A VINGANÇA DE WILLARD


Willard



CRÍTICAS:

Uma forma interessante de repulsa é a presença de animais ou insetos nojentos em filmes de terror. A maior dificuldade dos fãs do gênero é conseguir convencer a esposa ou namorada a assistir a uma produção desse estilo. Até mesmo as mais corajosas, aquelas que enfrentam demônios, vampiros e assombrações, sentem aflição quando se vêem diante de um desafio envolvendo algo que se arrasta pelo chão, vive nos esgotos e tem um odor terrível. Assim, muitas produções repugnantes invadiram os cinemas e videolocadoras no passado, sendo que uma em especial tornou-se um clássico do terror, graças ao enredo freudiano e a voz de Michael Jackson, em "Ben´s Song", música tema da sequëncia. Trata-se de Willard (1971), lançado no Brasil como Calafrio, e que agora adquire uma nova roupagem numa superprodução que recebe o nome nacional de A Vingança de Willard.
Dirigido por Glen Morgan (conhecido pelos seus trabalhos como roteirista da série Arquivo X e também do filme Premonição), conta a história de um rapaz, Willard (Crispin Glover, em mais um papel esquisito), que é atormentado pela sua incapacidade de viver em sociedade, de ter amigos e até mesmo uma namorada. Willard mora em uma mansão com sua mãe, uma velha decrépita e nojenta (praticamente um zumbi em cena), que costuma maltratar o rapaz com ofensas - por exemplo, quando ela diz que seu nome é feio - e ordens irritantes como a exterminação de ratos que vivem em seu porão. Enquanto tenta todos os métodos possíveis para eliminar as criaturas, Willard ainda é aterrorizado por seu chefe, Sr. Martin, (R.Lee Ermey, do remake do Massacre da Serra Elétrica), que assumiu a empresa após a morte de seu sócio (Willard, pai do protagonista, personagem do filme de 1971) e quer a todo custo mandá-lo embora - mas não pode, devido à herança. Martin utiliza uma nova estratégia para que o rapaz desista do emprego: através de pressão psicológica, ele contrata uma nova funcionária, Cathryn (Laura Elena Harring), e a coloca em sua mesa de trabalho, o que gera um sentimento de pena por parte da contratada, resultando numa aproximação perigosa.
Em mais uma tentativa de caçar os ratos do seu porão, Willard acaba prendendo um belo rato branco, a quem ele dá o nome de Sócrates, e a partir daí tem início uma amizade um pouco estranha. Willard descobre que possui o dom de treinar o pequeno roedor, e que, este, por sinal, é capaz de comandar os outros milhares de ratos que vivem escondidos pela casa. Pouco a pouco, o rapaz ensina os animais a rasgar objetos e, assim, percebe que eles podem ser mais do que simplesmente amigos; eles podem ser uma terrível arma contra aqueles que o atormentam. Nesse momento, Willard nota a presença de um rato enorme, uma criatura negra, de aspecto assustador, que é a própria manifestação do ódio que ele armazena dentro de si. Em homenagem ao famoso relógio inglês, o protagonista o batiza como Ben, e logo percebe que esse "novo amigo" é extremamente respeitado pelos outros ratos, não mede conseqüências e que tem planos terríveis de vingança. Assim, Willard trava uma batalha entre seu consciente (Sócrates) e seu inconsciente(Ben) , cuja bandeira da vitória irá determinar seus atos.
Diferente da produção original, A Vingança de Willard é um filme bem sombrio e pessimista. Sua narrativa lenta e com poucos diálogos permite que o espectador assuma o papel do protagonista e busque entender a razão de suas atitudes. Crispin Glover - que já tem um aspecto de rato por natureza - é o destaque positivo do longa: ele atua praticamente como um rato vestido de homem, através de olhares silenciosos, respiração ofegante e seu constante encolhimento. Crispin também é responsável pela cena mais antológica: quando a porta do elevador se abre, surge um bando de ratos por todo o seu corpo, numa visão assustadora e complexa. Para os que buscam um terror psicológico, com pitadas de humor (como a protagonizada por um gato azarado), A Vingança de Willard pode ser uma agradável surpresa. Não há sangue, nudez ou qualquer apelação. O que há são ratos...muitos ratos - argumento suficiente para que sua companheira opte por um outro filme. Até mesmo uma comédia romântica...

Marcelo Milici

COTAÇÃO:
Willard Stiles é um sujeito pirado. Mas não é um maluco qualquer, é um daqueles que ultrapassam a categoria do lunático padrão. Ele só não mete sorvete na testa com medo de sujar seu sempre bem alinhado terno. Ele é um jovem atormendado pela morte do pai e vive sufocado por uma mãe castradora, apesar de compreensiva. Talvez por isso, seu relacionamento "interpessoal" no trabalho não seja dos melhores.

Seu pai, em vida, foi sócio de uma empresa que pertence a Frank Martin (R. Lee Ermey). Devido à um contrato, que cedeu a empresa a Frank, ele não pode demitir Willard, que segue empregado, mas não recebe a motivação adequada do patrão. Uma das diversões preferidas de Frank é humilhar Willard na frente dos colegas de trabalho.

Um dia, Willard descobre em seu porão um cativeiro de ratos, e aos poucos começa a domesticá-los. De cara fica amigo de 2, que parecem ser os líderes da turma. Um é Socrátes (nenhuma alusão ao meia do Corinthians) e o outro é Ben. Sócrates é o mais racional deles, e inclusive evita certo dia o suicídio de Willard. Já Ben é aquele que adora aprontar, talvez privilegiado pelo seu tamanho descomunal (ele está mais para porquinho da índia do que rato).

