ANO DE LANÇAMENTO
2001 (EUA)
DIRETOR

J.T. Petty

ELENCO
Edmond Mercier
Sara Ingerson
Andrew Hewitt
Wayne Knickel
Joshua Billings
Kate Petty
David Husko
Mia Todd
ROTEIRO

J.T. Petty

SITE OFICIAL

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TRAILER

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LANÇAMENTO NO BRASIL:

outubro de 2002 (mostra de Cinema)

DISTRIBUIDORA:

não definida

FÁCIL DE ENTERRAR
(Soft for Digging)


"Um dia , um homem de idade entra numa floresta atrás de seu gato perdido. Encontra uma criança sem pais e um assassinato sem vítima."

CURIOSIDADES

- Quando o diretor JT Petty fez Soft for Digging ele tinha apenas 21 anos. Ele começou fazendo curtas (incluindo Blood Oranges) na NYU film school e hoje trabalha escrevendo roteiros para video-game.

- Dizem que poderia ser o próximo "Blair Witch Project" (A Bluxa de Blair).

- JT Petty filmou este filme, que foi sua tese na New York University Film School e custou 6 mil dólares, em 10 dias durante suas férias de Natal em 1998, semanas antes de A Bluxa de Blair aparecer no Sundance Film Festival.

- O filme não tem quase diálogo algum devido à admiração do diretor/autor do roteiro por filmes como "Nosferatu", de horror mudo e também como forma de guardar dinheiro, ou seja, diminuir o custo do filme.

- Ele apenas filmou 130 minutos originalmente, o que se tornou no filme de 74 min. Ele disse que essa proporção (130/74) era ridiculamente baixa.

- Foi feito com US$ 6.000 e elenco de amigos do realizador;

- Já há um comércio de cópias piratas na rede;

- O site oficial do filme é simples e cheio de lacunas (por exemplo, só dá para ver o trailer em Macintosh e não há muitas informações sobre nada).

- Não foi lançado em vídeo no Brasil, sendo apenas exibido na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, no dia 20 de outubro de 2002
NOTÍCIAS E IMAGENS

(08/04/05) Uma ótima notícia! Está previsto para 31 de maio o lançamento em DVD nos EUA do filme "Fácil de Enterrar", exibido no Brasil na Mostra de Cinema de São Paulo, em 2002. Quem sabe o lançamento não anima uma distribuição brasileira?
Acima você confere a capa do DVD e abaixo uma critica sobre o filme, revisada.
CRÍTICAS

As árvores sempre foram uma fonte admirável de energia para os filmes de terror. São inúmeros os exemplos de uma combinação perfeita entre natureza e medo. O maior nome do gênero é, sem sombra de dúvida, o mega-clássico "Evil Dead" (1982), que soube plantar sustos utilizando uma floresta sombria por onde caminhava o demônio desperto. Mas, não é o única produção que utilizou do recurso para assustar o espectador, outros clássicos já mostraram o quanto pode ser assustador atravessar uma mata escura e sem vida. Sally e seu irmão paralítico tiveram uma experiência pouco agradável na década de 70 ao cruzar um bosque atrás de seus amigos desaparecidos. Heather Donahue também sofreu em demasia em Maryland ao investigar a lenda de uma terrível bruxa.

Imagine, então, uma produção com orçamento baixíssimo, tendo sido filmada às margens de uma floresta sinistra, com pseudo-atores completamente desconhecidos do público, numa trama que envolve crianças, choros de bebês e pouco sangue? Parece mais um ataque da Bruxa de Blair, mas não é. Porém, há semelhanças...

No dia 20 de outubro de 2002, estreou na Mostra de Cinema de São Paulo a produção intitulada nacionalmente como "Fácil de Enterrar" (Soft For Digging), dirigida, escrita e editada pelo até então desconhecido J.T. Petty (hoje, ele também é o responsável por "Mutação 3: O Sentinela), enquanto cursava a Universidade de Nova Iorque. Tanto "A Bruxa de Blair" quando "Fácil de Enterrar" foram concebidos nas florestas de Maryland, apenas como uma experiência cinematográfica, sem a pretensão de atingir tanto sucesso quanto adquiriram. Enquanto Myrick e Sánchez re-utilizaram a idéia do clássico italiano "Cannibal Holocausto" para trabalhar com a narrativa em primeira pessoa, a partir de câmeras amadoras, Petty também desenvolveu seu trabalho em primeira pessoa, utilizando técnicas amadoras de projeção, mas sem abusar das cenas noturnas e dos diálogos.

