FLORESTA DO MAL
(Wrong Turn 2: Dead End, EUA/Canadá, 2007)

Direção: Joe Lynch.
Roteiro: Turi Meyer e Al Septien.
Produção: Jeff Freilich.
Edição: Ed Marx.
Música: Bear McCreary.
Elenco: Erica Leerhsen (Nina Papas), Henry Rollins (Dale Murphy), Texas Battle (Jake Washington), Daniella Alonso (Amber), Steve Braun (Jonesy), Aleksa Palladino (Mara), Crystal Lowe (Elena), Matthew Currie Holmes (M), Kimberly Caldwell (ela mesmo), Ken Kirzinger (Pa), Wayne Robson (homem velho), Jeff Scrutton (Three-Finger), Clint Carleton (irmão), Rorelee Tio (irmã), Ashlea Earl (Ma), Cedric De Souza (Neil), John Stewart (Wojo) e Bro Gilbert (Chris).
Distribuição: Em DVD pela Fox Filmes.


SINOPSE
Dale Murphy está conduzindo e produzindo seu próprio reality show para a TV, chamado "The Ultimate Survivalist.", com seis competidores, soltos durante seis dias numa simulado deserto pós-apocalíptico. Localizada numa parte remota de West Virginia, os competidores terão que lutar realmente pela sobrevivência contra uma família de canibais que planeja abater todos eles impiedosamente.


“Sem retorno.”

“U.S. – The Ultimate Survival”. Seis competidores. Seis dias. Apenas um sobrevivente. Numa floresta remota, um grupo de jovens disputa um prêmio em dinheiro num reality show que simula um mundo pós-apocalíptico. O terror torna-se real quando os participantes descobrem uma estranha família com hábitos alimentares um tanto quanto exóticos.

Em 2003, a PlayArte teve a idéia genial de distribuir “Wrong Turn” em terras tupiniquins com título de “Pânico na Floresta”. Pra que respeitar a idéia do título original, se podemos lançar o filme com um nome muito mais criativo? Quatro anos se passaram, uma continuação foi produzida e eis que a Fox (e não a PlayArte) adquire os direitos de distribuição de “Wrong Turn 2: Dead End”, no Brasil. Neste mesmo tempo, num golpe baixo e vingativo, a PlayArte lança a bomba “Timber Falls” como “Pânico na Floresta 2”, mesmo o filme não tendo nada haver com “Wrong Turn”.
Numa picaretice à altura da concorrente, os responsáveis pelo setor “nome de filmes quando lançados por aqui” da Warner, batizaram “Wrong Turn 2” com o patético e originalíssimo título “Floresta do Mal”. Tomaremos a liberdade (mesmo que por um único parágrafo), de chamar Wrong Turn de “Caminho Errado” (não soa muito bem, mas se aproxima de sua tradução literal) e a sua continuação pelo subtítulo “Sem Saída” (Dead End).

Superando a falta de originalidade na escolha dos títulos em português pelas distribuidoras, vamos ao filme em si. “Floresta do Mal” (respeitando a escolha oficial), assim como seu antecessor “Pânico na Floresta”, não apresenta muita coisa de inovador. Apesar de não ser exatamente um filme ruim, temos a sensação de estarmos assistindo a uma versão genérica dos clássicos “Massacre da Serra Elétrica” e “Quadrilha de Sádicos”. Todas as peças estão lá: jovens desavisados e sem conteúdo caçados por canibais deformados num ambiente inóspito e isolado.

Entretanto “Floresta do Mal” começa muito bem, com uma seqüência um tanto promissora e violenta. Neste prólogo, a cantora, atriz e “American Idol”, Kimberly Caldwell dirige um belo Mustang conversível por uma estrada quase deserta. Pelo celular, ela discute distraidamente com seu empresário uma participação num reality show, quando, comprovando que não se deve jamais usar o telefone enquanto se está ao volante, atropela um desconhecido. Desesperada, a loira desce do carro e tenta prestar socorro à vítima (um rapaz cujo rosto parece deformado). Ao se aproximar do atropelado, Kimberly nota que ele parece engasgado e então tenta puxar sua língua. O rapaz acorda e num gesto furioso, arranca-lhe o lábio inferior com uma mordida. Ensangüentada e em pânico, Kimberly tenta fugir, mas acaba cara a cara com outro homem, que com uma única machadada a corta ao meio.