Entre as colegas de trabalho, Cathryn (Laura Harring) é a única que nutre uma espécie de carinho por Willard. Um dia, a mãe do rapaz morre, devido aos ratos, e ele, sozinho, começa a sofrer pressões ainda maiores do chefe, que chega a demiti-lo. Antes disso, Willard planeja a vingança, na qual precisará da ajuda fundamental de seus amigos roedores.

"A Vingança de Willard" é um dos melhores remakes da atualidade, tendo sido filmado originalmente em 1971, com Bruce Davison no papel principal. A fita, sucesso no período, era extremamente inteligente em abordar as nuances da dor interior do personagem principal. "A Vingança de Willard", tal qual no original, é uma variação do tema conflito de personalidades, sendo Willard o Superego, Socrates o Ego, enquanto que Ben seria o Id.

Além desse interesse, o diretor Glen Morgan se preocupa em criar uma atmosfera sombria, quase gótica, no qual é brilhantemente auxiliado pela trilha de Shirley Walker, que difere completamente da maioria das composições atuais para filmes de terror. É uma música estilosa, tal qual todo o filme, que ainda tem uma fotografia de primeira. O ritmo é muito mais cadenciado do que a produção recente do gênero (talvez um dos motivos para o fracasso de público), e 2 atores dão seu show.

Um é Crispin Glover, que já fez o papel de alguém doente da cabeça em "As Panteras", e aqui encara aquela que talvez seja sua melhor atuação até o momento, apesar de alguns instantes de super-representação (ok, o diretor Morgan as vezes pisa na bola). O outro é R. Lee Ermey, como sempre relegado a um papel coadjuvante, e sempre competente. Ninguém poderia fazer melhor o papel de chefe durão e vilânico como ele, relembrando as vezes o sargento que ele interpretou em "Nascido para Matar", de Kubrick.

Ademais, "A Vingança de Willard" surpreende pela categoria e poucas concessões comerciais, o que é algo raríssimo nos dias atuais. E quem notar bem verá que a trama da história original, mantida com fidelidade nesse, foi uma das principais inspirações para Stephen King escrever "Carrie", em 74, que virou filme em 76. O resto, como se sabe, é história. Grande pedida.

P.S. - Como curiosidade, na cena em que o gato é trucidado por milhares de ratos, toca a música "Ben", que o então garoto Michael Jackson interpretou e serviu como tema para a continuação, "Ben", de 1972. A sequência era lamentável, mas a música fez certo sucesso na época. E, coincidentemente, seu intérprete, Michael Jackson, também é notório por problemas de relacionamento com o mundo exterior (e por que não, interior).

Carlos Afonso

Visite seu site oficial e confira outras críticas de cinema: http://www.jtsproducoes.com.br/samael

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CURIOSIDADES:

(05/09/03) De acordo com a PlayArte, A Vingança de Willard chegará aos cinemas brasileiros no dia 26 de setembro. Já comece a reservar seu ingresso...
(06/06/03) Willard recebeu o nome no Brasil de A Vingança de Willard e será distribuído pela PlayArte com estréia prevista nos cinemas para agosto.
(02/05/03)Que tal uma galeria com 25 novas imagens do filme Willard? Pois bem, CLIQUE AQUI e confira!!


(21/03/03) O site do Willard, próximo filme de terror da New Line, com Crispin Glover no papel principal, é muito interessante.
Ha informações sobre a produção e o elenco, galeria de fotos e muitos downloads. Na nova atualização, foram incluídos cartões virtuais com ratos e um vídeo musical com a versão de Crispin Glover para "Ben", de Michael Jackson. Para visitar o site, clique aqui
A vida tem sido uma grande armadilha para o jovem de 30 anos, Willard Stiles (Crispin Glover). Atormentado pelo fantasma do pai morto e sufocado pelo vínculo psicológico que o mantém próximo de sua mãe em seu imponente lar, Willard vagueia por uma (quase) vida através de sua incapacidade de se comunicar com as pessoas próximas a ele. Funcionário da empresa Martin-Stiles Manufacturing, Willard mantém esse emprego graças a seu pai, sócio de outro fundador, Frank Martin (R. Lee Ermey), que o recorda de sua inaptidão para qualquer serviço.
Mas Willard fez uma sinistra descoberta: ele encontrou um poderoso cativeiro de ratos em seu porão. Agora, Will tem amigos - centenas, talvez milhares. Uma bela jovem, Cathryn (Laura Elena Harring), que trabalha em sua empresa, estende a mão para o maltratado funcionário, enquanto Will adquire uma aliança mortal com Ben, Sócrates e o resto da legião de ratos, infestando ainda mais o porão da família Stiles. Willard é incapaz de matar, porém seus amigos não são.
O pesadelo tem início quando um dos ratos é morto em seu serviço...Will se transforma...seus amigos resolvem se vingar de forma cruel....

Baseado numa história de Stephen Gilbert, O Homem-Rato, e no filme de terror de 1971, Glen Morgan procurou seguir um caminho bem diferente do original. Como fã de Hitchcock, Morgan fez um horror psicológico que procura estabelecer paralelo entre Psicose e Os Pássaros. Os ratos são a representação da ira de um homem perturbado e incapaz, com problemas sociais e uma tristeza profunda. Ben e Sócrates representam o lado bom e mau de Willard, como uma espécie de disputa entre os dois sentimentos que mais o atormentam: o medo e a raiva.
Se a vida não está fácil, se arme de ratos!









Elenco: Crispin Glover, Jackie Burroughs, R. Lee Ermey, Laura Elena Harring, Kim McKamy
Diretor: Glen Morgan
Distribuidora:
Estréia no Brasil: 26 de setembro de 2003

COMENTÁRIOS

"Ôpa! mais um sucesso que eu assiti, legal e sinistro, pô galera não vem me dizer que esse filme é ruim. "
Felipe Henrique

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