MAY - OBSESSÃO ASSASSINA May nunca fez parte de nenhuma turma, sempre viveu só. Devido a um problema oftalmológico, na infância usou um tapa olho para esconder o seu trauma, o que não facilitou a sua vida pessoal. Na adolescência sua melhor amiga e conselheira é uma boneca que sua mãe lhe deu de presente... Até que conhece Adan. Impressionada pelos seus traços, especialmente suas mãos, pela primeira vez começa um relacionamento. Mas logo descobre que as pessoas não são perfeitas... Somente parte delas são. CRÍTICAS: MAY X WILLARD - MUITO EM COMUM Lembram-se de "A Vingança de Willard", onde um homem comanda ratos em sua vendeta insana? Respeitando as diferenças, vejo muitos pontos em comum entre essa obra e "May - Obssessão Assassina". May, para quem não se lembra, conta a história da garota estrábica que mata aqueles que a decepcionaram e monta um amigo ideal no final do filme. Se considerarmos alguns fatores, poderemos traçar um interessante paralelo: 1) Freud explica: A figura materna é a principal influenciadora na loucura de ambos protagonistas. Enquanto a mãe de Willard é uma velha demente e horrível que humilha e rebaixa o filho, exigindo cuidados constantes e criticando-o nos mínimos detalhes, a mãe de May esconde sua loucura atrás de pseudobons conselhos que, na verdade, desviam a menina da normalidade (como o uso de tapa-olho e o distanciamento dos amigos) Nos dois filmes, podemos colocar grande responsabilidade da construção da personalidade assassina na progenitora. 2) Libertação da face oculta: Willard mantém sua sanidade, lutando contra os conselhos doentios do rato negro e gordo chamado Ben. May recebe más influências de Suzie, a boneca enclausurada. Quando Ben assume o controle de Willard, a matança tem início. O mesmo acontece com May em relação a Suzie. Não deixa de ser um artifício os autores, cultivar o mal em um objeto/ser que, se destruído a tempo, impediria todo o massacre. Imagine Willard sem Ben ou May sem Suzie... 3) A bola de neve da loucura: Ambos os filmes narram a loucura crescente de psicopatas que vivem no limite da normalidade, mas que, lentamente, vão distorcendo suas visões até, finalmente, assumirem sua personalidade esquizofrênica. Os dois são solitários, vivem enclausurados em casas velhas, são tristes e apartados da normalidade. 4) A culpa é da sociedade: Os assassinatos não ocorreriam, em nenhum dos filmes, se as pessoas que conviveram com os protagonistas enxergassem o tratamento que estavam dando à frágil psique dos pobres assassinos. Todos querem ser ouvidos, todos querem uma chance de extravasar homeopaticamente suas amarguras para não precisarem explodir em uma fúria de sangue e assassinatos. A frieza do mundo moderno somada ao egoísmo propiciam o aparecimento de Willards e Mays. 5) A repulsa é a arma: Willard cultiva ratos e os usa como arma contra seus ofensores. May tem uma boneca bizarra presa em um vidro e costura trapos em sua casa. Ambos possuem esqueletos no armário, objetos e seres das profundezas que multiplicam-se nos porões e nas cabeças criando mórbidas panelas de pressão que, quando estouram, resultam em morte e destruição. 6) Dom secreto: Todo herói, como todo vilão, destaca-se do resto da humanidade em dois aspectos principais: visão de mundo e dom secreto. A visão de mundo de Willard era que todos queriam prejudicá-lo, que ninguém o respeitava, que todos mereciam morrer. Seu dom secreto era possuir e comandar ratos em seu objetivo. Enquanto May acreditava que havia beleza no mundo, mas não em todo o mundo, apenas em partes: mãos, pescoços, pernas. Ninguém entendia mais de mutilação e sutura que a garota estrábica. Muitos outros pontos em comum podem ser traçados, mas quero citar, agora, algumas diferenças: 1) Saber que está errado: Willard quer utilizar os ratos para sua vingança e, em seguida, tocar sua vida sem os obstáculos usuais. Já May acredita que faz a coisa certa, pois no mundo, há muita beleza desperdiçada. Essa diferença quase nos diz que Willard sabe que é errado matar, porém abre uma exceção em sua moral. Diametralmente oposta, May acha correto o que faz. 2) Magia contra o feiticeiro: May consegue atingir seu objetivo e sente-se satisfeita com isso. Talvez, para a moça, o ideal seria que todos fizessem o que ela fez. Sua escultura a acaricia, recompensando-a por sua demência. Paralelamente, Willard perde o controle de seus ratos e passa a ser perseguido por eles, como se o uso de armas funestas voltassem contra o próprio feiticeiro. 3) Intenção: Apesar de matar quem a incomodou, May não busca vingança e sim purificação. A garota quer construir o amigo perfeito. Já Willard quer destruir aqueles que o humilharam. May quer transformar-se, já Willard é mais preguiçoso. Ele prefere continuar como está e reduzir seus inimigos a alimento de rato. Diversas ligações podem ser feitas entre os filmes, apenas levantei as mais óbvias, mas o mais importante é que ambos não são para qualquer um. A narrativa lenta, a ironia por trás das mortes e a ausência de sangue separam as obras dos demais filmes de terror de gosto popular. Luciano Milici MAY - MAIS COERENTE QUE MUITOS DE NÓS "Não gostei! O filme é parado e estranho!" - disse minha esposa, assim que a última cena de "May - Obsessão Assassina" esvaiu-se da tela. Apesar das doçuras do