Esta seqüência é apenas uma pequena amostra do que nos reserva os 90 minutos seguintes. Muita violência explícita, machadadas, flechadas, tiros, facadas, membros decepados e pescoços degolados, entre outras inúmeras crueldades habituais nas produções do gênero. Os ótimos efeitos de maquiagem não deixam a desejar nos “deliciosos” excessos: são tripas, intestinos, dedos, e pedaços de gente suficientes para alimentar a família canibal por muito tempo.

Mas mesmo com estes bons efeitos e o “gore” exagerado, “Floresta do Mal” não chega a impressionar. Falta à produção aquele clima incômodo e indigesto característico as produções setentistas que lhe serviram de inspiração. Esta ausência de suspense deve-se em parte ao fraco desempenho dos atores.

O “dispensável” elenco, destinado a virar o jantar de uma família de malucos deformados canibais, é composto por Aleksa Palladino (que fez uma pequena participação em “O Chamado 2”), interpretando Mara, a namorada do idealizador do reality show (Matthew Currie Holmes, de “A Névoa”). Somam-se aos participantes do programa a linda vegetariana Nina (Erica Leerhsen, de “O Massacre da Serra Elétrica” refilmagem), a também linda Amber (Daniella Alonso, de “O Retorno dos Malditos”) e a safada Elena (Crystal Lowe, de “Premonição 3”). A trupe masculina é liderada pelo vocalista da Rollins Band, Henry Rollins (de “Banquete no Inferno”). Henry encarna o ex-combatente de guerra e mediador do programa. Completando o elenco estão os inexpressivos Texas Battle (“Premonição 3”) e Steve Braun (“Sociedade Secreta 3”), interpretando Jake Washington e o engraçadinho Jonesy.

O roteiro, que foi escrito pela dupla Turi Meyer e Al Septien, responsáveis por diversos episódios de “Smallville” e pelo fraco “Candyman 3: Dia dos Mortos”, se resume a simples tagline do filme: jovens sendo mortos um a um por uma família de canibais deformados. Uma variação da trama do primeiro longa (e de centena de outros), que apresenta ainda diversas situações idênticas as apresentadas no filme anterior, como a visita das heroínas a cabana dos canibais e o cemitério de automóveis. A própria idéia do reality show não é nova, pois já havia sido explorada por produções semelhantes como “O Olho Que Tudo Vê” e “Halloween: Ressurreição”. Uma única sacada divertida é a caracterização do personagem vivido por Henry Rollins, que em determinado momento se transforma numa espécie de Rambo, com direito a cara pintada e arco e flecha.



A direção ficou a cargo do estreante Joe Linch (grande promessa segundo o site americano “Gorezone”). Apesar de algumas tomadas de ângulos extravagantes, o resultado final é um tanto convencional.

Assim como o prólogo, algumas outras seqüências salvam o filme do fiasco, como o nauseante nascimento de um bebê deformado, e uma asquerosa cena de sexo entre irmãos canibais. Uma boa idéia também é a critica constante aos reality shows, mostrando a falta de caráter e personalidade dos participantes, assim como a manipulação dos acontecimentos (uma cena de sexo é programada entre os participantes, sem nada de natural). O filme também questiona, de forma menos explícita, a “hipocrisia cristã” em relação à alimentação, quando a família canibal faz uma oração, antes de devorar seu prato predileto.

Apesar de todas as obviedades de “Floresta do Mal”, o bom desempenho do DVD ao redor do mundo e algumas boas críticas tornaram viável a produção de uma nova continuação, prevista para 2008 com direção do mesmo Joe Linch. No Brasil, a versão em DVD, denominada “UNRATED” (sem censura), traz como material extra o making of, trilha de áudio com comentários e dois pequenos documentários chamados “Nas Locações com P-Nut” e “Fazendo o Esquartejamento Ter Uma Boa Aparência”.