"Fácil de Enterrar" apresenta o cotidiano de Virgil Manoven (Edmond Mercier), um senhor de idade avançada, viúvo, que mora numa pequena e velha cabana, isolada, no meio de uma floresta deserta, repleta de árvores mortas, num aspecto de outono eterno, e que convive com um pequeno e feioso gato, com pêlos sujos e aparência extremamente negativa. Certa manhã, assim que o menino-carteiro arremessa o jornal para a frente da sua casa, o velho desperta para mais um dia tranqüilo em sua rotina que se inicia com um café da manhã com leite e ovo.

Enquanto prepara sua refeição, seu animal de estimação apenas observa da janela a paisagem tediosa, esperando uma oportunidade para escapar. Ela surge quando Manoven decide buscar o jornal e abre a porta da cabana, permitindo a fuga do animal. Minutos depois, enquanto o ovo ferve, o velho pega um copo com leite e um bichinho de pelúcia sonoro e sai a procura do felino pela mata deserta.

Toda essa introdução é descrita com detalhes e com muita lentidão, o que pode tornar o filme cansativo para o público sem paciência. Assim, só continue lendo se você tiver realmente interesse em conhecer um pouco do horror absoluto conhecido por um simples idoso em sua rotina triste e solitária.

Alguns passos depois, já cansado de procurar o gato, ele se depara com uma movimentação numa pequena abertura do bosque. Há um estranho carro parado no meio-fio, e, do lado de fora do veículo, há uma linda garotinha (Sarah Ingerson), com aparência angelical, num uniforme escolar rubro, aguardando um homem que insistentemente mexe no porta-malas. O homem tira do carro um pequeno corpo, enrolado num pano, e uma pá e deixa ambos próximos da menina. De repente, a garota nota a presença do velho que a cumprimenta, acenando com uma das mãos. Com um olhar frio, ela apenas olha para Manoven, para o corpo enrolado no pano e nem sequer demonstra qualquer reação facial.

O homem misterioso e a garota entram na mata a pé e desaparecem carregando o pequeno corpo e a pá. O velho continua sua busca lenta e infindável pelo gato, caminhando ainda mais para o interior da floresta seca até que, poucos minutos depois, ele vê novamente o mesmo homem entre as árvores, de costas, ao lado da pá e do pequeno corpo, mas nem sinal da garotinha. A medida em que se aproxima, o velho nota algo realmente assustador: entre as pernas abertas do homem, é possível ver os pés da menina, flutuando, enquanto ele a enforca violentamente. Então, o corpo da menina cai sem vida, ao mesmo tempo que o velho larga o copo vazio que segurava - numa cena realmente muito bem feita. Enquanto caminha para trás, amedrontado, Manoven pisa num galho seco e desperta a atenção do assassino que, imediatamente, nota a presença da testemunha. Esta corre tanto quanto seu fôlego, desgastado pela idade, agüenta e chega à estrada, frente à sua velha morada. Lá, encontra o menino-carteiro em sua tradicional bicicleta e diz a primeira palavra do filme: - Murder! (Assassinato) O jovem entregador de cartas, assustado, retorna pelo caminho de onde vinha, deixando o pobre homem em pânico, sozinho e com um ovo todo queimado sobre o fogão.

Como todo bom velhinho, Manoven avisa a polícia e os moradores da região, e todos decidem iniciar uma busca pelo cadáver da garota, porém, nenhum vestígio é encontrado. Desacreditado, o velho procura retornar para sua rotina de café da manhã, ovo e jornal, mas sem a presença do gato que, decididamente, não queria retornar. Durante a noite, porém, ele é assombrado por pesadelos onde vê a menina gritando com um olhar infernal e doloroso, o assassino, e o assassinato, misturados com as sinistras árvores da floresta.

Na manhã seguinte, Manoven resolve caçar novamente seu gato fugitivo e se aventura pela mata. Um passo em falso e ele pisa numa corda amarela presa no chão. Ao tirar a corda, ele encontra o que a pequena cidade inteira não havia conseguido: o corpo frio e sem vida da menina. Mais uma vez, o velho corre pela floresta em busca de um apoio policial para sua terrível descoberta. Um telefonema depois e os policias retornam para ajudar o velho, mas, para infortúnio deste, o corpo outra vez não é encontrado. Seria apenas uma ilusão de um velho com sua mente desgastada? Manoven só não deixa de acreditar em seus próprios olhos quando encontra no bolso de seu roupão a corda usada como arma no crime...

