O QUARTO DO PÂNICO


Panic Room


Depois que um trio de bandidos invade sua residência, uma mulher se esconde com a filha em um quarto secreto construído especialmente para situações de emergência. Enquanto vigia os intrusos através de um sistema de circuito fechado, ela deve enfrentar graves problemas que surgem dentro e fora de seu pequeno refúgio.
CRÍTICAS:

Lembra, na infância, quando você brincava de esconde-esconde com os amiguinhos e resolvia se esconder no armário??? Ali, quietinho, no escuro, você suava frio, arrepiado, atento ao menos barulhinho ou movimento do amigo que iria abrir a porta para encontrá-lo. É mais ou menos esta sensação de desconforto que passa O QUARTO DO PÂNICO, quarto filme de David Fincher e um entretenimento de primeira para quem não gostou de seus filmes anteriores, especialmente "Clube da Luta".
O QUARTO DO PÂNICO é um filme mais simples, que não procura passar "mensagens", apenas divertir. Multiplique a tal brincadeira de esconde-esconde por mil e você terá a idéia do filme: uma mãe divorciada (Jodie Foster) e sua filha são obrigadas a recorrer ao quarto do pânico - um aposento de segurança impenetrável - quando três violentos bandidos invadem sua casa. O problema: o que eles querem está justamente dentro da fortaleza onde a dupla se escondeu. A partir daí até o final, é uma grande brincadeira de gato e rato: as garotas querendo sair, os bandidos querendo entrar. Some muito suspense a esta situação e prepare-se para ficar roendo as unhas o tempo inteiro.
Fincher trabalha o suspense muito bem, embora no final se entregue a alguns exageros típicos do cinemão americano. Ainda dá um show na câmera, conseguindo algumas tomadas surpreendentes, como aquela em que a câmera parece passas por dentro de um buraco de fechadura. O grande mérito do diretor foi abandonar as mensagens revolucionárias e a ultraviolência de "Clube da Luta". Seria muito fácil fazer e entregar um filme igualzinho, só para satisfazer aos fãs do seu terceiro trabalho. Mas ele preferiu trabalhar com um roteiro mais convencional, e se saiu muito bem.
A primeira parte do filme ainda ganha pontos por não apelas para soluções forçadas e inverossímeis, embora a personagem de Jodie Foster se transforme de mulher assustada em "Charles Bronson de saias" no final. Ainda há duas situações desnecessárias, como transformar um dos bandidos, Raoul, em uma espécie de Jason, que nunca morre - o cara levar uma marretada na cabeça, despencar de uma escada, quebrar a perna e ainda se arrastar para cima e agarrar a mocinha é coisa de filme de terror, ou não? A outra dura de engolir é quando a mocinha faz de tudo para se livrar de uma dupla de policiais que bate à porta da casa, temendo pela vida da filha, rendida pelos bandidos. Ora, era só explicar a situação aos homens da lei e pedir que eles ficassem prontos a agir nas proximidades da casa!
O trio de bandidos é formado por estereótipos: Fores Withaker revela ser um criminoso de bom coração (claro!), Jared Leto é o típico mauricinho viciado, e cabe ao desconhecido Dwight Yoakam o papel do sádico de plantão, Raoul, que passa a maior parte do filme com o rosto encoberto por uma máscara de esqui. Por sinal, é uma pena que em determinado momento Raoul tire a máscara, mostrando ser uma pessoa normal. Até então, ele era uma verdadeira encarnação do Mal, mais ou menos como John Carpenter fez com Michael Myers em "Halloween". Mas quando aquela figura tão malvada, assustadora e cruel tira a máscara, e percebemos que ali está um ser humano como eu e você, o personagem perde boa parte de seu impacto.
Apesar destas forçadas de barra, O QUARTO DO PÂNICO é um filme realmente bem bolado e imprevisível, com cenas de tirar o fôlego e de fazer torcer pela mocinha - coisa rara hoje em dia, onde dá para prever tudo que acontece nos filmes com quinze minutos de antecedência.
No final, percebe-se que tudo não passa de uma grande bobagem, uma espécie de versão adulta de "Esqueceram de Mim". Mas aí já é tarde: todo mundo já se divertiu, levou susto e suou frio, então valeu a pena assistir.