Floresta do Mal”, na melhor das hipóteses, pode ser considerado uma boa homenagem aos primeiros trabalhos dos cineastas Wes Craven e Tobe Hooper. Esta homenagem (reciclagem ou plágio, como preferirem) fica evidente na seqüência do jantar, quando a “visita” se vê obrigada a provar o prato principal a base de carne humana (a ironia: ela é vegetariana). Algo muito próximo ao que foi visto em “O Massacre da Serra Elétrica”, de Hooper. Uma outra citação é a camiseta preta usada por M, com o logotipo “BR” (de “Battle Royalle”, produção japonesa que é indiscutivelmente o melhor filme focando reality shows já realizado).

Enfim, um terror mediano, indicado aos fãs de “gore” explícito e que não sejam muito exigentes quanto ao conteúdo. Estes são brindados com milhares de litros de sangue e toneladas de tripas.

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por Marcelo Milici

"Na floresta, somente eles poderão ouvir você gritar..."

Em 2003, quando o cinema brasileiro estava em alta com o lançamento de boas produções como “O Homem que Copiava” e “Amarelo Manga”, os olhos assustados dos fãs de produções sangrentas espreitavam ansiosamente pela estréia da nova versão do “Massacre da Serra Elétrica”, que já acumulava boas críticas nos sites internacionais (mal sabíamos que o filme somente seria lançado dois anos depois). O gênero entrou numa fase de boas mudanças com o resgate da violência crua, da humanização do horror, das torturas físicas, da explicitação dos órgãos – características presentes nos clássicos das décadas de 70 e 80 e que serviram para moldar o estilo.

Para o povo brasileiro, a violência real estava em alta nesse ano de 2003, quando um casal de jovens, Felipe Silva Caffé e Liana Friedenbach, foi encontrado morto
num sítio abandonado em Embu Guaçu, num crime que chocou a opinião pública. Vítimas de um menor de idade e um grupo de marginais, ambos foram assassinados cruelmente, sendo que Liana sobreviveu durante três dias sob torturas e abusos, contrariando a tagline de “The Hills Have Eyes”. Com esse horror real exibido constantemente nos noticiários que acompanhavam a dor do pai na busca pela filha, o cinema ainda era surpreendido por uma outra produção, que quase ofuscara a estréia do “Massacre da Serra Elétrica”, dividindo a atenção dos infernautas. Trata-se do filme “Wrong Turn”, lançado por aqui pela “PlayArte” no ano seguinte com o título oportunista “Pânico na Floresta”.



Numa referência apaixonada aos clássicos “Quadrilha de Sádicos” e “Amargo Pesadelo”, “Wrong Turn”, do diretor Rob Schmidt, trazia um elenco de rostos conhecidos (Eliza Dushku, Desmond Harrington e Jeremy Sisto) tendo que enfrentar uma família canibal nas matas de West Virginia, após pegarem o “caminho errado” seguindo a orientação de um estranho desdentado que bebia “iogurte” num posto de gasolina. Com cenas de perseguição e desespero na mata, o ótimo filme fez sucesso nos cinemas brasileiros em 2004, com momentos bastante inspirados: a espionagem na velha cabana, o cemitério de carros, as flechadas certeiras e, principalmente, uma certa machadada na boca, com extração do maxilar.

Com o sucesso, o filme inspirou a composição criativa de diversos roteiristas, serviu de alavanca para a carreira do elenco envolvido e deu luz verde para a realização de uma continuação. Ponto que se tornaria pacífico quatro anos depois, com o lançamento direto para o vídeo de “Wrong Turn 2: Dead End”, dirigido pelo desconhecido Joe Lynch, a partir de um roteiro escrito por Turi Meyer (conhecido por seu trabalho nas séries “Buffy”, “Angel”, “Smallville” e nos filmes “Candyman: Dia dos Mortos” e “O Retorno do Duende”), e seu parceiro de longa data Al Septien.



Seguindo a cartilha das seqüências contemporâneas, “Wrong Turn 2” se destaca por sua violência excessiva, pelo número maior de mortes, pela grande quantidade de personagens e, principalmente, pela referência ao clássico mor do cinema de horror, “O Massacre da Serra Elétrica”, em sua cena antológica. Os excessos podem tornar a produção mais divertida e dinâmica, mas não fazem com que ela fique mais interessante que a original, como muitas críticas da internet sugerem desde sua exibição teste.

