ANO DE LANÇAMENTO
2005 (EUA)
DIRETOR

Robert Schwentke

ELENCO
Jodie Foster
Peter Sarsgaard
Sean Bean
Kate Beahan
Michael Irby
Assaf Cohen
Erika Christensen
Shane Edelman
ROTEIRO

Peter A. Dowling
Billy Ray

PRODUTOR

Brian Grazer

SITE OFICIAL

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TRAILER

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ESTRÉIA NO BRASIL:

21 de outubro de 2005

DISTRIBUIDORA:

Buena Vista

PLANO DE VÔO
(Flightplan)


Durante um vôo de Berlim até Nova York, Kyle Pratt (Jodie Foster) enfrenta seus piores pesadelos de mãe, quando sua pequena filha Julia desaparece no meio da viagem. Já emocionalmente abalada pela inesperada morte do marido, Kyle luta para manter-se sã em meio ao seu desespero.

CRÍTICAS

Dois detalhes curiosos chamam a atenção do espectador ao final da sessão de PLANO DE VÔO, novo thriller de suspense aéreo depois de VÔO NOTURNO, de Wes Craven. O primeiro detalhe é a interessante reviravolta perto do final, que, mesmo um tanto inverossímil, dá um novo tom ao filme e espanta para longe um clichê já fartamente utilizado no moderno cinema fantástico (assista e você vai saber do que estou falando). E o segundo detalhe, este negativo, é o fato de PLANO DE VÔO ser uma produção convencional até demais; tirasse o elenco de astros, onde brilha a atriz Jodie Foster, o filme bem que poderia ser exibido num Supercine da vida sem provocar maior alarde.

Ou talvez eu que esperasse mais da estréia americana do diretor alemão Robert Schwentke. Mas como não esperar mais do cara que dirigiu um dos melhores filmes de serial killers da nova geração, o suspense TATTOO, de 2002, rodado na Alemanha (e lançado nas locadoras brasileiras há algum tempo)? O que parece é que Schwentke está mais contido neste seu novo filme, reservando a tensão e o suspense apenas para a meia hora final - que realmente é bem-sucedida em manter o espectador na ponta da poltrona, e de olhos vidrados na tela. Entretanto, é pouco para uma produção que foi vendida como um thriller no "estilo Hitchcock".

PLANO DE VÔO começa apresentando nossa personagem principal, a engenheira aeronáutica Kyle Pratt (Jodie Foster), uma americana que trabalha no projeto de um novo avião em Berlim. Seu marido morreu misteriosamente ao cair do telhado do edifício onde o casal morava com Julia, a filha de 6 anos. Inicialmente, o roteiro não deixa claro o que aconteceu - se ele escorregou acidentalmente ou se cometeu suicídio. Mas a perda deixou Kyle abatida e a base de antidepressivos. Ela resolve voltar para os Estados Unidos para passar um tempo com a filha na casa de seus pais, aproveitando para realizar o translado do corpo do esposo, que será sepultado nos Estados Unidos. Descontando o fato de ambas levarem o caixão com o falecido no compartimento de carga, era para ser um vôo normal entre Berlim e Nova York. Mas, no meio da noite, acontece algo misterioso: a filha de Kyle desaparece sem deixar rastros.

Começa então um jogo de brincar com as expectativas do espectador. A preocupada mamãe passa a investigar cada parte da aeronave em busca da filha, mas sem conseguir localizá-la. A tensão cresce à medida que ela envolve os passageiros, as aeromoças e o próprio capitão, Rich (Sean Bean, que, ironicamente, morre de medo de avião), numa minuciosa busca à criança. Todo o local é revistado de cima a baixo, sem que qualquer sinal de Julia seja encontrado além de seu ursinho de pelúcia, esquecido ao lado da mãe. É como se a criança tivesse evaporado no ar. Ou como se nunca tivesse existido... É então que o roteiro começa a se complicar: a lista de passageiros não inclui nenhuma Julia Pratt, nem Kyle tem como provar que realmente embarcou com a filha - porque o cartão de embarque ficou com a própria menina desaparecida. Para arrematar, ninguém lembra de ter visto a criança, já que a mãe entrou no avião por primeiro e Julia ficou sempre próxima à janela. É quando entra em cena o agente de segurança Tom Carson (Peter Sarsgaard), responsável por manter a "lei e ordem" no interior do avião, e que passa a ajudar/atrapalhar Kyle na tentativa de descobrir o paradeiro da sua filha - ou se a criança realmente existe!