Felipe M. Guerra

COTAÇÃO:    

Responsável pelo melhor filme de suspense já feito até hoje (Seven), David Fincher está novamente por trás das câmeras de uma produção de mesmo gênero, mas com uma história bem mais simples. O Quarto do Pânico tinha tudo para ser mais um filme de locadora daqueles que você assiste e diz que gostou mas não se lembra dos protagonistas, pois estava com o(a) namorado (a) em clima de romance. Entretanto, nas mãos de uma pessoa competente como Fincher, capaz de criar movimentos impressionantes com a câmera, qualquer enredo se torna uma produção de respeito.
No enredo, Meg (Foster), uma recém-divorciada mãe de uma jovem problemática, Sarah (Stewart), decide se mudar com a filha para um novo apartamento. Mesmo sendo apenas duas, elas se mudam para uma casa enorme, composta de três andares, elevador e um misterioso recinto chamado O Quarto do Pânico. Tal quarto é uma fortaleza impenetrável, que contém um forte sistema de segurança com câmeras por toda a casa e suprimentos para evitar qualquer problema de invasão. Apesar de não estarem no Brasil, logo na primeira noite, a casa é invadida por três criminosos que estão a procura de uma fortuna escondida exatamente no Quarto do Pânico. Quando Meg percebe a invasão, arrasta a filha para o lugar, acreditando ser completamente seguro.
Assim tem início um jogo de gato e rato, com direito a inversão de papéis e cenas de arrepiar até os mais fortes. O mais interessante fica por conta dos personagens dessa trama. Meg, com uma certa dose de claustrofobia, ainda sofre por estar sem seu marido e por ter que cuidar de sua filha Sarah, que sofre problemas de diabete. Já os três meliantes são compostos pelo mais esperto, o mais idiota e o mais assustador. Numa espécie de Chapeuzinho Vermelho invertido, os três tentam a todo modo entrar no recinto, usando os métodos mais diversos e atrapalhados. Obviamente o mais esperto é o que tem as melhores idéias, mas mesmo assim tem que enfrentar uma mãe também esperta. Já o protagonista do filme é o próprio quarto, que rouba todas as cenas numa atuação fria e quadrada, mas bastante significativa.
A cena do gás é de tirar o fôlego. Fincher faz a cãmera passar por dentro de uma tubulação de ar, mostrando todo o caminho percorrido pelo gás investido pelos bandidos. E Meg se sai muito bem, apesar de não ter ficado nem suada com a conclusão tomada. Outro momento tenso é ocasionado quando ela sai do quarto para pegar um celular. O único som que você irá ouvir é do seu próprio coração martelando num ritmo frenético.
Em contrapartida, o filme peca no realismo, pois mesmo tomando marretada na cabeça ou um murro no rosto, há quem sobreviva sem um arranhão. Além disso, a noite parece interminável: você tem a impressão que Meg e Sarah estão lá há cerca de uma semana e não horas. E por que Meg achou que os vizinhos fossem escutá-la, sem eles nem se incomodaram com as marretadas na parede e nem com a explosão? E há também os velhos clichês do bandido mau que se torna bom, do corajoso que se torna covarde, entre outros que não devem ser ditos para evitar a "surpresa".
De todo modo, O Quarto do Pãnico agrada e muito os fãs de um bom suspense, repleto de reviravoltas, tensão e humor. Fincher provou novamente ter o dom de transformar enredos limitados em grandes produções. Enfim, o que você está esperando para entrar no Quarto do Pânico?

