Sátira inspirada nos famosos filmes de zumbi, esta produção chegou a ter seu lançamento adiado devido às semelhanças com Madrugada dos Mortos (também da Universal). Neste último, os zumbis foram tratados com "seriedade", mas aqui é a comédia anárquica que pontua os momentos, com situações bizarras e brincadeiras com todos os clichés do gênero. Shaun (Simon Pegg, de A Festa Nunca Termina) é um solitário e desprezado por todos. Ele não tem namorada, nem amigos, e os colegas de trabalho não o levam a sério. Quando parecia que nada poderia piorar, ele se vê numa situação inusitada, liderando um grupo de sobreviventes para escapar do ataque de uma legião de zumbis comedores de carne humana. Em meio a hilárias confusões, Shaun poderá até mesmo encontrar seu grande amor. Esta produção assumidamente trash é a estréia em longa do diretor Edgard Wright, que tem experiência em telefilmes, tanto que muitos dos atares que interpretam zumbis foram recrutados entre os fãs de ama das séries que ele dirigiu, Spaced. Eles foram recrutados através do website oficiai da série no elenco, os veteranos Bill Nighy (Underworld - Anjos da Noite; Simplesmente Amor) e Penelope Wilson (Garotas do Calendário).
CRÍTICAS
"Remover a cabeça ou destruir o cérebro é a única forma de combatê-los."
- alerta de um apresentador de noticiário de televisão
Shaun (Simon Pegg) é um homem fracassado que não consegue visitar sua mãe Barbara (Penelope Wilton), tem problemas de relacionamento com seu padrasto Philip (Bill Nighy, o chefe supremo dos vampiros em "Underworld"), mora numa casa dividindo o espaço com os companheiros Ed (Nick Frost), um gorducho inútil e desempregado, e o severo Pete (Peter Serafinowicz), não é respeitado pelos colegas de trabalho numa loja de eletrodomésticos, freqüenta apenas um único bar como diversão, e não consegue também agradar ou surpreender com criatividade a bela namorada Liz (Kate Ashfield), que está cansada da rotina do namoro, dispensando-o e preferindo a companhia de um casal de amigos, David (Dylan Moran) e Dianne (Lucy Davis). Ele chega à conclusão que precisa "dar um jeito na vida", ter atitudes e sair do marasmo. Ele só não imaginaria que seria obrigado a assumir o papel de herói meio atrapalhado e teria que fazer tudo isso repentinamente, depois que um vírus contamina as pessoas transformando-as em mortos-vivos vagando desorientados pelas ruas de Londres, famintos por carne humana. Shaun acaba assumindo a liderança de um grupo que tenta sobreviver em meio ao caos instaurado pelos zumbis. Eles se refugiam num pub, onde ficam encurralados e são atacados, obrigando Shaun a lutar por sua vida e a dos amigos, além também de tentar recuperar o amor da namorada.
Depois de assistir o filme inglês "Todo Mundo Quase Morto" (Shaun of the Dead, 2004) fica um sentimento que seus criadores Edgar Wright (também o diretor) e Simon Pegg não se decidiram se fariam um filme de comédia de humor negro sobre o fim do mundo ou um drama sério de horror com cenas fortes de violência e mortes, pois o resultado ficou uma mistura das duas coisas e que para mim não funcionou. Eu particularmente não sou muito fã de comédias ou paródias, sendo que entre as poucas exceções destaco "O Jovem Frankenstein" (74), de Mel Brooks, e "Malditas Aranhas!" (2001), homenagem e sátira divertida dos nostálgicos filmes dos anos 50 com aquelas criaturas tornando-se gigantes por causa do contato com produtos químicos que alteraram seu metabolismo. Eu prefiro filmes mais sérios. Ou, caso a idéia seja satirizar algum gênero, que o filme seja reconhecidamente uma comédia de humor negro, e não uma mistura onde temos piadas e situações cômicas perdidas no meio de cenas sangrentas com zumbis putrefatos devoradores de carne humana.