Lá pela metade do tempo de duração, PLANO DE VÔO encaminha-se para uma solução que até seria surpreendente há duas décadas, mas que, infelizmente, nos dias atuais já é bem conhecida pelo espectador graças a uma batelada de outros filmes, como CLUBE DA LUTA e A JANELA SECRETA. Felizmente, a dupla de roteiristas Peter A. Dowling e Billy Ray foi criativa o suficiente para apenas "lançar" a suspeita de que a história enveredaria por tal caminho e então, perto do final, surgir com uma reviravolta bastante surpreendente, que faz cair por terra o argumento inicial - ainda bem, porque eu já estava cutucando minha namorada no cinema e dizendo: "Não acredito que o final vai ser a mesma coisa DE NOVO!".

O único problema, talvez, é que a tal reviravolta criada por Dowling e Ray entra no campo do inverossímil, ou, mais precisamente, no campo do "e se?". Por exemplo, "e se a personagem de Jodie Foster não tivesse adormecido?" (não se preocupe, não estou contando nenhum detalhe importante da história). Entretanto, o "e se?" hoje é bastante comum em 99% das reviravoltas hollywoodianas e também se aplica à maioria dos finais-surpresas. Por isso, o negócio é relaxar e ver como a história vai se concluir. E é bom lembrar que um dos roteiristar, Billy Ray, é um especialista em reviravoltas um tanto forçadas, como já demonstrou em seus roteiros anteriores, especialmente os de A COR DA NOITE (aquele erotic thriller que Bruce Willis tenta esquecer que fez) e do recente SUSPEITO ZERO.

Uma interessante curiosidade sobre PLANO DE VÔO é o fato do personagem principal ter sido escrito para o ator Sean Penn (tanto que "Kyle" é um nome masculino nos EUA!). As negociações com o ator não evoluíram e Jodie Foster entrou na jogada, praticamente repetindo seu papel de mãe às voltas com a filha em perigo visto em O QUARTO DO PÂNICO, de David Fincher. O roteiro da dupla também é muito inteligente ao retratar a personagem de Jodie como uma mulher um tanto desequilibrada pela perda do marido, deixando o espectador na dúvida sobre as faculdades mentais da mulher - será que ela está mesmo imaginando boa parte daquilo, tentando "bloquear" uma tragédia que a marcou demais? Este sentimento de dúvida é reforçado pela cena introdutória, onde vemos Kyle imaginando que está passeando e conversando com o marido já morto. Méritos também para a exploração criativa da paranóia americana pós-11 de setembro, já que passageiros árabes são os primeiros a levar a culpa do sumiço da menina!

PLANO DE VÔO ainda comprova que Schwentke é, definitivamente, um novo diretor para se ficar de olho. Ele consegue criar um clima de suspense claustrofóbico do início ao fim. Claro que não precisa muito, já que a história toda se passa no interior do avião; mas vá você tentar dirigir uma história de quase duas horas num cenário apertado como este e ainda manter a atenção do espectador do início ao fim! O alemão ainda brinda o amante de cinema com belíssimas cenas, como aquela em que Kyle e Julia acompanham, da janelinha do avião, o caixão com o corpo de marido e pai passando para ser colocado no compartimento de carga, quase como se fosse uma cerimônia fúnebre na pista do aeroporto.

Destaque, ainda, para o caprichado elenco secundário. Além das boas interpretações de Jodie e Sarsgaard, Sean Bean faz um respeitável piloto que provoca tanto raiva como afeição, dependendo da cena. A gostosa Erika Christensen (TRAFFIC) tem um papel pequeno como aeromoça e a italiana Greta Scacchi, outrora musa em filmes como COCA-COLA KID e BOM-DIA BABILÔNIA, está velha e acabada em participação dispensável como uma psicanalista que tenta ajudar a protagonista.

No fim, uma história interessante e que mantém a atenção. Mas não fique se sentindo culpado se não conseguir ver no cinema; mais cedo ou mais tarde, vai acabar mesmo passando no Supercine...

HISTÓRIA:    
GORE:    
EFEITOS:    
DIVERSÃO:    

Felipe M.Guerra

NOTÍCIAS E IMAGENS



(30/09/05) Plano de Vôo está previsto para chegar aos cinemas no dia 15 de outubro pela Buena Vista