Assim a trama de "Fácil de Enterrar" lentamente conta sua história, como se a narrativa estivesse sendo contada pelo velho, o que poderia dificultar a crença. Quem já não ouviu um relato bizarro de um vô ou de algum senhor em idade bem avançada?Aqui, na Vila Carioca, ouvi muitas histórias de lobisomens e aparições...

Apesar dos fatos narrados acima darem a impressão de que pertencem a um suspense comum, é importante deixar claro que o filme conta uma assustadora história sobrenatural envolvendo fantasmas, possessão e vingança em apenas 74 minutos de duração. Só para citar uma cena (sem estragar qualquer surpresa), em determinado momento, um policial entrega a Manoven um folheto com a propaganda de um asilo na região - ora, a cidade acredita realmente que o velho já não consegue nem fritar seu ovo. Manoven acaba vendo mais do que apenas um simples anúncio quando enxerga na imagem de um orfanato a garotinha recém assassinada. Seria uma coincidência? Uma brincadeira? A única forma de descobrir será visitando o tal orfanato, onde ele descobrirá muito mais do que imagina...

"Fácil de Enterrar" é um filme com apenas três diálogos - recurso utilizado pelo diretor em homenagem ao clássico "Nosferatu" -, dividido em capítulos, em uma linguagem extremamente lenta que serviu de inspiração para o amado e odiado M. Night Shyamalan. Mesmo com sua lentidão geriátrica, o longa é uma das produções mais interessantes que tive o prazer de assistir numa mostra de cinema. Na sessão em que eu estava, havia um homem que falava alto durante a produção, preenchendo o silêncio da tela, ressaltando o quanto ele queria que o filme acabasse logo. Em determinado momento, ele confessou que seus olhos impediam suas pernas de se afastarem do local.
Enfim, um filme artístico de horror que merece ser conferido pelos apreciadores do medo e de tramas bem construídas, pelos fãs do gênero que envolve árvores tenebrosas, enfim, por quase todo mundo, exceto pelos integrantes da sociedade protetora dos animais. Quem sabe um dia, essa produção possa ser lançada nas locadoras brasileiras?



HISTÓRIA:    
GORE:    
EFEITOS:    
DIVERSÃO:    

Marcelo Milici
O ano de 2001 já tem seu "A Bruxa de Blair". É o filme "Soft for Digging", cuja sinopse "oficial" é a descrita acima.
"Soft for Digging", como está sendo chamado, tem todos os requisitos para estar na categoria "próximo-fenômeno-da-internet":

* Virou febre nos sites de filmes independentes e de terror;
* Só foi exibido até agora em sessões especiais ou festivais;
* Foi feito com US$ 6.000 e elenco de amigos do realizador;
O diretor é JT Petty, nascido no Brooklyn e ex-aluno da escola de cinema da Universidade de Nova York. Quando terminou "Soft for Digging", no Natal de 1998, como parte do trabalho de conclusão de curso, tinha 21 anos. Gastou dez dias.
Este é seu primeiro e até agora único longa -na faculdade, Petty dirigiu alguns curtas, entre eles, o interessante "Blood Oranges". Hoje em dia, dedica-se a escrever roteiros de games."Soft for Digging" foi exibido no Festival de Cinema de Nantucket há dois meses e acaba de voltar do de Melbourne, na Austrália. Em ambos, foi disputado por executivos de grandes estúdios, sedentos pela repetição do sucesso de "A Bruxa de Blair", que também foi feito com pouco dinheiro, por cineastas estreantes e começou com um boca a boca na internet.
O filme? É assustador. Apesar de também todo feito numa floresta (no caso, em Maryland), lembra na verdade mais "Blood Simple", o primeiro longa dos irmãos Coen, do que "Blair Witch". Além disso, o thriller sobrenatural é mais sofisticado.
Nele, um velho ermitão acaba testemunhando o assassinato de uma menininha enquanto procura por seu gato fujão na floresta. Curioso, segue o assassino até um orfanato católico. Não dá para contar mais sem estragar.
Quase não há diálogos, o que aumenta o clima assustador. Petty diz que há duas justificativas para isso, uma mais romântica e a outra mais realista. Segundo ele, o filme quase mudo é uma homenagem a obras de horror como "Nosferatu", de Murnau, de 1922. E uma maneira de economizar dinheiro..
Não existe previsão de estréia nem mesmo nos EUA, quanto mais no Brasil.

Notícia extraída da Folha de São Paulo, do dia 07/08/01. Escrita por Sérgio Dávila