ESCURIDÃO

Autor: Alexandre Moreira
Título Original: Escuridão
Ano: 2003
Editora: Papel Virtual
Sinopse:
No noroeste da Amazônia Brasileira, existe um lugar remoto e agreste, onde a noite dura para sempre. Um lugar de árvores seculares, gigantescas, que formam um telhado de folhas tão denso que o Sol jamais chega ao chão. Lá, não há vilas, tribos e nem rios navegáveis. Lá, os rádios e os equipamentos eletrônicos de orientação não funcionam. Os índios consideram essa região agourenta e a chamam, em sua língua, de “Terra da Noite que Devora”. Mas nativos supersticiosos não são os únicos a evitá-la. Os próprios militares responsáveis por seu patrulhamento quase nunca põem os pés lá. Não se pode culpá-los por isso. Com tanto território para cuidar, por que dar prioridade a um hostil e sombrio setor de selva, afastado da fronteira e das rotas de traficantes, no qual é tão difícil se movimentar?
Essa desatenção, no entanto, não passou despercebida. Contando com a ausência de fiscalização, norte-americanos operam lá há anos. Sua missão é analisar e traficar plantas e animais que possam ter valor financeiro. Normalmente, é um negócio muito rentável, mas esse não será o caso de 2003.
Em janeiro, um acampamento americano é destruído e os técnicos que nele trabalhavam são brutalmente assassinados. A alguns quilômetros de distância, com diferença de uns poucos dias, uma patrulha do Exército Brasileiro perde contato com sua base. Um dia depois, ela é encontrada. Todos os homens foram feitos em pedaços.
Cada lado julga ser o outro o responsável pela agressão e, agora, uma guerra que nunca chegará à imprensa está prestes a começar. O que tanto o Brasil quanto os invasores ignoram, é que seus homens não foram mortos com tiros, mas com garras e dentes. Eles também não sabem que em nenhum dos cadáveres restou uma gota de sangue sequer. Mais que tudo, eles nem desconfiam do fato de que a Terra da Noite que Devora já era evitada pelos índios, como uma ilha de leprosos, muito antes que o Brasil sequer houvesse sido descoberto.
Breve, quando estiverem isolados e sem comunicação, quando começarem a ser mortos um a um, por um mal antigo e faminto, que zomba de suas armas e avançadas técnicas de combate, eles conhecerão todos os fatos. Certamente, eles desejarão ter permanecido na ignorância, mas será tarde demais.
Escuridão é uma obra de terror – dinâmica, assustadora e surpreendente. Embora tenha tamanho de romance, sua narrativa é veloz e cativante como a de um conto. Sem qualquer pretensão de tornar-se um livro político, ele aborda, com minucioso realismo, a ação de biopiratas dentro das fronteiras brasileiras e o dia-a-dia inglório daqueles encarregados de combatê-los. Ao mesmo tempo, levanta interessantes questões sobre os mistérios ainda velados da maior floresta equatorial do planeta.
A história toma, a toda hora, mudanças abruptas de direção que nunca permitem perceber qual será o próximo acontecimento. O leitor sente-se em uma alucinante montanha russa que ganha velocidade cada vez maior e vai fazendo sucessivas curvas fechadas, que não param um instante até o inesperado final.
Resenha de Caio Lords para o romance "Escuridão" de Alexandre Moreira.
Em um país onde a maioria das editoras são comandadas por um bando de intelectualóides elitistas, toda a ficção fantástica que atinge o grande público deve ser louvada e incentivada, ainda que a história seja ruim. Graças a Deus, esse não é o caso de "Escuridão" de Alexandre Moreira.
A história nos transporta para a selva amazônica, onde soldados americanos e biopiratas estão coletando espécimes brasileiros para a indústria farmacêutica americana. A confusão começa quando uma série de mortes violentas chama a atenção de um quartel das forças especiais brasileiras, localizado na fronteira. Apartir desse ponto, revelar qualquer coisa de trama, acabaria com algumas surpresas da leitura.
O romance de Alexandre é audacioso em todos os sentidos. Tem personagens carismáticos que fogem do padrão "herói". ( Eles são verdadeiros sádicos!). Principalmente por se tratar de um grupo das forças especiais brasileira.( Que aliás, ao contrário do imaginário popular, se trata de uma das melhores do mundo.)
As personalidades dos protagonistas e coadjuvantes estão bem caracterizadas em parágrafos que traduzem perfeitamente os sentimentos e pensamentos dos mesmos. A narrativa possuí metáforas bem encaixadas e segue num ritmo ágil, sem ser superficial e redundante. As influências de mestres modernos como Dean Koontz, estão evidentes no estilo do autor, mas pouco a pouco ele ganha identidade própria, conforme o leitor se aprofunda na trama.
O livro porém não é só virtudes. A falta de uma conclusão em relação a origem dos horrores da história, poderia ter sido trabalhada para fechar a trama com chave de ouro. Essa "onda Stephen King" de deixar tudo no ar, irrita profundamente.
As criaturas do livro são originais, mas levam um toque Lovercraftiano, que caiu como uma luva no cenário e contexto Amazônico.
Aqueles que gostam de uma literatura de horror com mais sofisticação e mistério, podem ficar um pouco decepcionados. Aqui, esses elementos são mais sutis, comparados aos parágrafos repletos de ação e adrenalina.
O humor também tem seu lugar com alguma sacadas incríveis. ( O comentário sobre o cigarro de Ubirajara e os palavrões reprimidos do soldado evangélico foram impagáveis! )
Enfim, "Escuridão" é uma obra muito bem vinda ao nosso esquálido horror nacional. A leitura lembra o filme "O predador" em muitos trechos, mas isso não chega a ser um incômodo, levando em conta que a história e o talento do autor conseguem trazer diversão de qualidade para nós fãs.
Caio Lords
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