De qualquer modo, o começo é simplesmente brilhante e merece uma narração mais detalhada: interpretando a si mesma, a cantora e atriz, Kimberly Caldwell (que participou dos programas “Popstar” e “American Idol”), cruza uma estrada cercada pelas matas da West Virginia, enquanto conversa por telefone com seu agente a respeito de sua participação num novo reality show. Num momento de distração, acidentalmente, a garota atropela um desconhecido que cruzara seu caminho. Ao parar para socorrê-lo, ela tenta puxar a língua do indivíduo - que já tinha o rosto deformado antes do acidente - e acaba tendo seus lábios arrancados numa dolorosa dentada. Para completar seu infortúnio, a figura monstruosa ainda rasga a jovem em uma única e violenta machadada cortando-a de cima para baixo e dividindo-a em dois pedaços. Num bom posicionamento de câmera, acompanhamos a cena pelas pernas da jovem, restando ao espectador observar a lâmina indo de encontro ao chão, trazendo consigo pedaços de órgãos e muito sangue. Para concluir um dos momentos mais interessantes do filme e – arrisco dizer – da atual fase do cinema de horror, duas criaturas arrastam seus pedaços para a mata, comemorando a possibilidade de uma boa refeição.




Depois desse momento espetacular, acompanhamos a equipe de produção e os participantes de um novo reality show sendo apresentados ao público através da tradicional introdução dos programas e filmes que abordam o estilo. Filmes como “O Olho que Tudo Vê”, “Halloween: Ressurreição” e “O Jogo das Sete Mortes” já tinham feito uso da fórmula no começo de seus longas, numa tentativa sempre fraca de se aproximar dos verdadeiros “Big Brothers”. O carismático vocalista da banda Rollins Band, Henry Rollins (“Banquete no Inferno”), interpreta Dale Murphy, o Pedro Bial desse reality, uma figura que chama a atenção por seus gritos e músculos. Como parte da equipe, M (Matthew Currie Holmes, de "Firewall") é o câmera, que, estrategicamente, possui uma namorada entre as participantes: a bela e apaixonada Mara (Aleksa Palladino, de “O Grito 2”). Entre os demais competidores, destaca-se a angustiada Nina Papas (Erica Leerhsen, de “O Massacre da Serra Elétrica” 2003), o bom caráter Jake Washington (Texas Battle, de “Premonição 3”), a bondosa Amber (Daniella Alonso, de “O Retorno dos Malditos”), a promíscua Elena (Crystal Lowe, de “Noite de Terror” 2006) e o engraçadinho Jonesy (Steve Braun, de “Sociedade Secreta 3”).

Assim, esses personagens manjados espalham-se em duplas pelas matas com o objetivo de conquistar às provas do programa. No enredo do reality, após guerras nucleares e mudanças climáticas, o Planeta Terra está devastado, vivendo um período denominado como “Apocalipse” (com carros abandonados, casas, corpos e até um helicóptero derrubado). Cabe aos participantes a tarefa de tentar sobreviver a vários dias no local, evitando cair nas armadilhas - que podem contaminar o participante e obrigá-lo a cumprir uma meta para continuar na batalha -, procurando alimentos e abrigo, ao passo que tentam enfrentar a maior dificuldade: a convivência.

Logo que iniciam as buscas, uma família canibal, composta de pessoas deformadas e agressivas (seguindo a regra dos vilões, sempre feios, e tentando passar uma mensagem sobre as conseqüências das guerras biológicas...), passa a caçá-los um a um, usando flechas, machados, facões e as armadilhas espalhadas pelo local. Os ataques acontecem sempre que os jogadores estão sozinhos ou em dupla, facilitando o trabalho dos selvagens, que, assim como o original, estão quase sempre em grupo.



Apesar de ser linear, não parece necessário relatar a ordem dos fatos, já que qualquer mudança não faria diferença alguma no roteiro do longa. Um personagem é ferido, enquanto outro é morto, um é preso, depois escapa, outro é preso e morto, e por aí vai. Como eles dificilmente se encontram, às vezes fica difícil saber quem morreu primeiro ou em que momento tal jogador foi atacado. Apenas dois personagens fazem a ligação entre os demais e conduzem a narrativa: Nina e Dale. São eles que presenciam ataques e escapam por diversas vezes da morte, lutam de igual para igual com as criaturas, e são os que mais se aproximam da natureza animal dos vilões. Aliás, felizmente, foi mantido esse aspecto selvagem, com a comunicação feita através de grunhidos e gritos, que embora não possuam uma cadeia lógica de signos, seus significantes facilitam a compreensão dos significados. Reparem mais uma vez como o monstro creditado como “Three Finger” (interpretado no original por Julian Richings, e neste por, Jeff Scrutton) faz sons repetidos com a boca, enquanto mexe os dedos, como se estivesse atraindo uma presa para o abate.

