro (e são muitos) acabam esquecidos graças a algumas cenas fantásticas que ficam marcadas na memória, como o suicídio coletivo do alto do prédio ou uma rua com árvores repletas de enforcados, pendurados nos galhos como se fossem frutas ou enfeites de Natal. Espere ainda por cenas escabrosas, como um homem cometendo suicídio ao provocar leões num zoólogico e um sujeito criativo que se deita debaixo de um enorme cortador de grama ligado!
![]() Só não fica claro se as interpretações pavorosas fazem parte da brincadeira e da proposta de fazer um filme B, mas não deixa de ser esquisito quando o mais carismático em cena é um personagem secundário interpretado pelo chatíssimo John Leguizamo (aliás, o momento em que ele sai de cena é outro dos que salvam a película). O que parece, a julgar pelas péssimas interpretações do casal central Wahlberg e Zooey, é que o diretor nem se preocupou em dirigir os atores, apenas ligando a câmera e deixando que fizessem o que desse na telha. Só assim para explicar, por exemplo, as expressões constrangedoras (e ruins, mesmo) de Zooey na cena em que ela tenta decidir se atende ou não o celular, logo no começo do filme, ou as birras que ela faz o filme inteiro, mesmo quando deveria estar assustada. Também queria saber se foi Shyamalan ou seus filhos pequenos que escreveram os diálogos bisonhos do filme. Fato é que o filme poderia ser muito melhor do que é, e, como Rob Zombie, Shyamalan deveria dar um descanso para o próprio ego e começar a dirigir roteiros dos outros, já que continua um baita cineasta com olho para a coisa. Com um final mais comercial e desta vez, felizmente, sem reviravoltas (o que já virou clichê na obra do diretor), FIM DOS TEMPOS passa raspando e fica no tênue limite entre o ótimo e a bobagem (muitos espectadores certamente vão pender para este último lado). Mas diversas das críticas furiosas contra o filme são realmente injustas, pois se esta não é nenhuma maravilha da sétima arte, também está bem longe de ser a porcaria que dizem que é. Um roteiro melhorzinho faz falta, e este é o tipo de produção que alguém como John Carpenter tiraria de letra com mais categoria, porém mesmo assim há momentos interessantes e cenas memoráveis que valem a ida ao cinema. E se você já odeia os filmes anteriores do popstar indiano, provavelmente não vai gostar deste também. O negócio é fazer como eu: ir ao cinema com pouca ou nenhuma expectativa, e muito menos esperando ver o grande clássico de 2008. Apenas um último alerta: vá se preparando para ouvir os discursos daquele seu amigo ecologista chato no final da sessão. HISTÓRIA: GORE: EFEITOS: DIVERSÃO: Felipe M. Guerra NOTÍCIAS E IMAGENS (13/06/08) Aproveitando a estréia, confira o site oficial do diretor M.Night Shyamalan (que por enquanto só contém uma porta e a possibilidade de se increver e receber notícias) e corra aos cinemas antes que a natureza se vingue de você! Aproveite também para conferir as cenas abaixo: (07/06/08) O famoso diretor indiano M. Night Shyamalan contou ao Bloody Disgusting sobre a experiência de fazer um filme com censura alta, o primeiro de sua carreira. "Foi perturbantemente fácil e divertido!", conta o diretor, que admite fazer outros filmes nesse nível em sua carreira. "Minha atração é definitivamente pelo lado horripilante!", ele finaliza. No entanto, os fãs do diretor e do gênero terão que esperar um bocado por um novo filme de terror já que seu próximo trabalho é um longa infantil baseada na série animada AVATAR, que tem previsão de lançamento em 2010. (24/05/08) Três vídeos interessantes foram publicados no YouTube. Os dois primeiros mostram um pouco do "gore" presente no novo filme de M. Night Shyamalan; já o terceiro faz uma brincadeira com uma das cenas do filme, em que as pessoas desmaiam nas ruas, testando a reação verdadeira do público diante de um acontecimento estranho como esse, publicado num site australiano. Para finalizar, 32 novas imagens do filme, em alta resolução! Divirtam-se:
(17/05/08) Que assistir a uma cena do filme, iniciada pelos comentários do próprio diretor? Clique aqui para conferir. (02/05/08) No site da MSN, você confere o trailer final do novo filme do diretor indiano Shyamalan. Clique aqui para conferir. (25/04/08) Confira as três primeiras imagens do filme:
(22/02/08) O Site Oficial do filme Fim dos Tempos já está online. Por enquanto, ele só permite a visualização do trailer e um cadastro para receber atualizações. (08/02/08) O trailer do filme Fim dos Tempos já está disponível na internet. Confira abaixo o que parece ser um filme bem promissor: (01/02/08) A Fox anunciou esta semana o título e o cartaz nacional do novo filme do diretor M. Night Shyamalan. The Happening será lançado no Brasil como Fim dos Tempos no dia 13 de junho, data do lançamento mundial. (07/12/07) Divulgado o primeiro cartaz do filme, com citação aos longas de sucesso do diretor, O Sexto Sentido e Sinais. Curiosidades - Anteriormente chamado de The Green Effect - A Fox adquiriu os direitos de produção e distribuição. - O orçamento é estimado em US$ 57 milhões. - O filme terá censura "R" nos EUA, impedindo a entrada de menores de 17 anos. - As filmagens tiveram início em agosto, na Filadélfia. - O site Latino Review teve acesso ao roteiro original e revelou alguns detalhes da trama (traduzidos e resumidos pelo site Cinema em Cena): - O protagonista é Elliot Moore, um professor de ciência, aspirante a guitarrista, de 30 e poucos anos, que vive na Filadélfia (lugar habitual nos filmes de Shyamalan). Ele passa por uma situação pessoal complicada quando sua esposa, Alma Moore, decide deixá-lo. Ele tem problemas em aceitar as coisas como elas são e isso forma o seu arco dramático. - Os primeiros suicídios acontecem ainda no primeiro bloco do filme. Primeiro, em Nova York, uma mulher no Central Park começa a se esfaquear no pescoço logo depois de ser atingida pelo vento que carrega a toxina. Em uma construção próxima dali, o vento faz vários operários pularem para a morte. Daí em diante, sempre que há sinal de vento soprando é porque uma cena de morte se aproxima. - Quando as mortes viram notícia, a mídia especula que se trata de um ataque biológico promovido por terroristas nas principais cidades de todos os países, embora não haja ligação política entre eles. A única informação precisa é que a toxina surgiu dos parques dessas cidades, o que, mais tarde, leva a descoberta de que a própria vegetação está produzindo a substância. - Enquanto a toxina se aspalha pelos EUA, Elliot e Alma tentam escapar de trem junto com Julian, professor colega de Elliot, e sua filha de sete anos, Jess (como sempre, uma criança nos filmes de Shyamalan). A esposa de Julian, Evette, não consegue acompanhá-los, o que faz Julian abandonar o grupo para tentar encontrá-la. Depois que o roteiro foi revelado, o diretor fez alterações na trama, inclusive alterando o título. Quer comentar sobre esse filme? Sabe alguma notícia a respeito? |