VÔO NOTURNO
(Red Eye)
Lisa Reisert (Rachel McAdams) detesta avião, mas o terror que a aguarda no vôo noturno para Miami não tem nada a ver com medo de voar. Momentos depois de decolar, o seu charmoso colega de assento, Jackson (Cillian Murphy), revela suas reais intenções no vôo: ele faz parte de um plano que pretende assassinar um rico e poderoso empresário...e Lisa é a chave para o sucesso. Se ela se recusar a cooperar, o pai dela será morto por um assassino que aguarda apenas um telefonema de Jackson para realizar o ato. Presa no interior de um avião a 30.000 pés, Lisa não tem para onde fugir e nenhuma opção que não coloque em risco a vida de seu pai, a dos outros passageiros e a sua própria. Lisa sabe que tem que correr contra o tempo e encontrar uma forma de reverter a situação e evitar um terrível assassinato.
CRÍTICAS
Era um sábado como todos os outros e acabei indo à locadora lá pelas sete da noite, quando normalmente os bons filmes já foram todos locados. Não havia grandes opções na prateleira das novidades, e foi quando a capinha de VÔO NOTURNO sorriu para mim. Aluguei sem muito entusiasmo, pois só tinha lido críticas negativas a respeito deste novo trabalho de Wes Craven - decadente Wes Craven, diga-se de passagem. Bem, depois de 85 minutos com o cérebro em piloto automático, cheguei à conclusão de que VÔO NOTURNO é um filme legalzinho, bem feitinho e divertidinho (isso, tudo assim no diminutivo, com "inho"). Agora, se eu tivesse visto no cinema, provavelmente ia sair da sala revoltado e esbravejando impropérios contra o diretor Craven. Porque este seu filme é algo assim para ser visto no aconchego do lar, num sabadão à noite em que não há nada melhor para ver. E só assim.
Neste aspecto, VÔO NOTURNO se assemelha ao suspense PLANO DE VÔO, aquele com a Jodie Foster, que também foi lançado em 2005 (e este eu fiz a burrada de ver no cinema): ambos são filmes medianos, com roteiros bobinhos e nada surpreendentes. Enfim, produções convencionalíssimas, porém amparadas por nomes de peso - Jodie e Sean Bean em PLANO DE VÔO; Rachel McAdams, Cillian Murphy e Wes Craven em VÔO NOTURNO. Não fossem estes "nomes de peso", nada, mas nada mesmo, diferenciaria os dois filmes das produções feitas para a TV normalmente exibidas no Supercine, ou de bobagens tipo a série TURBULÊNCIA. Até porque todos estes filmes de "suspense a bordo de um avião" são bem parecidos e pouco de novo oferecem.
Mas confesso que ainda preferi a obra de Craven ao PLANO DE VÔO: a história é curta e grossa, mantém o suspense e não chega a chatear o espectador; afinal, são apenas 85 minutos de duração. Entretanto, justamente pela história ser fraquinha e apoiar-se numa reviravolta que acontece logo nos primeiros 15 minutos, é essencial saber o mínimo possível sobre o roteiro do filme para não se decepcionar. Por isso, se você tem idéia de ver, pare de ler imediatamente (sabendo apenas que é uma história de suspense no interior um avião). Está avisado, OK? Bem, então vamos continuar: VÔO NOTURNO conta a história da jovem Lisa Reisert (a gatíssima Rachel McAdams, de PENETRAS BONS DE BICO), gerente de um hotel de luxo em Miami, que foi ao Texas para o funeral da avó e precisa voltar urgentemente ao trabalho por causa da chegada de um figurão, o secretário de Estado William Keefe (interpretado pelo canastrão Jack Scalia, presença constante em filmes classe Z).
O problema é que o vôo atrasa e ela é obrigada a pegar o último avião para Miami, de madrugada, chamado nos EUA de "red eye" (daí o título original do filme). Momentos antes de embarcar, ela conhece um simpático desconhecido com quem toma uns drinks. De fala mansa e cara inocente, Jack Rippner (Cillian Murphy, o Espantalho de BATMAN BEGINS e herói de EXTERMÍNIO) parece aquele príncipe encantado das comédias românticas, que aparece de repente na vida da mocinha e inicia uma grande paixão. Tanto que Lisa até dá um sorrisinho maroto ao descobrir que Rippner está sentado ao seu lado no vôo. O problema é que logo descobrimos que o moço não é o que parece ser - "Jack Rippner", caso você não tenha percebido, é uma corruptela de "Jack the Ripper", o nome inglês do famoso Jack O Estripador.
