ANO DE LANÇAMENTO
2007 (EUA)
DIRETOR

Joel Schumacher

ELENCO
Jim Carrey
Virginia Madsen
Logan Lerman
Danny Huston
Coier Amerson
Alan Kemper Armani
Michelle Arthur
Meghan Ashley
Patricia Belcher
Lulu Brud
Paul Butcher
Lynn Collins
ROTEIRO

Fernley Phillips

PRODUÇÃO

Beau Flynn
Fernley Phillips
Tripp Vinson

FOTOGRAFIA

Matthew Libatique

EDIÇÃO

Mark Stevens

LANÇAMENTO NO BRASIL:

23 de março de 2007

DISTRIBUIDORA:

PlayArte

NÚMERO 23
(Number 23)


Um homem se torna obcecado por um livro que parece narrar toda a sua vida. Mas, o livro termina com um assassinato...

CRÍTICAS

Um homem tão obcecado por um número que esta paranóia o leva à beira da loucura? Hmmm... Onde foi que eu já vi isso antes? Claro! No fantástico PI, produção independente (e inteligente) dirigida por Darren Aronofsky, sobre um matemático paranóico que busca um padrão numérico nas coisas e se depara com um monstruoso número de 218 dígitos que pode ser a própria existência de Deus!!! Intrigante e bem realizado, PI certamente seria uma boa aula para Joel Schumacher e Fernley Phillips, respectivamente diretor e roteirista do novo NÚMERO 23, um dos piores filmes de mistério recentemente lançados em Hollywood - e mais um argumento irrefutável para aqueles que dizem que os grandes estúdios americanos não estão conseguindo fazer mais nada razoavelmente interessante além de remakes de clássicos ou de "reinvenções" de produções orientais. Basicamente, NÚMERO 23 é a história de um sujeito pacato obcecado, obviamente, pelo número 23, mas esta obsessão - e a forma como ela leva o personagem à loucura - nunca é tão satisfatoriamente explorada como no filme de Aronofsky, já que fica perdida como se fosse um detalhezinho à toa num roteiro bisonho e ruim.

Número de letras de "Boca do Inferno"
Boca = 4, do = 2, Inferno = 7
4 - 27 = 23



Carrey é um bom ator que parece eternamente aprisionado ao seu passado como comediante. Ele já provou que consegue fazer papéis sérios (em filmaços como BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇAS e O SHOW DE TRUMAN), mas normalmente só lhe dão "papéis sérios" de sujeitos legais ou engraçadinhos. Por isso, ele não convence em momento algum como Walter Sparrow, um apanhador de cães para o Animal Control Department (23 letras), casado com uma doce confeiteira (sem trocadilho!) chamada Agatha (Virginia Madsen) e pai de um filho adolscente, Robin (Logan Lerman). No início, narrando a história como se a estivesse contando em flashback, Sparrow discorre sobre o destino e sobre os vários "e se..." que regem sua vida, como o fato de ter sido mordido por um cão que deveria capturar no dia do próprio aniversário, o que fez com que se atrasasse para apanhar a esposa no trabalho. E, graças a este atraso, Agatha foi atraída até um velho sebo de livros usados, onde comprou para o marido aniversariante um bizarro livro de capa vermelha chamado THE NUMBER 23.

Eu nasci em 7 de setembro de 1979.
Ou 7/9/79.
7 + 9 = 16 / 7 + 9 = 16
16 + 16 = 32
32 ao contrário = 23

O livro não tem nenhum desenho na capa que possa justificar a atração tanto por parte de Agatha como por parte de Sparrow. Foi lançado pelo próprio autor (um tal "Topsy Kretts", e se você não perceber o trocadilho com "top secret", ou "confidencial, talvez seja melhor assistir a algum outro filme...), e inclui anotações feitas à mão nas pouco mais de 100 amarrotadas e amareladas páginas. Quando começa a ler, Sparrow percebe incríveis semelhanças entre o personagem da trama, um detetive de quinta categoria chamado Fingerling, e sua própria vida. À medida que ele vai lendo o livro, entram takes em cores frias estilo cinema noir (lembrando o excelente SIN CITY), onde o próprio Carrey interpreta Fingerling e Virginia a sua amante sadomasoquista, Fabrizia. Nestas cenas (que nos apresentam a trama do livro), Fingerling é mostrado como um detetive hardcore, coberto de tatuagens e amante de sexo selvagem. Ao investigar um caso, ele encontra uma loira suicida obcecada com a maldição do número 23. Segundo a moça, tal número apareceria em toda parte: em seu nome, em seus documentos, em datas históricas, etc etc. A loira não consegue suportar o fardo da "maldição" e se atira do topo de um prédio, passando ao detetive Fingerling sua paranóia pelo 23. Conseqüentemente, o próprio Sparrow passa a enxergar o tal número por toda a parte na sua própria vida, como se também fosse contaminado pela "maldição".

Eu tenho 27 anos e comecei a escrever para a Boca do Inferno há 4.
27 - 4 = 23



Não bastasse a compulsão de Sparrow pelo famigerado 23, o pobre homem avança na leitura do livro e descobre que Fingerling, o personagem literário que é quase uma cópia xerox de seu leitor, acaba matando brutalmente sua amante Fabrizia ao descobrir que está sendo traído. Como reflexo disso, na vida real, Sparrow começa a acreditar que Agatha está tendo um caso com um amigo em comum do casal, o professor Isaac French (Danny Huston), e teme pela própria sanidade quando é atormentado por pesadelos onde mata a esposa exatamente da mesma forma que o seu alter-ego Fingerling. A única solução para não se transformar num assassino é investigar mais a fundo o misterioso livro, tentar encontrar o autor Topsy Kretts (hahahaha) e descobrir sua possível relação com Sparrow. O que começa como um mistério sobrenatural logo se revela uma bobagem monumental, que tem relação com um assassinato acontecido no passado e acaba se encaminhando para a conclusão tradicional de 9 em cada 10 filmes de mistério recentes em Hollywood...

