ANO DE LANÇAMENTO
2005
DIRETOR

Geoffrey Sax

ELENCO
Michael Keaton
Deborah Unger
Ian McNeice
Chandra West
ROTEIRO

Niall Johnson

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DURAÇÃO

Não disponível

ESTRÉIA NO BRASIL:

18 de fevereiro de 2005

DISTRIBUIDORA:

Universal Pictures

VOZES DO ALÉM
(White Noise)


Michael Keaton interpreta um famoso arquiteto,Jonathan Rivers, cuja vida se transforma num pesadelo com o inexplicável desaparecimento e morte de sua esposa, Anna (Chandra West). Jonathan é contactado por um homem (Ian McNeice), que diz estar recebendo mensagens de Anna através do EVP (Electronic Voice Phenomenon), um sistema que grava o som ambiente e serve como comunicação com os mortos. O arquiteto acredita que as mensagens são verdadeiras e fica obcecado em se comunicar com Anna. Seus excessivos contatos com o sobrenatural acabam abrindo uma porta para o outro mundo, trazendo para sua vida alguém que não foi convidado..

CRÍTICAS

Antigamente, lá pelo começo da década de 90, a febre era comprar os velhos aparelhos conhecidos como "três em um". Era um trambolho que continha toca-discos, para os velhos LPs em vinil; rádio com dois decks, para reproduzir e gravar as velhas fitinhas K-7 de áudio, e, claro, a coqueluche da época, o leitor de CDs. Como o compact disc ainda era uma grande novidade, a galera comprava o gigantesco "três em um" para poder ouvir também suas dezenas de discos em vinil e fitas cassete. Ah, que tempos inocentes...

E o que diabos isso tem a ver com VOZES DO ALÉM, o tal filme de horror estrelado por Michael Keaton, sobre o fenômeno conhecido como EVP (Electronic Voice Phenomena, ou "Fenômeno de Voz Eletrônica")? Bem, meus amigos, acontece que VOZES DO ALÉM é o típico filme "três em um": na sua ânsia de surpreender o espectador, o péssimo roteirista Niall Johnson criou uma trama inicialmente assustadora sobre um homem que recebe mensagens da esposa morta através de aparelhos eletrônicos, mas que logo se transforma numa bobagem sobre a previsão de tragédias que acontecerão no futuro, e, finalmente, numa ridícula e totalmente inexplicável história de serial killers!!! Tem cabimento? Três conceitos que poderiam ser interessantes se desenvolvidos separadamente estão aqui, todos agregados em um único filme, ou uma única bomba!!!

Esta produção conjunta entre EUA, Canadá e Inglaterra começa com pretensões de seriedade, citando uma frase do inventor americano Thomas Alva Edison (que, em 1928, já tinha uma teoria sobre a gravação de mensagens espíritas), e logo depois explicando o que diabos é o fenômeno EVP. Para quem não sabe, as pessoas que acreditam no EVP dizem ser possível que os espíritos dos mortos, no plano onde estão, possam se comunicar com os vivos através de equipamentos sensíveis que "captem" estas mensagens. No caso, televisores e aparelhos de rádio mal-sintonizados, no tradicional "chuvisco" - que nos Estados Unidos é chamado "white noise", ou ruído branco, o título original do filme; como ninguém veria uma produção chamada CHUVISCO - O FILME, aqui no Brasil virou VOZES DO ALÉM mesmo...

Após estas breves explicações, o roteiro de Johnson nos apresenta o tradicional "casal feliz antes da tragédia", comum nos filmes de horror. Trata-se de Jonathan Rivers (Michael Keaton, o eterno Batman de Tim Burton, em atuação empenhada, porém que logo resvala no ridículo), um arquiteto divorciado que vive a vida que pediu a Deus ao lado de uma famosa escritora, a gatinha Anna (Chandra West, que apareceu novinha na quarta e quinta partes da série PUPPET MASTER, aquela dos bonecos assassinos!). Uma noite, porém, Anna não volta para casa. Jonathan descobre que o carro da amada foi encontrado à beira de um rio e que ela está desaparecida. Quem sabe seqüestrada... Ou morta!

