A ASSOMBRAÇÃO DA CASA DA COLINA



Autora:   Shirley Jackson
Título Original:   The Haunting of Hill House
Ano:    1959
Sinopse:    A casa da colina está abandonada e bem distante da estrada. 4 pessoas irão conhecer seus segredos. A escuridão permanece no seu interior...


Há pouco mais de quarenta anos, foi publicado um romance de horror sugestivo que até hoje permanece imbatível.Trata-se de A Assombração da casa da colina, da autora americana Shirley Jackson.
Conta a expedição organizada por um doutor chamdo Montague (provável homenagem ao escritor de estórias de fantasmas M. R. James), para comprovar a existência de eventos sobrenaturais em uma casa amaldiçoada, construída por um milionário excêntrico chamado Hugh Crane.Após muita insistência por parte de Montague, a atual dona da casa permite a expedição, desde que o futuro herdeiro (seu sobrinho Luke) faça parte dela.

Após diversas pesquisas, ele escolhe quatro pessoas com prováveis envolvimentos em eventos paranormais e, dentre elas, apenas duas realmente comparecem a Hill House:
Theodora, mas conhecida como Theo, que supostamente possui alguma percepção extra-sensorial, (além de uma sutil tendência homossexual).E Eleanor Vance, uma solteirona que passou praticamente toda a sua juventude cuidando da mãe doente, a que agora vive com a irmã e o cunhado.Na infância de Eleanor, ocorreu um incidente onde choveram pedras durante vários dias sobre sua casa (episódio vergonhosamente copiado por Stephen King na minissérie Rose Red), o qual ela refuta calorosamente.

A casa é composta de portas que nunca permanecem abertas, salas que possuem ângulos totalmente estranhos, e uma criada que nunca permanece lá após o escurecer.Uma aura de mistérios e tragédias envolvem a casa.Pessoas se mataram, a esposa de Crane teve um acidente de cavalo no caminho para a sua primeira visita a casa, entre outras.

Existem 4 pessoas na expedição, mas o livro é focalizado em Eleanor Vance, uma solteirona completamente narcisista, de imaginação fértil e um poço de rancor e ódio reprimido.A casa começa a enviar sinais, que no início atingem a todos ( pessoas batendo na porta no meio da noite, cachorros perambulam pela casa, sem jamais serem alcançados), e depois tornam-se mais específicas e se direcionam a ela especificamente (mensagens escritas com giz e sangue, entre outras).Eleanor pensa suspeitar que a casa a quer muito próxima, e não vai deixá-la ir embora.O que a aterrorizava no início agora a atrai.Ou será tudo um produto da imaginação de Eleanor?

Os grandes romances envolvendo casas mal assombradas e espectros caracterizam-se pela dúvida.Este livro não é exceção, e nunca realmente sabemos se Eleanor era quem produzia as imagens devido a sua capacidade paranormal, ou se a casa, vendo ali um personalidade fácil de moldar, adaptou-se aos caprichos de Eleanor, que é com certeza uma das personagens melhor elaboradas num romance (indiferente do gênero) que li até o momento.

Existem cenas memoráveis neste livro (a minha favorita é a que Eleanor segura uma mão achando que se trata de sua companheira de quarto, mas não é), e o final é excelente.É capaz fazê-lo chorar enquanto sente um calafrio, mesmo que Shirley Jackson nunca eleve a voz, nunca insira hipérboles, usando o tom que considero adequado para uma estória de fantasmas.Garanto que ele vai te pegar logo no primeiro parágrafo.É no estilo de estórias de fantasmas, por isso não há violência física (entretanto a mente de ninguém ali permanecerá inalterada) , e o terror é completamente sugestivo.Mas muito eficaz.

O livro é muito raro por aqui (embora no país da autora, esteja sendo publicado desde os anos 50), tendo sido lançado pela editora Francisco Alves em 1983.Teve duas versões para o cinema, uma de 1963 (The haunting, em preto e branco), e uma realizada há pouco tempo atrás (1999), pela Dark Castle, onde a sugestão foi substituída por uma overdose de efeitos especiais, o que descarecterizou um pouco a premissa da estória.Mesmo assim, é um filme divertido.Mas a versão a de 1963 é melhor em minha opinião.

Não hesitem se por acaso encontrarem este livro em algum lugar.Trata-se de um tesouro.

Carlos Paraná