PARANÓIA
(Disturbia, EUA, 2007)

Direção: D. J. Caruso.
Roteiro: Christopher B. Landon e Carl Ellsworth.
Produção: Jackie Marcus, Joe Medjuck, Tom Pollock.
Edição: Jim Page.
Música: Geoff Zanelli.
Elenco: Shia LaBeouf (Kale), Sarah Roemer (Ashley), Carrie-Anne Moss (Julie), David Morse (Sr. Turner), Aaron Yoo (Ronnie) e Jose Pablo Cantillo (Oficial Gutierrez).
Distribuição: Em DVD pela Paris Filmes.


SINOPSE
Amargurado pela morte do pai num acidente de automóvel, Kale vê-se numa enrascada após um surto de fúria na escola, onde agride um professor. O jovem é condenado a três meses de detenção domiciliar, não podendo ultrapassar um raio de 30 m ao redor de sua casa (que para sua infelicidade possui um enorme quintal). Em seu tornozelo é instalado um equipamento inviolável e à prova de água, que emite um sinal GPS constante, informando a sua localização. Caso saia do perímetro permitido, a polícia é imediatamente acionada. Sem ter o que fazer e entediado pela rotina, Kale passa o tempo observando a movimentação de sua vizinhança. Entre os vizinhos, uma bela garota e um suposto assassino em série transformarão a monótona prisão domiciliar numa perigosa aventura.


“Proteja o que é seu!”


Bebendo em fontes seguras como a obra-prima de Alfred HitchcockJanela Indiscreta” (Rear Window, 1954, EUA) e “A Hora do Espanto” (Fright Night, 1958, EUA), “Paranóia” (Disturbia, 2007, EUA) é um despretensioso, mas competente, suspense dirigido pelo cineasta D. J. Caruso.



Apesar da semelhança maior com a tagline de “Janela Indiscreta”, “Paranóia” se aproxima mais de “A Hora do Espanto” quando se trata do enfoque adolescente da trama, característico a diversas películas de horror dos idos anos 80.



O elenco principal, formado por adolescentes, é encabeçado por Shia LaBeouf, um dos jovens atores mais requisitado de 2007 em Hollywood. Shia, o novo “queridinho da América”, pôde ser visto recentemente nos cinemas como Sam Witwicky, o protagonista do blockbuster de Michael Bay, “Transformers”. Ele interpretará ainda o filho de Indiana Jones, no próximo episódio da franquia de Spielberg. Em “Paranóia”, Shia é o adolescente problemático Kale. O elenco de “Paranóia” conta também com Sarah Roemer (de “O Grito 2”), interpretando a “vizinha dos sonhos” Ashley, e Aaron Yoo, como o amigo/confidente de Kale. Dois nomes mais experientes somam-se ao cast: a canadense Carrie-Anne Moss (a Trinity da trilogia “Matrix”), como a mãe de Kale e o ótimo David Morse (dos dramas “Loucos do Alabama” e “Dançando no Escuro”), como o suspeito serial-killer.



Estreando nos cinemas americanos no dia 13 de Abril de 2007, “Paranóia” conseguiu a façanha de se manter no topo das bilheterias durante três semanas consecutivas até o lançamento do mega-arrasa-quarteirão “Homem-Aranha 3”. Arrecadou em apenas três dias US$ 22 milhões, superando os US$ 20 milhões que foram investidos em sua produção. “Paranóia” agradou, nos Estados Unidos, tanto o público quanto a crítica, de quem recebeu elogios, fato raro se tratando de um suspense “adolescente”. Tanta badalação transformou “Paranóia” uma das sensações da primeira metade do ano de 2007.



O diretor D. J. Caruso, que tem em seu pequeno currículo o mediano “Roubando Vidas”, desta vez acerta a mão. A direção, apesar de convencional, é ágil e muito eficiente, criando bons momentos de tensão e suspense. Ponto para Caruso, que depois de “Paranóia” foi contratado para a direção de “Y: The Last Man” (adaptação de uma cultuada graphic novell norte-americana) e passou também a ser cotado como provável diretor do longa-metragem solo do X-Man Wolverine.


A trama, apesar de pouco original e previsível em determinados momentos, acaba sendo um dos alicerces ao ritmo ágil, engraçado e frenético de “Paranóia”. O roteiro também esnoba o artifício final surpresa, tendência explorada a exaustão nos suspenses “inteligentes” da última década.


Como todo filme de adolescente que se preze, além de atores bonitos e jovens, “Paranóia” conta com uma boa trilha a base de rock and roll. “Paranóia” acabou indicado ao Teen Choice Award (algo como prêmio da escolha adolescente) como melhor filme de horror/suspense e melhor ator (Shia LaBeouf).



Entretanto dificilmente alguém considerará “Paranóia” um grande filme ou uma produção memorável. Talvez pelo enredo “lugar-comum” ou o enfoque adolescente. Mas não há como ignorar que a produção superou todas as expectativas, a dos críticos, a do público e a dos próprios produtores. Por tudo isso, o expectador que se arriscar neste suspense teen deve utilizar da mesma despretensão de seus produtores, para assim poder aproveitar todas as situações propostas pelo filme. Não há sangue, não há sexo, nem reflexões profundas em “Paranóia”. Há apenas uma hora e quarenta minutos de diversão.

Voyeurismo, vizinhos e encrenca no Cinema.

Voyeurismo, de modo resumido, é o ato de observar pessoas, geralmente estranhos. Assim como Kale se mete numa enorme encrenca, justificando o provérbio popular “a curiosidade matou o gato”, outros personagens fizeram o mesmo, com mais ou menos empenho, na história do cinema.

O filme definitivo sobre o assunto é sem dúvida o clássico “Janela Indiscreta”, do mestre do suspense Alfred Hitchcock. Na trama, um fotógrafo, imobilizado por um acidente, passa a observar seus vizinhos e termina descobrindo que um deles é um assassino. Além da direção perfeita de Hitchcock, o filme conta ainda com interpretações brilhantes de James Stewart e Grace Kelly. Já em “A Hora do Espanto”, as situações não são levadas tão a sério. Neste divertido e emblemático clássico dos anos 80, dirigido por Tom Holland, um jovem passa a vigiar seu vizinho, suspeitando que ele seja um vampiro. Tom Hanks também se encrencou bisbilhotando a vida de seus vizinhos na comédia de humor negro “Meus Vizinhos são um Terror”, dirigida por Joe Dante. Já Jeff Bridges suspeita que seu vizinho Tim Robbins seja um terrorista e passa a investigá-lo, no ótimo “O Suspeito da Rua Arlington”, de Mark Pellington. Numa trama que revela a paranóia americana, mesmo antes do “11 de Setembro”. No recém lançado “Ódio” (The Neighbor Nº Thirteen, 2005, Japão), a situação inverte: um jovem consumido pela raiva monitora seus vizinhos e planeja uma ação brutal, numa explosão de ódio poucas vezes vista no cinema. No interessante suspense “Sob Pressão”, Charlie Sheen vive um condecorado e admirado bombeiro com tendências homicidas, que aterroriza sua vizinha e seu pequeno filho.

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