matrimônio, discordo visceralmente de minha cônjuge. May é uma obra perturbadora e imparcial, onde acontecimentos dantescos discorrem sem muito sangue, pois o verdadeiro terror não está nos fatos, mas na mente da protagonista que considera o mórbido como algo natural. No início do filme, conhecemos a jovem May, uma garota portadora de estrabismo grave. "Os pequenos defeitos é que nos tornam especiais", dirá Polly, a amiga-amante, mais adiante no filme. Apesar disso, a mãe da pequena May prefere colocar um gigantesco tapa-olho na garota, o que a afasta de qualquer relação de amizade, afinal, um defeito de nascença é muito mais aceito socialmente que um adereço de pirata em uma menininha loira de dez anos. Este primeiro erro da mãe foi o alicerce que edificou a mente perturbada de May. Mais tarde, em sua solitária festa de aniversário, a garota recebe o pior conselho que uma mãe poderia dar: "Se você não pode achar um amigo...faça um.". Além de dizer essa máxima, a presenteia com Suzie, uma boneca de aspecto bizarro guardada em um esquife de vidro e madeira. Ora, uma garota estrábica, obrigada a usar um tapa-olho e solitária recebe de sua mãe uma boneca horrível que, além de tudo, não pode ser tocada? Isso mesmo! Coloque-se no lugar da garota e me responda quantos você mataria na idade adulta? Por falar em adulta, May cresce e vai trabalhar em uma clínica de animais, um misto de pet-shop e hospital veterinário. Funcionária exemplar, a garota nunca se enoja com nada. Como hobby, conversa com a boneca, que é sua única amiga (feita pela mãe) e que representa uma parte da psique da garota que ela ainda não libertou. A boneca também é uma irmã que compartilha dos segredos de feiúra e solidão. Além de falar com Suzie, May costura com maestria. Eis a terceira metáfora: uma roupa bonita pode ser feita com pedaços bonitos de roupas feias. Nesse momento, já dá para prever o que vai acontecer com a garota que costura animais no trabalho, roupas em casa e está presa em uma "caixa de vidro" social preste a estourar graças a pressões externas. E a caixa estoura. Quando as pessoas são boas para May, ela quer bondade todo o tempo e em todos os aspectos, mas o mundo real não é assim. Somos parcialmente belos, parcialmente interessantes, parcialmente educados. Que tal, então, juntarmos apenas aquilo que as pessoas têm de bom e belo? Além disso, o filme trata da superficialidade do ser humano. Adam (Adão, num paralelo entre o primeiro homem do mundo e o primeiro amor de May) é um estudante de cinema dedicado ao trash que interessa-se pela estranheza de May a princípio, mas é afastado completamente pela mesma estranheza, posteriormente. Como um homem que faz um filme a respeito de canibais, não aceita ser mordido? Como um gato que gosta de ser acariciado, em dado momento, quer fugir de sua dona? Como uma garota com a qual nos ligamos intimamente, pode, mais tarde, ligar-se a outra pessoa? E assim vai, de decepção em decepção, May é abandonada por Adam, Polly (sua amiga lésbica) e por seu gato. No auge do psiquismo, sua boneca, Suzie, é "libertada" por uma classe de crianças cegas numa das cenas mais interessantes dos últimos tempos. A cena que eu gostaria de ter concebido, aquela que contarei nas festas em conversas sobre filmes: Crianças cegas, cacos de vidro e sangue. A partir daí, seguem-se cenas até que previsíveis, porém, muito bem feitas, começando pela transformação física da protagonista até a concepção do Prometeu moderno. "Parla" diria Michelangelo. "Vede" diria May, que colocou uma única peça defeituosa em sua obra. A última. Quem quiser saber qual, deleite-se com a loucura dessa garota, que, apesar de maníaca, é mais coerente que muitos de nós. Luciano Milici COTAÇÃO: CURIOSIDADES: (30/01/04) Leandro Caraça da revista Cine Monstro nos informou que o filme May terá o nome nacional MAY - OBSESSÃO ASSASSINA e será distribuído pela FlashStar a partir do dia 10 de fevereiro. Vale a pena conferir essa produção que conquistou festivais e recebeu elogios no mundo inteiro. (25/04/03) Finalmente! Antes que ela conquiste seu coração, confira o trailer oficial do filme May lançado esta semana na internet! CLIQUE AQUI! (18/04/03) Novas imagens do filme May divulgadas na internet: ![]() ![]() ![]() ![]() (28/02/03)
(31/01/03) A Lions Gate divulgou mais uma imagem da produção, confira: ![]()
Indicado no festival de Sundance, essa produção indiana produzida pela Lions Gate deu destaque ao estreante diretor Lucky McKee, responsável também pelo roteiro de May, um filme que pode ser definido como uma mistura de Frankenstein e Carrie. No enredo, a jovem May resolve criar uma amizade perfeita a partir de partes humanas de seus inimigos e pessoas de aparência perfeita. Há uma cena em que ela chega a medir o pescoço de outra garota para ver se serve para seu experimento. Sem contar os momentos em que ela elogia uma tatuagem ou diz ao rapaz com quem está saindo que ela se sentiu atraída pelas mãos dele. Tudo indica que May deve ser uma produção bastante inteligente e divertida... ![]() ![]() Elenco:Angela Bettis, Anna Faris, Jeremy Sisto, James Duval, Nichole Hiltz Diretor:Lucky McKee Roteiro:Lucky McKee Duração:93 minutos Distribuidora:FlashStar Estréia nas locadoras brasileiras: 10 de fevereiro de 2004 Estréia nos EUA: 31 de janeiro |