O PAPAGAIO MALDITO

Em 1980 , eu tinha 6 anos de idade , morava em Curitiba e admirava muito a beleza e a meiguice dos animais .

Um certo dia , eu fui visitar a minha tia Tata e a minha madrinha Vera , que moravam na mesma residência .

Logo quando eu cheguei , a minha tia disse :

- Agora , temos um papagaio !

- Luciana , venha ver o papagaio !

- O nome dele é Rico !

Após ouvir isto , fiquei empolgada e fui ver o animal . Mas , quando cheguei perto da gaiola dele , ele fez uma cara feia , de quem não foi com a minha cara . Porém , mesmo assim , eu coloquei o meu dedo para acaricia – lo e este bicho tentou me bicar

. Então , eu perguntei para Tata :

- Ele fala alguma coisa ?

Assim , minha tia respondeu :

- Ainda não ...

- Mas , você pode ensinar ...

Desta maneira , resolvi ensinar aquele papagaio a falar , de várias maneiras : cantando músicas do rádio , contando histórias , falando piadas ...

Toda a vez , que eu visitava a minha tia , sempre tentava ensinar o Rico a falar . Porém , ele nunca dizia uma palavra .

Até que um certo dia , eu perdi a paciência com este bicho e exclamei :

- Você é um idiota !

- Não aprende a falar nada !

- Você é um papagaio inútil !

Então , o animal disse :

- Rico !

- Rico !

Assim , eu saí pulando , toda contente e exclamei :

- Milagre !

- O papagaio falou !

Deste jeito , resolvi ensinar outras palavras para ele , mas não saiu nada .

Um outro dia , visitei a minha tia novamente e notei que em sua sala , havia um cardeal vermelho , muito bonito , que cantava muito bem . Então , eu comentei com o meu pai :

- Como este pássaro canta bem !

Porém , ele falou :

- Se você soubesse a razão pela qual ele canta , você não diria isto .

- Este pássaro canta de tristeza ...

- Pois , ele quer a liberdade e uma companheira ...

Naquele mesmo momento , a minha tia apareceu e colocou a gaiola do cardeal , no quintal , para tomar ar fresco .

Então , discretamente , eu esperei todas as pessoas se reunirem na sala , para assistir a novela , cheguei perto do cardeal e falei :

- Não fique triste , pois agora irei liberta – lo ...

Mas , notei que estava sendo observada : era o Rico , que estava me olhando com cara de piedade , como se quisesse ser libertado também . Assim , cheguei perto deste papagaio e falei :

- Não me olhe com esta cara de piedade .

- Pois , você eu não soltarei nunca !

- Afinal , você é muito antipático e nojento !

Após falar estas palavras , eu soltei o cardeal , entrei dentro da residência , sem ninguém perceber , e fingi que estava brincando no quarto do meu primo , que era um bebê na época .

Quando a minha tia , foi até o quintal , exclamou :

- Roubaram o passarinho !

Depois , ela me perguntou :

- Você viu quem roubou o passarinho ?

Desta maneira , eu menti :

- Eu não sei , porque eu fiquei a maioria do tempo , brincando no quarto do Rodrigo .

Na hora de ir embora , eu entrei no carro e meu pai disse baixinho :

- Eu sei que foi você quem soltou o passarinho .

Após ouvir estas palavras , eu não disse nada , apenas fiquei quieta .

Os dias se passaram e os meus diálogos com aquele papagaio idiota sempre eram os mesmos .

Então , em 1986 , meu pai foi transferido para Brasília e eu fui junto .

Em 1987 , eu ainda morava em Brasília , quando numa noite eu tive um pesadelo estranho : o Rico me perseguia e me bicava , enquanto eu corria desesperadamente .Quando eu acordei , vi que tinha uma pena verde do lado do meu travesseiro . Achei tudo aquilo estranho , mas não encasquetei . Porém naquele mesmo dia ,de noite , o telefone tocou :

- Trim !

Assim , eu atendi :

- Alô !

- Quem fala ?

A voz , da outra linha , respondeu :

- Aqui é a Tata !

- Adivinhe quem faleceu ?

Desta maneira , eu indaguei :

- Quem ?

Deste jeito , ela respondeu :

- Rico , o papagaio .

Após escutar isto , eu senti um enorme arrepio .

Enviado por: Luciana do Rocio Mallon
Contato: poesiaedor@yahoo.com.br