Dentre todo o elenco, o único que participou também do filme de 2003 é o velho que engana as pessoas no posto do gasolina, interpretado por Wayne Robson. Neste, é explicado o motivo de sua cooperação com a família assassina, mas, em contrapartida, uma fala mal colocada praticamente fura a franquia: “Ninguém que tenha estado nessa mata saiu com vida.” (!!!) Como não? Resolveram ignorar Chris Flynn e Jessie Burlingame (Desmond Harrington e Eliza Dushku, respectivamente)?



Realmente, uma das grandes falhas de “Wrong Turn 2: Dead End” é a falta de referência ao original. Com certeza, os fãs sentirão falta de algumas locações usadas no primeiro filme e que podiam ter sido lembradas na continuação. Por exemplo, a torre de vigia, o cemitério de carros, a casa original da família (ainda que em ruínas), a cachoeira...A propósito, com a conclusão desse filme ficarão algumas questões para os fãs pensarem a respeito: a polícia nunca mais foi ao local? E as pessoas desaparecidas? Os sobreviventes não denunciaram os ataques? Não houve divulgação na imprensa? De onde surgiram tantos “novos monstros”?

Por outro lado, “Wrong Turn”, de 2003, é lembrado no momento em que alguns jovens entram numa velha cabana na região e são obrigados a se esconder quando canibais chegam ao local trazendo uma das vítimas para uma “necropsia”. Além de acompanharem todo o episódio, eles ainda acabam sendo surpreendidos pelo parto de um monstrinho – fato que já virou clichê no cinema atual depois de filmes como “O Massacre da Serra Elétrica: O Início” e “O Retorno dos Malditos”. A continuação também lembra o filme original na famosa cena da flechada no olho, sendo que desta vez temos a dramatização do ditado “matar dois coelhos com uma única cajadada”.



De todo modo, trata-se de um bom filme, mesmo com o tom de humor mais intensificado nessa seqüência. No original, as poucas falas de alívio cômico eram proferidas pelo personagem de Jeremy Sisto. Neste, há um completo palhaço chamado Jonesy, que sempre que aparece em cena traz algum comentário engraçado, ainda que a situação seja desconfortante. Além dele, os próprios vilões apresentam alguns momentos descartáveis: um nojento beijo, cenas de ciúmes e uma envolvendo sexo (!!!) dão um tom pouco dramático e inferior à narrativa.

E quando tudo parece caminhar para obviedade, os roteiristas transformam Henry Rollins no Rambo com direito a ataque surpresa, manchas de guerra no rosto e camuflagem. “Wrong Turn 2” torna-se ainda mais divertido, mas afasta-se do gênero horror.



Para terminar, é impossível deixar de comentar a homenagem dos roteiristas à obra de Tobe Hooper, “O Massacre da Serra Elétrica”, de 1974, na tradicional cena do jantar em família. Sem o mesmo impacto e sem uma boa atuação da vítima, o momento ainda assim é bem visto e serviu para aumentar o prestígio da seqüência. Nada mais justo do que essa citação, também vista em “O Massacre da Serra Elétrica: O Início”, para concluir o longa de forma satisfatória, ainda que o filme seja bastante inferior à produção de Rob Schmidt, muito mais tensa e sem exageros.

Wrong Turn 2” será distribuído diretamente em DVD no Brasil pela "Fox" com o título mais enjoativo do que dez jantares com uma família canibal - “Floresta do Mal” -, já que a possibilidade de um coerente “Pânico na Floresta 2” foi descartada depois que a "PlayArte" resolveu picaretar esse título para lançar o desconhecido “Timber Falls”, mostrando, mais uma vez, quem são os verdadeiros canibais, que levam o público para o "caminho errado", numa evidente marginalização do gênero.

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