Como filme de humor negro, não achei tão divertido quanto esperava, principalmente depois das expectativas geradas após ler diversos comentários positivos a respeito, vindos de todos os lados (tanto que no site "Internet Movie Database", a maior fonte de dados de cinema do mundo, a nota média dos leitores ao avaliarem o filme é até bem alta). Utilizei como referência para chegar a essa conclusão o fato que somente consegui rir de alguma coisa ao ver nos materiais extras do DVD algumas cenas cortadas por erros de gravação, principalmente quando o obeso Ed tenta explicar para Shaun as características devassas de uma mulher deprimida de meia idade e ex-atriz pornô que sempre freqüenta solitária o bar "The Winchester".
Já como filme sério de horror gore, existem algumas boas cenas que merecem destaque como aquela onde uma garota afetada pelo vírus que a tornou uma morta-viva, a caixa de supermercado Mary (Nicola Cunningham), é empalada por um cano grosso de aço, e a seqüência onde um dos personagens é destroçado violentamente com suas entranhas devoradas por uma legião de zumbis, lembrando cena muito similar com um militar arrogante, o Capitão Rhodes, em "O Dia dos Mortos", de George Romero.
Aliás, vale enaltecer as várias citações e homenagens aos filmes do mestre Romero, "A Noite dos Mortos-Vivos" (68), "Despertar dos Mortos" (78) e o já citado "O Dia dos Mortos" (85), além de outras personalidades do cinema de horror como os cineastas Lucio Fulci e John Landis, e o cultuado ator Bruce Campbell (isso sem falar no diretor Danny Boyle e no ator Ken Foree, de "Despertar dos Mortos"). E uma cena também em especial, onde Shaun demonstra uma completa alienação, típica do ser humano consumista, numa crítica social interessante quando ele sai de casa para comprar um refrigerante e um sorvete num pequeno mercado e consegue a incrível proeza de não perceber que o bairro está misteriosamente sem movimento e que vários mortos-vivos estão cambaleando pela região, próximo dele.
"Todo Mundo Quase Morto" foi lançado em DVD no Brasil no final de Outubro de 2004 pela "Universal", trazendo cerca de uma hora de materiais extras, divididos entre os tópicos "Carne Crua", "Galeria de Zumbis", "Rastros dos Monstros" e "Partes Cortadas". No primeiro tópico, temos uma interessante apresentação de Edgar Wright e Simon Pegg sobre o esboço do filme, mostrando a idéia básica do roteiro que imaginaram através de rascunhos escritos num flip chart, além de detalhes dos efeitos especiais, testes de maquiagem e um featurette promocional com comentários do diretor Edgar Wright e dos atores Simon Pegg, Kate Ashfield, Nick Frost, Lucy Davis, Dylan Moran e Bill Nighy. O segundo tópico apresenta fotos e cartazes do filme. Já em "Rastros dos Monstros", temos a exibição de teasers, trailers e comerciais de televisão. Finalizando os extras, o último tópico destaca cenas que foram cortadas da edição final com a opção dos comentários dos roteiristas Edgar Wright e Simon Pegg, além de uma interessante revelação do destino de três cenas que ficaram no ar durante o filme, ou seja, como Shaun conseguiu despistar a legião de zumbis que o perseguiam antes de chegar ao pub "The Winchester", o que aconteceu com Lucy depois que decidiu enfrentar sozinha os mortos-vivos num acesso de fúria, e uma explicação envolvendo a cena final.
Finalizando, justifico a minha nota como sendo 6 devido quase que exclusivamente pela quantidade de citações e homenagens inseridas no roteiro do filme, e pelas boas cenas de horror gore, pois sinceramente não consegui entrar no clima do humor negro proposto pela história. Mas, independente de qualquer coisa, como um filme de mortos-vivos, vale uma conferida...
"Todo Mundo Quase Morto" (Shaun of the Dead, Inglaterra / França, 2004) # 371 - data: 06/02/06 - avaliação: 6 (de 0 a 10) - blog: www.juvenatrix.blogspot.com (postado em 07/02/06)
Renato Rosatti
A melhor cena de "Shaun of the Dead" não é nenhuma cena de ação ou gore e sim uma
bem normal, mas de uma carga simbólica tremenda. Shaun (Simon Pegg) está tão
acostumado a ir ao mercadinho da esquina fazer compras que quando o apocalipse
zumbi toma conta da cidade, ele sai de casa, vai ao mercadinho, compra
refrigerante e sorvete e nem percebe que há marcas de sangue pelo mercado, zumbis
cambaleando pela rua e até corpos mutilados no jardim. Essa é a grande sacada do
filme, uma crítica social tão ou mais feroz que a de Dawn of the Dead, do mestre
Romero. Se no filme de 1978 Romero criticava a sociedade de consumo e a alienação por causa disso, o que dizer de um filme que faz a mesma coisa mais
de 20 anos depois aproveitando o surgimento de novos meios de comunicação e
interação? Na sociedade atual há a Internet, TV a cabo, e inúmeros meios de se
trasmitir uma mensagem o mais rápido possível, mas nem assim, o pobre Shaun se dá
conta que em volta dele um armagedon toma
forma. Eu me lembro de um dia em que eu pensava que era segunda-feira mas na
verdade era domingo... nós vivemos numa rotina tão besta e sem vida que só nos
damos conta de que algo mudou quando o ambiente que nos cerca está diferente.
Shaun também não é um herói perfeito, forte e bonitão que sempre se dá bem, pelo
contrário, quando o apocalipse zumbi acontece, Shaun estava brigado com a namorada
e sem perspectiva de vida. Além disso ele não tem vergonha de chorar quando
percebe que as escolhas que tomou em certas situações não são as melhores, e ainda
perde duas pessoas que ama e uma que descobriu amar recentemente, mas por causa de
uma briga boba impedia as duas partes de admitir o amor (a morte dessa última, por
incrível que pareça até me deixou com os olhos cheios d´água)
O filme narra a história de um inglês de 30 anos totalmente sem perspectiva de
futuro na carreira profissional (ele é um simples vendedor de eletrodomésticos) e
ainda por cima acabou de levar um fora da namorada Liz (Kate Ashfield), que não
aguentava a "falta de responsabilidade" de Shaun, na verdade fruto de uma série de
mal entedidos. Shaun vive com Ed (Nick Frost), um gordo porco e desempregado que
nada faz a não ser atrapalhar a vida do amigo. Eles sempre se encontram no
Winchester, um típico pub londrino e ficam lá o dia todo. Só que um certo dia,
zumbis aparecem e começam a atacar a população! Shaun, agora tem que salvar sua
família, sua ex-namorada e a si mesmo dos zumbis canibais.
Shaun of the Dead podia ser um filme bobo qualquer, e o título brasileiro forçado
"TODO MUNDO QUASE MORTO" talvez faça com que o filme nunca seja levado a sério e
infelizmente fique esquecido na última prateleira da locadora. Mas ele é
mais que isso. Devia ser passado em aulas de filosofia e discutido com moleques
adolescentes, os que mais utilizam a tecnologia citada e os que menos sabem por
quê usam. E o que dizer também da cena em que Shaun e amigos se fingem de zumbis
para se "igualar à maioria" uma outra metáfora profunda que infelizmente pode não
ser levada a sério.
Mas pra quem não pegar a mensagem, pouco importa também! O filme é divertido,
cheio de referências a outros do gênero, tem boas cenas de suspense (sem apelar
somete para os efeitos sonoros agudos q pipocam do nada pra darem sustos) e
terror. SHAUN OF THE DEAD é sem dúvida um dos melhores filmes do gênero surgidos
nos últimos anos, e posso dizer sem pestanejar que é mil vezes superior a
MADRUGADA DOS MORTOS. Infelizmente esse filme nem passou perto dos cinemas. Culpa
dos mortos-vivos que distribuem os filmes no Brasil...
HISTÓRIA: 


GORE: 


EFEITOS: 


DIVERSÃO: 




Bruno C.Martino
NOTÍCIAS E IMAGENS
(12/11/04)
Enquanto você ainda não teve a oportunidade de alugar essa interessante produção, confira novas imagens do filme:

(10/09/04)
De acordo com a Universal, em nota no Cinema em Cena, Shaun of the Dead será lançado no Brasil diretamente em vídeo no dia 27 de outubro com o título: Todo Mundo Quase Morto.
(03/09/04)
Quatro hilários clipes de Shaun of the Dead podem ser encontrados clicando aqui.
(27/08/04)
O site Apple.com divulgou uma versão melhor (lê-se QuickTime) do trailer do divertidíssimo filme Shaun of the Dead. Clique aqui e confira.
(13/08/04)
O Creature-Corner divulgou mais um poster da curiosa comédia Shaun of the Dead. Confira:

[Colaboração: Thales Fernandes]
(21/05/04)
Visite o interessante SITE OFICIAL e confira o confira o trailer do filme. Abaixo segue algumas imagens:


