O ESPÍRITO DO MAL



Autor:   William Peter Blatty
Título Original:   Legion
Ano:    1983
Editora:    Círculo do Livro (272 páginas)
Sinopse:    Quinze anos após ao exorcismo da garota possuída pelo demônio, Georgetown é assolada por uma série de macabros assassinatos. O Detetive Kinderman investiga e pouco a pouco descobre fatos que ligam os crimes a um perigoso assassino executado no mesmo dia do exorcismo.


Esta é uma resenha à parte, pois este é, sem dúvida nenhuma, um dos melhores livros de terror que já li, ao lado de "O Exorcista" do próprio Blatty, "A Profecia" e "O Diabo Nunca Dorme". E o filme baseado na obra, dirigido também por Blatty, foi malhado pela crítica "especializada", na minha opinião injustamente. Creio que tentaram compará-lo ao primeiro filme, ou seja, o grande clássico "O Exorcista", mas assim não vale, né? Seria como tentar comparar "Apocalypse Now" com "Platton" por exemplo. Este último é sensacional, um grande drama sobre a guerra do Vietnã, mas não há cabimento compará-lo com o grande clássico que é "Apocalypse Now", apesar dos dois filmes tratarem de assuntos correlatos. Apesar de "Platton" ser excelente, o outro é clássico, cinco estrelas, não existe comparação. E também é assim com os grandes clássicos do suspense e do terror. "O Exorcista" tornou-se também um clássico; atemporal; referência das referências em se tratando de películas de horror. Não há como compará-lo com outras obras, portanto. Bem, vamos ao livro: "O Espírito do Mal" é uma espécie de continuação de "O Exorcista" onde novamente temos o Padre Damien Karras e o Tenente Kinderman como personagens principais. Nas telas de cinema o papel de Damien foi feito novamente pelo ator original e o Tenente ficou a cargo de nada menos do que George C. Scott ( grande ator ), numa excelente atuação! Temos que ressaltar aqui que somente nos cinemas, foi realizado "O Exorcista II - O Herege", onde a menina possuída pelo demônio, já adulta, novamente tem problemas com o "coisa-ruim" ( novamente o papel foi de Linda Blair ). O autor William Peter Blatty ignora esta "continuação". E o livro, como frisei, é um dos meus preferidos; contém uma soberba introdução onde, já na primeira página, o Tenente Kinderman reflete sobre o bem e o mal, sobre a luz e as trevas, assuntos estes que serão freqüentemente tratados ao longo da obra. E o desfecho também é dos melhores, com a batalha das trevas contra a luz em doses psicológicas tremendas! E uma mensagem, bem no finzinho da última página, leva-nos todos a refletir sobre o bem, o mal, a caridade, a influência maligna e sobre o papel de todos nós seres humanos aqui na Terra. Um livro qualquer, não obstante um passatempo loquaz, se possuir uma mensagem positiva ( quem disse que um livro de horror não pode conter uma mensagem positiva? ), já terá marcado um grande e belo feito. Um livro pode e deve conter uma mensagem objetiva, pois é lido por milhares de pessoas e cabe a nós assimilarmos esta mensagem ou não, para as nossas vidas. Cabe também para verificarmos os objetivos do autor e se compactuamos ou repudiamos com este. E "O Espírito do Mal" cumpre bem esta meta. Imperdível!!

Análise: Sérgio Alberto Bauchiglione