Marcelo Milici

COTAÇÃO:
Os excelentes atores Jodie Foster e Forest Whitaker contracenam como oponentes na intrigante trama de suspense dirigida por David Fincher (de “Seven” e “Clube da Luta”), “O Quarto do Pânico” (Panic Room), que entrou em cartaz nos cinemas brasileiros em 07/06/02. Já começando com uma diferenciada apresentação dos créditos iniciais, com os nomes dos atores e equipe técnica misturando-se aos enormes e imponentes prédios de New York, num efeito muito interessante, o filme traz Foster como Meg Altman, uma mulher recém divorciada de um marido rico (Stephen, interpretado por Patrick Bauchau), que se muda com sua filha adolescente Sarah (Kristen Stewart) para um casarão de um bairro nobre de New York.
Ao serem apresentadas à casa e seus aposentos, elas conhecem um quarto especial secreto, com paredes reforçadas, linha de telefone própria, sistema eletrônico de monitoramento de segurança com um circuito interno de câmeras, ou seja, uma sala construída para situações de emergência. Na primeira noite na nova casa, mãe e filha já são obrigadas a utilizar o “quarto do pânico” devido à invasão de três homens que pretendiam roubar a mansão.
O grupo de assaltantes é formado por Burnham (Forest Whitaker), um funcionário da empresa construtora dos tais quartos especiais, Raoul (Dwight Yoakam), um perigoso e traiçoeiro marginal armado, e pelo líder Junior (Jared Leto), um jovem parente do milionário ex-proprietário da mansão, que havia morrido mas antes escondido uma fortuna em títulos bancários num cofre localizado exatamente no quarto secreto em que se refugiaram Meg e sua filha Sarah, constituindo-se no objetivo dos homens invasores. A partir daí, começa uma batalha entre elas e os ladrões, com estes tentando entrar no quarto “impenetrável” e as mulheres tentando se defender e procurar ajuda (para o azar delas a linha telefônica especial estava ainda desligada), com muitas surpresas e reviravoltas culminando em várias situações de suspense, incluindo o fato de Sarah ser diabética e precisar de medicamentos que não existem no quarto secreto e até uma crise entre os próprios ladrões com Burnham demonstrando boa índole e com a finalidade de apenas conseguir o dinheiro escondido, com Raoul sendo um criminoso violento e sem escrúpulos, e com Junior sendo um jovem rebelde e impaciente.
“O Quarto do Pânico” é um thriller com roteiro de David Koepp (de “Homem-Aranha”) com muitos momentos de entretenimento, numa história ágil e repleta de situações de tensão, apesar de inevitáveis clichês como principalmente o final previsível e feliz (é difícil imaginar como o ladrão Raoul ainda conseguiu sobreviver e encontrar forças para atacar após um violento golpe de marreta desferido por Meg, seguido de uma queda significativa). Como curiosidade, a atriz Nicole Kidman iria interpretar inicialmente a personagem Meg, mas teve que abandonar o projeto por motivos de saúde e o papel acabou ficando para Jodie Foster.
Uma cena também curiosa é quando Meg Altman demonstra sofrer algum tipo de claustrofobia ao ser apresentada ao “quarto do pânico” num momento em que estava em seu interior confinada (e que no decorrer do filme esse fato é desprezado, numa falha do roteiro), e ela cita o nome de Poe (o escritor Edgar Allan Poe), que foi um dos maiores autores de horror de todos os tempos, muito cultuado até hoje e que utilizava em boa parte de seus contos macabros o tema da claustrofobia e as sensações mórbidas de ser enterrado vivo, e para sua decepção, a corretora de imóveis que a acompanhava no quarto desconhecia Poe e até o confundiu com um astro do rock.
Outros momentos interessantes no filme são as cenas com movimentos ágeis de câmera, criados por efeitos especiais de computadores, onde percorremos em planos incríveis os aposentos da casa, por dentro de suas paredes e até no buraco da fechadura da porta de entrada. Uma outra cena a se destacar por seu tom humorístico é quando a adolescente Sarah diz a sua mãe Meg para ser enérgica ao falar com os ladrões através do interfone do quarto secreto, utilizando “palavrões” na comunicação, sendo um momento engraçado em meio à tensão inevitável que estava no ambiente.
Enfim, “O Quarto do Pânico” tem o diferenciado David Fincher na direção e Jodie Foster e Forest Whitaker no elenco competente, sendo uma interessante história de suspense e tensão, ingredientes suficientes para garantir nosso maior objetivo com o cinema que é a diversão.

Renato Rosatti

COTAÇÃO:
CURIOSIDADES:

A história gira em torno de uma mulher de 30 anos, divorciada, e sua filha que entram num jogo de caça-e-rato com três assaltantes (Whitaker, Yoakam, Leto) que invadem sua moradia. O que esses bandidos não sabem é que a casa contém um quarto secreto, equipado com câmeras e eles estão sendo vigiados o tempo todo. Mas, até quando ela conseguirá sobreviver nesse lugar fechado? E se os bandidos desconfiarem da existência desse recinto?
As filmagens começaram no dia 8 de janeiro e terminaram em maio de 2001. Primeiramente, o papel foi oferecido à Nicole Kidman, que chegou até a assinar o contrato, mas devido a umas complicações na gravidez (gerou o aborto espontâneo), tiveram que optar por outra atriz. Não se pode dizer que a escolha não foi bem feita. Ambas são excelentes atrizes e já provaram o gosto gélido do suspense.
O Quarto do Pânico promete ser um filme muito interessante. O diretor David Fincher prometeu tomadas jamais vistas no cinema. Para isso, instalou câmeras que deslizam pelas paredes, pelos dutos de ventilação e até pelos buracos de fechadura.

Esse filme foi exibido para um público especial nos EUA e foi bem recebido. A platéia só não gostou de ver as torres do World Trade Center em determinado momento da produção. Obviamente que os prédios serão removidos por computador. Confira abaixo algumas fotos:











(05/04/02) Pelo visto, a atriz Nicole Kidman não deixará de fazer uma pequena participação no filme O Quarto do Pânico. A participação é quase que imperceptível, pois ela simplesmente empresta sua voz, quando Jodie Foster conversa com a ex-namorada de seu marido ao telefone. È uma curiosidade interessante, vocês não acham?
(07/06/02) Estréia!!! Confira a Galeria Quarto do Pânico, com 20 fotos, e também leia a interessante Análise do Dentista. E depois vá ao cinema, pois esse filme é muito bom!
Elenco:Jodie Foster (Meg Altman), Forest Whitaker (Burnham), Dwight Yoakam (Raoul), Kristen Stewart (Sarah Altman), Jared Leto (Junior) , Ian Buchanan (Evans), Ann Magnuson (Lydia Lynch), Andrew Kevin Walker
Estúdio: Columbia Pictures
Diretor: David Fincher (Clube da Luta)
Roteirista: David Koepp (Ecos do Além)
Produção: Cean Chaffin, Judy Hofflund, David Koepp, Gavin Polone
Estréia no Brasil: 07 de junho de 2002

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