Após longos dias sem notícias, o arquiteto tenta retomar sua vida normal. Porém, logo recebe a visita de um homem chamado Raymond Price (Ian McNeice, o gordão de ACE VENTURA 2), que diz a Jonathan trazer mensagens de Anna. Só tem um porém: Anna está morta, e enviando suas mensagens do além-túmulo através do fenômeno EVP. Jonathan vence o ceticismo e vai até a casa de Raymond, que se apresenta como um estudioso da EVP - uma espécie de "médium tecnológico", que vive cercado de aparelhos eletrônicos para captar mensagens dos mortos através de gravadores de áudio e da TV. Como faz isso há décadas, guarda toneladas de fitas com mensagens psicografadas do além. E Jonathan reconhece, numa destas fitas repletas de chiados, a voz da desaparecida Anna, cujo cadáver realmente é encontrado pela polícia alguns dias depois.

Fascinado com o fenômeno, e também com a possibilidade de comunicar-se com o fantasma da amada, Jonathan repentinamente se transforma num obcecado pela EVP. Ele deixa o filho pequeno (do primeiro casamento) de lado, pára de ir trabalhar e compra uma moderna aparelhagem para tentar receber, em casa, as mensagens da finada. Ao mesmo tempo, se relaciona com outra das "clientes" de Raymond, Sarah Tate (Deborah Kara Unger), que também acredita cegamente na psicografia eletrônica. E não é que o arquiteto realmente logo começa a "captar" o espírito de Anna através da TV fora de sintonia? O problema é que as aparições do além vêm acompanhadas de tragédias... Em alguns dias, Raymond aparece morto, com sua aparelhagem totalmente destruída, e Jonathan começa a captar mensagens de espíritos zangados. Por fim, descobre que Anna está lhe enviando, através da televisão, imagens mostrando tragédias que acontecerão no futuro, de forma que o marido possa intervir, evitando acidentes e mortes!!!

Bem... Será que só eu achei forçada esta estranha reviravolta nos acontecimentos? Quer dizer, de uma história séria, interessante e crível sobre um sujeito amargurado que começa a se comunicar com a esposa morta, VOZES DO ALÉM repentinamente se transforma numa ficção científica meiga ao dar a Jonathan a capacidade de intervir em desgraças futuras, salvando, por exemplo, um inocente bebê que morreria num acidente de carro - graças às pistas e imagens que Anna lhe mostra através da TV. Mas se essa primeira reviravolta pode lhe parecer estranha, espere só pela segunda reviravolta, porque esta sim afunda definitivamente o que poderia ser um bom filme de horror: Jonathan começa a captar mensagens de três fantasmas serial killers (cruz-credo!!!), que, aparentemente, comandam um assassino humano em nosso plano (!!!), fazendo-o matar inocentes (!!!), entre eles a própria Anna!!! E então nosso heróico arquiteto descobre, mais uma vez a partir das imagens mostradas pela namorada morta, como chegar ao esconderijo do assassino, onde está aprisionada uma futura vítima... Será que Jonathan conseguirá salvá-la, ou Anna tem outros planos para o namorado?

Contando com uma direção preguiçosa e exagerada do estreante Geoffrey Sax (que até então só dirigiu telefilmes e episódios de seriados, e deve continuar fazendo isso o resto da vida), VOZES DO ALÉM afunda como uma bigorna no oceano após os primeiros 40 - e promissores - minutos, perdendo-se num festival de sustos fáceis e efeitos grosseiros em CGI (os três fantasmas serial killers, quando se materializam, parecem ter saído do horrendo A MÚMIA, de Stephen Sommers!). E o roteiro ainda subestima a inteligência do espectador quando revela a identidade do assassino humano, um zé-mané que apareceu anteriormente em dois segundos do filme (quando muito), e o diretor ainda chega a incluir uma cena em flashback destes dois segundos, como que querendo justificar a suposta "verossimilhança" da história!!!

Agora, é o "fim da várzea" (para utilizar uma expressão gauchesca) quando o espectador resiste ao bombardeio de efeitos de computação gráfica e põe-se a analisar a bomba que está assistindo. A primeira questão que surge é: "Como é que a história sobre as mensagens da mulher morta pela TV se transformaram nessa baboseira???". Mas esta é a menor das questões: logo o cérebro do incauto espectador é acometido por um turbilhão de perguntas e dúvidas, tão numerosas que seria preciso fazer duas ou três seqüências para responder todas. Seguem algumas:

- Por que os três fantasmas malvados deixaram Raymond recebendo mensagens de EVP durante décadas antes de finalmente decidir matá-lo?

- Por que apenas Jonathan parece receber visões do futuro para poder evitar calamidades, e mais ninguém?

- O que a personagem de Deborah Kara Unger está fazendo no filme, se não tem qualquer utilidade na trama, servindo apenas de "escada" para Jonathan descobrir algumas coisas sobre EVP e logo depois sendo descartada da maneira mais folgada e gratuita?

- Como é que um cara esclarecido e racional como Jonathan sai acreditando de cara num desconhecido como Raymond e nem ao menos contesta aquelas gravações e imagens precárias mostradas pelo médium? Quer dizer, convenhamos: EVP são mensagens quase inaudíveis e vultos que aparecem no chuvisco da TV! Caramba, isso pode ser qualquer coisa, de estática a interferência na TV! Como é que Jonathan não duvida, nem por um instante, daquilo?

- Por que Jonathan deixa de lado o filho pequeno, que é uma pessoa viva e real, que precisa de seu amor, carinho e atenção, para ficar olhando obcecadamente para o chuvisco da tela da TV em busca de mensagens da namorada que já morreu?

- Por que os fantasmas serial killers precisaram recrutar um humano para fazer o trabalho sujo se eles mesmos podiam se materializar e dar cabo das vítimas? Aliás, qual a finalidade do trio parada ficar ameaçando Raymond e Jonathan durante a maior parte do filme com mensagens agressivas para de repente matá-los sem mais nem menos?

- Como é que o tal assassino humano, aparentemente um sujeito de classe social inferior, arranjou dinheiro para comprar um moderno equipamento de gravação de áudio e vídeo, que parece ter saído da sede da Nasa em Houston?

- Como engolir o fato de que, ao conhecer o fenômeno da EVP, Jonathan praticamente abandona sua vida, deixando de ir trabalhar para ficar fuçando em sua aparelhagem? Aliás, o cara se transforma de arquiteto em especialista de informática e eletrônica num piscar de olhos!

E por aí vai... A conclusão ainda consegue ser de uma imbecilidade incrível, deixando o espectador com cara de tacho e a seguinte dúvida: "Se Anna sabia que tal coisa iria acontecer, por que desta vez ela não mandou a mensagem para que seu marido pudesse alterar o futuro?".

O que sobra de VOZES DO ALÉM são alguns raríssimos momentos arrepiantes, como o susto que Jonathan leva (e o espectador também) no momento em que uma visão assustadora se materializa na TV fora de sintonia, bem na hora em que o pobre herói está praticamente agarrado ao aparelho. Ou a ligação que nosso herói recebe do celular de Anna - quando a dita cuja já está morta e enterrada, e seu celular guardado na gaveta da casa do viúvo! Algumas das "mensagens do além" também são tétricas. Mas é no mínimo frustrante quando você percebe que os documentários que acompanham o filme, nos extras do DVD de VOZES DO ALÉM, são infinitamente mais assustadores que o próprio filme, mostrando mensagens supostamente reais gravadas através do Fenômeno de Voz Eletrônica.

Agora, eu fiquei realmente emocionado ao imaginar o que o cinema oriental faria com o mesmo argumento, considerando a maravilha que é SHUTTER - filme coreano sobre outra lenda urbana moderna, a dos fantasmas registrados em fotografias. Quem sabe a gente não vê, finalmente, um remake ao contrário, ou um filme americano refeito no Oriente - e melhorado. Com seu argumento interessante, bem que VOZES DO ALÉM merecia uma versão melhor. Mas sem mensagens do futuro e sem o trio de "gasparzinhos do Mal"...

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Felipe M.Guerra

NOTÍCIAS E IMAGENS


(18/02/05) Marcado para 25 de março, a Universal Pictures antecipou a estréia para hoje, dia 18 de fevereiro. Assim, tem início um tsunami de filmes do gênero para ninguém botar defeito...
(28/01/05) O Presidente da Gold Circle Films, Paul Brooks, contou a Variety que uma seqüência para Vozes do Além já está nos planos. O primeiro filme rendeu aproximadamente $50 milhões, o que torna viável uma continuação.
Confesso que até gostei do primeiro filme, que estréia por aqui em março. Vamos ver o que eles pretendem fazer na seqüência...
(07/01/05) White Noise será distribuído pela Universal Pictures com o título nacional Vozes do Além, no dia 25 de março.
Confira novas imagens:


(15/10/04) Roteirizado por Niall Johnson e produzido por Paul Brooks (produtor executivo de Casamento Grego) e Shawn Williamson (House of the Dead), White Noise, filme de estréia do diretor Geoffrey Sax, refere-se a uma técnica verdadeira chamada EVP (Electronic Voice Phenomenon), que dizem ser capaz de ouvir os mortos através de um sistema de rádio.
O site Yahoo Movies está divulgando o tease trailer do filme através deste link. Confira algumas imagens do filme: