OS OLHOS DO DRAGÃO

Autor: Stephen King Título Original: The Eyes of the Dragon
Ano: 1987
Editora:
Sinopse:
Conta a história de um príncipe que é acusado de matar seu pai e é preso. o irmao dele assume o trono e passa a ser manipulado pelo feiticeiro do reino , que foi quem matou o rei na verdade.
Os Olhos do Dragão não é um romance de horror. É uma aventura gótica, que explora o medo das personagens, e não o do leitor. Gótica porque, além de ser sobrenatural, é ambientada em um castelo medieval, durante a Idade Média, com cavaleiros, príncipes, reis e bruxo. Aliás, o castelo descrito por King é bem parecido com o castelo de Otranto: cheio de passagens secretas, torres, corredores sombrios, criados medrosos e fantasmas vingativos. Porém, na história de Walpole não há dragões e nem bruxos.
Nessa obra, King trabalha com o horror real e com o horror psicológico. No fragmento a seguir, extraído do romance, nota-se o horror real associado ao medo, atormentando a vida do herdeiro de Delain :
Um jato de chama azul esguichou do seu dedo indicador, e o som sussurante que Tomás ouvira e tomara a princípio pelo rumor do vento transformou-se num explosivo tatalar de asas coriáceas. Um instante depois Tomás estava gritando e estapeando o ar acima da cabeça enquanto se precipitava cegamente para a portinhola. A pequena peça circular no topo da torre leste do castelo oferecia a melhor vista de Delain com exceção da cela no topo do Obelisco, mas agora ele entendia por que ninguém nunca ia lá. A peça era infestada de enormes morcegos. Espantados pela luz que Flagg irradiara, eles esvoaçavam e mergulhavam. Mais tarde, quando já tinham saído e Flagg acalmara o menino, o mágico insistiu que aquilo fosse apenas uma brincadeira para fazê-lo animar-se. Tomás acreditou...mas por semanas a fio acordou aos gritos de pesadelos em que bandos de morcegos voejavam sobre sua cabeça, emaranhavam-se no seu cabelo e lhe lanhavam o rosto com suas garras afiadas e seus dentes de rato.
A intenção de Flagg, nesse trecho, era fazer o garoto Tomás temê-lo, pois, assim, seria facilmente dominado, quando o jovem assumisse o trono. Nota-se que o bruxo tem a mesma ambição pelo poder que Manfredo e Vathek. O vilão gótico sempre busca tal objetivo por meio da maldade, da crueldade, do assassinato, da violência. Engana-se aquele que pensa que não há fantasmas nesse romance. Após a morte de seu pai, Pedro passa a vê-lo em vários momentos da narrativa. É a presença do horror psicológico de Poe, na mente obscura de Stephen King:
Uma noite, cerca de uma semana depois de declarar-se a febre, enquanto o vento rugia atrozmente do lado de fora e a temperatura caía a zero, Rolando apareceu a Pedro em sonho. Pedro teve a certeza de que Rolando viera para levá-lo com ele aos Campos do Além. Sua voz ressoou forte, e abaixo dele os carcereiros - Beson, inclusive - estremeceram, pensando que Pedro devia estar vendo o fantasma assassinado e fumegante de Rolando, vindo para levar-lhe a alma para o inferno.
Pedro estava vendo mesmo um fantasma, de certo modo - embora eu não saiba dizer se era de fato a sombra do pai ou simplesmente um espectro nascido do seu cérebro atacado pela febre.
Apesar de conter algumas características que lembram as obras de Walpole e Poe, o romance de King não se assemelha na qualidade, pois é uma literatura com aspectos infantis, feita com o propósito de agradar sua medrosa filha de 13 anos, Naomi, que, por causa dos fantasmas e monstros, não havia lido, até então, obra alguma dele.
Análise: Marcelo Milici
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