Número de letras de "Felipe M. Guerra":
Felipe = 6, M = 1, Guerra = 6
6 + 16 = 22 (ufa, passou perto!!!)

NÚMERO 23 é uma idéia razoavelmente inspirada jogada ralo abaixo por uma fantástica conjunção de erros. O primeiro deles é o roteiro assustadoramente estúpido de Fernley Phillips, que tenta juntar duas tramas distintas (livro que espelha a vida do leitor + a onipresença do 23) num único balaio, sem perceber que assim não dá o devido enfoque a nenhuma das duas narrativas. O mais interessante do roteiro é justamente o fato do número 23 perseguir o protagonista (tanto que é o nome do filme, caramba!). Mas, da forma como a situação é apresentada, o 23 simplesmente perde a razão de existir depois da metade da trama; e o roteiro falha ao não mostrar como Sparrow passa de um cara legal e pacato a um paranóico obcecado por matemática (numa comparação bem porca, é como se eu assistisse MATRIX e começasse a pensar seriamente que estou vivendo num mundo de realidade virtual dominado por máquinas, sem conseguir discernir entre realidade e ficção). Para piorar, as semelhanças entre Fingerling, o personagem literário, e Sparrow, o leitor, nem são tão grandes assim para deixar o sujeito tão paranóico!!!

Escrevi esta crítica em 26 de março.
26 - 3 = 23



A própria insistência do roteiro em colocar o número 23 de maneira quase sobrenatural em tudo que cerca o personagem principal soa ridícula, ainda mais quando a história se encaminha para um desfecho comum, sem forças demoníacas ou fantasmagóricas por trás de tudo. Mas certas desculpas para usar o número 23 acabam patéticas, de tão exageradas. Tipo: "Os Maias acreditavam que o fim do mundo seria em 2012... 20 + 1 + 2 = 23". Ora, é claro que se fragmentarmos os números de qualquer jeito sempre chegaremos ao resultado desejado (e minhas anotações no meio desta crítica já dão uma idéia de como é fácil encontrar o 23 por toda parte). Sabe que eu, na minha ingenuidade, até fiquei realmente esperando por uma explicação interessante para a onipresença do 23? Mas tal explicação nunca aparece! E quer fazer a brincadeira no "mundo real"? Pois veja você que na Boca do Inferno, por exemplo, o número onipresente é o 13, não o 23. Meu nome, Felipe M. Guerra, tem 13 letras. Minha cidade, Carlos Barbosa, tem 13 letras. "Boca do Inferno" tem 13 letras. O nome do webmaster Marcelo Milici tem 13 letras. E contem as letras no nome dos outros colaboradores do site: Gabriel Paixão (13), João Pires Neto (13), Bruno C. Martino (13), Gênesis Ramone (13) e Renato Rosatti (13) - só o Marcelo Carrard (cujo nome tem 14 letras) e o Filipe Falcão (12) escaparam da maldição, mas por muito pouco!!! Enfim: é só você realmente QUERER encontrar determinado número no universo, e lá estará ele!!! No seu aniversário, na placa do seu carro, na sua conta bancária, etc etc... Existiam mil maneiras (ou 23, se quiserem ficar no trocadilho) para um roteirista inteligente trabalhar esta idéia, mas não foi o caso aqui...

Assisti NÚMERO 23 no dia 23 de março.

E se o roteiro já é suficientemente caótico ao embaralhar a trama do livro com a paranóia pelo 23, ele desmorona de vez quando atinge o terceiro ato e a família Sparrow começa a investigar o mistério. E isso inclui visitas a manicômios escuros e abandonados, esqueletos desenterrados, visitas a penitenciárias e o escambau, tudo feito e resolvido com a maior facilidade! Ah, como seria mais fácil e simples encontrar uma solução sobrenatural para tudo... Mas não: numa reviravolta que lembra o horroroso OS ESQUECIDOS (e que me deixou com a mesma cara de otário, inclusive...), o roteiro de Fernley tenta criar uma "conspiração lógica" em cima de tudo aquilo, o que remete a, facilmente, um dos piores finais do recente cinema fantástico, principalmente considerando a quantidade de furos que tal final faz surgir (entre eles, sem ser muito detalhista para não estragar a "surpresa" de ninguém, mas "Por que o psiquiatra publicou o livro e por que sua reação violenta ao encontrar-se com Sparrow?"). Partindo de um roteiro que já é bastante ruim (e que inclui até repetidas aparições de um cão que pouco ou nada tem a ver com a trama!!!!), NÚMERO 23 é um grande erro, que começa na escolha do diretor (Joel Schumacher é indiscutivelmente um dos piores cineastas da sua geração), passa pela inexistência de suspense ou tensão e termina na pífia escolha do elenco (Carrey tentando fazer papel de mau? Por favor... E o que dizer da apagada participação da excelente Virginia Madsen?). Desde já, lanço um desafio: NÚMERO 23 dificilmente vai sair do topo da lista dos 23 piores do ano! Epa... Agora que eu percebi: "NÚMERO 23, o pior filme do ano" tem exatas 23 letras!!! Será um sinal?

Existem pelo menos 23 coisas mais interessantes para você fazer ao invés de ver essa porcaria!!!






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Felipe M.Guerra

NOTÍCIAS E IMAGENS


(05/01/07) Confira o trailer de Número 23, thriller sobrenatural dom Jim Carrey, que estréia dia 23 de março no Brasil, clicando aqui.