Acontece que ele logo se revela um terrorista frio e calculista, com a missão de obrigar Lisa a telefonar para seu hotel e transferir o secretário de Estado para outro quarto, facilitando o trabalho de um grupo de assassinos contratados para eliminar o político. Se Lisa não fizer a ligação, seu pai (o ótimo Brian Cox, que só aparece cinco minutos em cena, e sempre largadão no sofá) será morto por um sócio de Rippner. A partir de então, a maior parte da trama se passa na apertada classe econômica do vôo noturna, com heroína e vilão sentados lado a lado, e Lisa tentando de todas as formas pedir ajuda e impedir o atentado. Esta é a parte mais interessante de VÔO NOTURNO, pois Craven demonstra uma habilidade ímpar para manipular a tensão e o suspense, mesmo que a maior parte das cenas enfoque apenas duas pessoas sentadas lado a lado e conversando!
O problema é que logo Lisa revela um heroísmo exacerbado e resolve melar o plano de Rippner e seus associados. É então que a história desmorona para o inverossímil, com perseguições histéricas a pé e de carro, tiros, facadas, correrias e faniquitos. O roteiro consegue até transformar o inteligente e ameaçador Rippner num vilão caricato, que parece saído de algum filme de horror de quinta categoria - espere só para ver o que o roteiro reserva para o personagem... Para piorar, o veterano Craven novamente dá uma amostra de como está distante de seus dias mais inspirados ao usar e reciclar clichês fartamente utilizados no gênero. O auge do amadorismo é quando Craven filma o vilão perseguindo a mocinha e ela subindo as escadas ao invés de fugir pela porta da frente - algo que o próprio diretor havia transformado em piada em outro de seus filmes, PÂNICO, mas aqui surpreendentemente leva a sério! Além disso, o plano que parecia elaboradíssimo nos seus mínimos detalhes vai por água abaixo com a maior facilidade, revelando que no fundo passamos o filme inteiro com medo de um vilão despreparado e muito, mas muito amador!
Curiosamente, o preguiçoso roteiro de Carl Ellsworth (que antes só havia escrito alguns episódios de séries de TV, como BUFFY e XENA) foi bastante elogiado pelo diretor e pelos atores nas entrevistas básicas que acompanham o DVD do filme como extra. O IMDB informa que este é um dos casos raros em que um roteiro é comprado e não passa por qualquer modificação do estágio de pré-produção ao final das filmagens - ou seja, NADA foi reescrito ou alterado. Sinceramente, não achei nada de muito espetacular no tal roteiro, e umas boas modificações na parte final fariam muito bem ao filme. Outra curiosidade é o fato da caneta usada pela personagem de Rachel McAdams em uma cena-chave do filme ter sido adotada como brinde nas sessões de lançamento de VÔO NOTURNO, onde o público ganhava uma réplica da tal caneta com a inscrição: "Não pegue o red eye sem ela". hahahahahaha
No fim, VÔO NOTURNO cumpre seu papel de ser uma diversão descompromissada. Se o objetivo era outro (como, por exemplo, ser um filme sério e realmente assustador), aí os produtores falharam miseravelmente - porque esta é a típica produção que você já sabe, desde o começo, como e quando vai terminar. Enfim, é o típico filme que ninguém vai querer ver mais de uma vez (assim como PLANO DE VÔO). Perfeito para um sabadão à noite em que não se quer pensar muito, mas que poderia muito bem ter sido dirigido por qualquer zé mané ao invés de Wes Craven. Ainda mais quando lembramos que Craven já fez filmes extremamente tensos e assustadores, tipo QUADRILHA DE SÁDICOS e A HORA DO PESADELO. Até considerando o currículo do diretor, quem esperar algo memorável ou surpreendente de VÔO NOTURNO com certeza vai se decepcionar - e não sem razão.
HISTÓRIA: 

GORE: 
EFEITOS: 
DIVERSÃO: 

Felipe M.Guerra
O diretor Wes Craven já foi um cineasta que despertava a admiração dos fãs do cinema fantástico, principalmente por filmes como "Aniversário Macabro" (72) e "Quadrilha de Sádicos" (77), além de criar a franquia de sucesso "A Hora do Pesadelo" (84), apresentando Freddy Krueger como um dos mais populares psicopatas do cinema moderno, e a série "Pânico" (96), impulsionando uma onda de filmes de horror adolescente com a temática de psicopata mascarado. Mas, atualmente ele é um exemplo de uma completa e total decepção, um diretor sem inspiração e com a imagem associada a filmes ruins e descartáveis como "Amaldiçoados" (Cursed), que chegou ao Brasil em 15/07/05, e agora com "Vôo Noturno" (Red Eye), que entrou em cartaz em nossos cinemas quase dois meses depois, em 09/09.
Na história, a gerente de um hotel em Miami, Lisa Reisert (Rachel McAdams), que possui uma rotina de vida agitada e tem medo de viagens aéreas, está em Dallas e segue caminho num vôo noturno de volta para casa, sendo aguardada por seu pai divorciado, interpretado por Brian Cox. Ainda no saguão do aeroporto, ela conhece um jovem educado e simpático, Jackson Rippner (Cillian Murphy, de "Extermínio" e "Batman Begins"), que fica sentado na poltrona ao seu lado durante o vôo. Após uma conversa inicial amigável, o homem acaba revelando seus reais objetivos, apresentando-se como um terrorista que exige dela uma intervenção no hotel para a transferência de quarto de um importante hóspede membro do governo americano, o Secretário da Segurança Nacional William Keefe (Jack Scalia), que estaria juntamente com a família sendo alvo de um atentado, e caso a moça não colaborasse seu pai seria assassinado.
"Vôo Noturno" é um thriller tão trivial que chega a ser irritante. É apenas mais um filme igual a centenas de outros com a mesma temática e com histórias tão previsíveis que a única forma de não se saber muito antecipadamente o que irá acontecer é dormir durante a projeção. Enquanto a ação se passa no interior de um avião durante um incômodo e turbulento vôo noturno, o filme até que consegue agradar e prender a atenção do espectador, através de um interessante jogo psicológico travado entre o vilão frio e calculista e a mocinha vítima de seu plano terrorista. Mas, depois que o avião aterrissa no aeroporto de Miami, sucede-se uma série de perseguições, correrias e eventos patéticos previsíveis até culminar num desfecho extremamente óbvio, onde no final a verdadeira vítima é o espectador que esperava algo diferente, fora do convencional e principalmente mais ousado por parte do diretor Wes Craven, que deveria no mínimo tentar honrar seu passado no cinema de horror e respeitar o público que admira seu trabalho dentro do gênero. Porém, ocorre o contrário, pois aquele vilão estrategista e ameaçador de antes, tornou-se um completo incompetente onde até uma menina adolescente de onze anos (aliás, um personagem totalmente dispensável na história), consegue fazê-lo de idiota, ainda no corredor do avião em sua chegada ao aeroporto.
Em meus comentários sobre filmes em geral, nunca tive a menor intenção de influenciar alguém a ver ou não um filme, pois acredito que opinião pessoal é algo subjetivo e todo e qualquer filme deve ser visto para que o espectador tenha a sua própria avaliação. E por isso mesmo sugiro sempre a todos que vejam o filme que quiserem, independente se as análises críticas são favoráveis ou não. A única coisa que gostaria de registrar é que após sair da sala de cinema e com esse "Vôo Noturno" se somando a já imensa lista de filmes que assisti na vida, surgiu uma desconfortável sensação de perda de um precioso tempo que poderia ser melhor aplicado em outras atividades, além de um prejuízo financeiro.
Entre as curiosidades temos a presença do veterano ator Robert Pine, como um cliente do hotel, exageradamente exigente e cuja impertinência conseguiu até irritar a gerente Lisa numa piadinha detestável no final do filme. Ele que foi o chefe dos guardas rodoviários, Sargento Joseph Getraer, na série de TV "Chips" (1977/83), exibida exaustivamente na televisão brasileira na década de 80. Outro detalhe curioso é a participação de Wes Craven e do roteirista Carl Ellsworth como passageiros do avião.
Os responsáveis pela escolha dos nomes nacionais dos filmes que chegam por aqui dificultaram ainda mais a tarefa de catalogação e pesquisa da imensa quantidade de filmes que são exibidos no Brasil, pois o nome "Vôo Noturno" já pertencia a um filme de 1998, que curiosamente é inspirado na obra literária de Stephen King. Com o nome original "The Night Flier", a direção é de Mark Pavia e o elenco é liderado por Miguel Ferrer, sendo uma adaptação da história "O Piloto Noturno", do livro de contos "Pesadelos e Paisagens Noturnas" (Nightmares & Dreamscapes, 93).
"Vôo Noturno" (Red Eye, 2005) # 336 - data: 10/09/05 - avaliação: 3 (de 0 a 10)
Renato Rosatti
NOTÍCIAS E IMAGENS
(05/08/05) Confira novas imagens, inclusive dos bastidores, com a presença do próprio Wes Craven:
